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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Um sabor do passado

Descobri recentemente que o Aldi vende milho fresco. No domingo não resisti, sabendo que iríamos ter grelhados para o almoço corri a comprar uma embalagem. 

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Veio para a mesa tostadinho e cheiroso. Cortei as maçarocas e dei um pouco a cada um. Foi divertido vê-los roer em o milho tal como já fiz um milhão de vezes. 

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 Depois foi a minha vez. Provei o meu pedaço, senti aquele sabor e fui atingida por um turbilhão de emoções. Uma pequena dentada que me levou directamente para a minha infância. Soube bem recordar. Agora que sei onde vendem vamos comer mais vezes. 

Grilos

Desde que me lembro o meu pai sempre teve uma tara com grilos. Todos os anos apanhava um e trazia para casa. Durante uns tempos era o nosso animal de estimação. Tinha uma casinha própria e comia alface. Cantava durante a noite toda e eu gostava muito de os ouvir.

Este ano percebi que afinal são os grilos que encontram o meu pai. Foi à feira da luz e estava um num artigo que compraram. Depois encontrou outro na fruta num hipermercado. Ficou então com dois grilos que resolveu partilhar com os netos.

No fim de semana libertamos os animais no nosso quintal. Eles estão de certo mais felizes em liberdade e nós escutamos a cantoria deles na mesma. A cada dia que passa cantam mais alto. Ainda ontem adormeci com um sorriso nos lábios porque o cantar deles me trás muitas memórias. 

Nem tudo é mau

Muito me tenho queixado sobre esta estadia forçada em casa mas a verdade é que nem tudo tem sido mau. Já fez um ano que estamos nesta zona mas, entre miúdos, escolas, actividades, reuniões, trabalho, doenças e outras coisas, não conheço muita coisa. 

Estes dias em casa fizeram com que perceba quantos padeiros e a que horas passam aqui na rua. Adoro a forma como não se trancam os portões pelo que o padeiro entra na propriedade e deixa o pão pendurado na porta, ainda não percebi como fazem contas. Gosto da calma e da segurança da zona. Da forma como as pessoas deixam grelhadores e mesas nos relvados aqui da zona, assim como estendais de pé cheios de roupa. 

Conheci mais vizinhos neste dias no que num ano inteiro. Descobri que a maioria já são avós mas extremamente simpáticos, já perdi conta ás ofertas que recebi para tomarem conta dos meninos caso precise de alguma coisa. A grande maioria tem a casa cheia de netos de manhã e à tarde e gostam de ter amigos para os netos.

Aprendi também que a vida no campo não é só monotonia. Ainda um dia destes tivemos a rua invadida por cinco ovelhas que fugiram de uma quinta qualquer. Era vê-las correr extremamente alegres pela rua fora saboreando a liberdade. Era ver os carros atrapalhados perante a estrada ocupada com os animais. Era ver pessoas a tentar direccionar as ovelhas para uma zona onde não corressem perigo. Achei a situação muito caricata mas uma vizinha disse-me que já tinha visto pior. Um dia abriu a porta de casa e tinha uma cabra dentro da sua propriedade. Ainda hoje está para saber como é que a cabra lá tinha ido parar uma vez que os seus gradeamentos tem mais de um metro e sessenta.

A cada dia que passa gosto mais desta área e cada vez mais me sinto em casa. Durante uns tempos lutei com um sentimento que esta não era a minha casa.Tudo era estranho após catorze anos no mesmo apartamento. Aos poucos o sentimento foi mudando e agora já quase nem me lembro como era viver antes.

Os meus tomates

A minha tentativa de cultivar tomates nan correu melhor que a das cenouras. Olho para os tomareiros e vejo dezenas de tomates. Começam a amadurecer e tem um aspecto bonito.

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Contudo a outra extremidade do tomate conta outra história.

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Pelo que pesquisei na internet pode ser um problema do solo, como o PH ou a falta de cálcio. Vou passar na loja de cultivo da zona para ver se me conseguem ajudar.

Jardim vertical de ervas aromáticas

A ideia de ter um jardim vertical não me saía da cabeça. No entanto não queria gastar dinheiro em estruturas e vasos. Procurei então ideias para o fazer com materiais recicláveis. Apenas precisei de uma palete, garrafões de água e o marido tratou do resto.

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Ainda tenho espaço para mais garrafões. Por agora plantei salsa, coentros, hortelã, tomilho e magericão. Resta esperar para ver se as sementes germinam.

Mãe já viste aquela nossa árvore?

- Mãe já viste a nossa árvore? - pergunta um dos mais velhos

- Já porquê?

- Está linda.

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- Está mesmo.

- Que árvore é?

- É um pessegueiro. Sabes porque dá flores?

- Não.

- As flores transformar-se noutra coisa.

 - No quê?

- Nos frutos.

- Já me lembro de ter aprendido isso na escola. Quer dizer que este ano vamos ter muitos pêssegos porque são muitas flores.