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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Trabalhar a dez minutos de casa

Sempre trabalhei longe de casa demorava no mínimo meia hora a chegar e isso num dia bom. Muitas vezes tinha que fazer o percurso de autoestrada só para chegar a horas.

Quando mudámos de casa tudo mudou. Num dia mau demoro dez minutos a chegar ao trabalho e isso realmente faz toda a diferença. Estou tão perto que, por vezes, venho a casa à hora de almoço para apanhar ou estender roupa. Também venho cá para dar almoço aos mais velhos quando ficam em casa.

Venho a casa naqueles dias em que estou cansada ou aborrecida e só quero algum tempo com os meus pensamentos. 

Também estou perto das escolas e num instante vou buscar algum indisposto ou cujas aulas já terminaram.

Adoro estar assim próxima de tudo e todos e estou bem ciente do luxo que é. Todos os dias agradeço não ter que fazer quilómetros e mais quilómetros. Não ter enfrentar filas imensas de carros e tempo interminável em semáforos. 

É tão bom não ter nada disso. Por aqui o máximo que temos são ovelhas e cavalos que nos distraem dos buracos nas estradas. 

Gente nem tudo pode ser perfeito 😁

 

Já não há respeito por uma mãe

- O QUE É ISTO! - gritei eu na cozinha

O marido e o Leonardo correram logo para ver se eu precisava de alguma coisa.

- O que foi mãe?

- Está aqui um bicho nas minhas plantas. Mas isto é uma lesma? 

Mostro uma mini lesma que não tinha mais que dois ou três centímetros que tinha retirei do vaso com a ajuda de um palito. 

- É uma lesma. Deita para o lixo. 

- Isso é que não. Leonardo vai buscar a chave da porta para eu a soltar no quintal. Como é que veio aqui parar?

- Devia vir no vaso. 

- Já tenho esta planta à tanto tempo. Não me parece. Não sei como é que aqui chegaste mas eu não te vou matar. Vais ficar em liberdade no quintal e podes seguir a tua vida. 

- Mãe? Tu estás mesmo a falar com a lesma? 

- Sim. 

- Tu sabes que a lesma não fala não sabes? Ou será que estás a ficar louca? 

Já não existe respeito por uma mãe que gosta de falar com animais 😂

 

 

 

Fiquei logo acordada

Acordei sonolenta, saí da cama e fui em versão morta viva até à casa de banho. Comecei a lavar a cara quando um movimento me captou o olhar. Olhei para o tecto e vi uma aranha enorme e gorda. Claro que despertei imediatamente. 

A primeira reacção foi mandar fotos ao marido a queixar-me da, quase, tarantula que estava no nosso quarto. Apresentei-me a vestir sem desviar o olhar da dita. O marido escrevia de volta para eu resolver o assunto mas eu não mato animais.

Tratei de me arranjar e saí do quarto. Fechei bem a porta para conter a ameaça e fui à minha vida. Quando cheguei a casa o marido ainda nem tinha ido ao quarto. Depois de muita insistência minha lá foi munido de uma folha de papel. Pegou na aranha e foi deitá-la à rua.

Não sei porque é que os bichos gostam tanto da nossa casa😜

Um sabor do passado

Descobri recentemente que o Aldi vende milho fresco. No domingo não resisti, sabendo que iríamos ter grelhados para o almoço corri a comprar uma embalagem. 

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Veio para a mesa tostadinho e cheiroso. Cortei as maçarocas e dei um pouco a cada um. Foi divertido vê-los roer em o milho tal como já fiz um milhão de vezes. 

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 Depois foi a minha vez. Provei o meu pedaço, senti aquele sabor e fui atingida por um turbilhão de emoções. Uma pequena dentada que me levou directamente para a minha infância. Soube bem recordar. Agora que sei onde vendem vamos comer mais vezes. 

Grilos

Desde que me lembro o meu pai sempre teve uma tara com grilos. Todos os anos apanhava um e trazia para casa. Durante uns tempos era o nosso animal de estimação. Tinha uma casinha própria e comia alface. Cantava durante a noite toda e eu gostava muito de os ouvir.

Este ano percebi que afinal são os grilos que encontram o meu pai. Foi à feira da luz e estava um num artigo que compraram. Depois encontrou outro na fruta num hipermercado. Ficou então com dois grilos que resolveu partilhar com os netos.

No fim de semana libertamos os animais no nosso quintal. Eles estão de certo mais felizes em liberdade e nós escutamos a cantoria deles na mesma. A cada dia que passa cantam mais alto. Ainda ontem adormeci com um sorriso nos lábios porque o cantar deles me trás muitas memórias. 

Nem tudo é mau

Muito me tenho queixado sobre esta estadia forçada em casa mas a verdade é que nem tudo tem sido mau. Já fez um ano que estamos nesta zona mas, entre miúdos, escolas, actividades, reuniões, trabalho, doenças e outras coisas, não conheço muita coisa. 

Estes dias em casa fizeram com que perceba quantos padeiros e a que horas passam aqui na rua. Adoro a forma como não se trancam os portões pelo que o padeiro entra na propriedade e deixa o pão pendurado na porta, ainda não percebi como fazem contas. Gosto da calma e da segurança da zona. Da forma como as pessoas deixam grelhadores e mesas nos relvados aqui da zona, assim como estendais de pé cheios de roupa. 

Conheci mais vizinhos neste dias no que num ano inteiro. Descobri que a maioria já são avós mas extremamente simpáticos, já perdi conta ás ofertas que recebi para tomarem conta dos meninos caso precise de alguma coisa. A grande maioria tem a casa cheia de netos de manhã e à tarde e gostam de ter amigos para os netos.

Aprendi também que a vida no campo não é só monotonia. Ainda um dia destes tivemos a rua invadida por cinco ovelhas que fugiram de uma quinta qualquer. Era vê-las correr extremamente alegres pela rua fora saboreando a liberdade. Era ver os carros atrapalhados perante a estrada ocupada com os animais. Era ver pessoas a tentar direccionar as ovelhas para uma zona onde não corressem perigo. Achei a situação muito caricata mas uma vizinha disse-me que já tinha visto pior. Um dia abriu a porta de casa e tinha uma cabra dentro da sua propriedade. Ainda hoje está para saber como é que a cabra lá tinha ido parar uma vez que os seus gradeamentos tem mais de um metro e sessenta.

A cada dia que passa gosto mais desta área e cada vez mais me sinto em casa. Durante uns tempos lutei com um sentimento que esta não era a minha casa.Tudo era estranho após catorze anos no mesmo apartamento. Aos poucos o sentimento foi mudando e agora já quase nem me lembro como era viver antes.