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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Estamos cada vez pior

Não, não estou a exagerar, isto por aqui vai de mal a pior. Neste últimos dias temos passado por situações que não lembram a ninguém.

Eu ando há mais de um mês para comprar champô sem sal que preciso usar por causa do alisamento. Fui à quinta pedagógica com os meninos e fazia intenções de comprar o champô no Spacio que é mesmo ao lado. Claro que me esqueci e não comprei o dito cujo. Nem nesse dia, nem na semana seguinte quando fui visitar a família. No inicio deste mês, saímos para comprar o colchão e outras coisas. Eu pedi explicitamente ao marido para me lembrar de comprar o champô. Ora como somos duas cabeças de alho chocho, claro que voltamos para casa sem o meu rico champô. Resumindo tenho lá uma quantidade mínima que nem sei se chega para lavar o cabelo hoje. Nem sei onde é que me vou desenrascar. Será que a farmácia vende?

Outra situação deu-se certo dia quando o marido estava a sair para o trabalho. Comecei a vê-lo apalpar os bolsos, remexer a mochila, apalpar novamente os bolsos, remexer a mochila. Eu logo vi que havia coisa e perguntei-lhe o que se passava. Pediu-me para ir ver se a chave da mota estava na mochila do Guilherme. Revolvi a mochila e nada de chave. Pediu-me então que visse na do Leonardo mas também não estava. Ele já tinha ido ver se estava na roupa para lavar, caída na despensa, nalgum casaco e nada da chave. Com a brincadeira já estávamos os dois a ficar atrasados pelo que fomos buscar a chave suplente. Lembrei-o que a chave poderia estar na carrinha e ele seguiu viagem. Mais tarde ligou-me para me descansar que tinha encontrado a chave. A onde? Tinha ficado na ignição, ao menos assim se a quisessem levar não tinham que estragar nada.

A semana passada perguntou-me se tinha almoço para ele levar. Eu respondi-lhe que os miúdos tinham comido tudo mas que podia levar grão com atum ou com lulas. À noite disse-me que tinha levado o grão mas que se esquecera de levar o resto. Teve que ir à pressa ao supermercado para não comer grão com grão.

Eu continuo a ir às compras todos os dias da semana sem nunca ter tudo comprado. Ainda hoje fui às compras e sabia que precisava de duas coisas imprescindíveis. Como não apontei apenas me lembrei do comer dos peixes. Andei pelos corredores do supermercado a tentar lembrar-me do que me fazia falta mas sem sucesso. Há pouco fez-se uma luz na minha cabeça e lembrei-me que não tinha farinha. Bem amanhã tenho que lá voltar outra vez.

A melhor de todas, ou a pior depende da perspectiva, aconteceu na passada quinta-feira na garagem. Aproveitei a ajuda do marido e descemos juntos. Coloquei o Salvador na cadeirinha, dei a volta para tratar do Santiago e disse ao marido para ir embora. Meti-me dentro do carro e fiz manobra para sair. Comecei a rodar o carro enquanto olhava para a direita a ver se não batia nos outros carros. Por norma, não preciso de olhar para a esquerda porque é um espaço vazio. Quando percebo que já passei os outros carro começo a endireitar o carro e olho para a frente. Vejo o marido aos saltos para o lado e a olhar para mim com cara de estupefacto. Para quem não percebeu eu explico melhor. Quase que atropelei o homem, valeu os seus grandes reflexos que lhe permitiram desviar-se mesmo a tempo. Em minha defesa alego que me esqueci dele. Quer dizer, nem foi bem esquecer, pensei que o homem já estivesse montado na mota e a sair. Ainda me estou a rir de mim própria a tentar atropelar o homem.

Depois no dia seguinte esmurro-lhe o carro e ele diz que eu estava outra vez a tentar atropela-lo. Resta-me pedir desculpa ao meu gajo e explicar-lhe que não é minha intenção atentar contra a vida dele. Até porque se o atropelar o seguro não me deve pagar a casa.

Enfim acho que já não há remédio para nós, ao menos não podemos apontar o dedo um ao outro. Sinto que ainda vamos rir muito com estas histórias todas.

Coisas que só nos acontecem a nós.

Costumo dizer que sou um pouco distraída mas a verdade é que sou muito distraída. Por vezes queixo-me que sou azarada mas a verdade é que já tive sorte em muitas situações na vida, sem esquecer no amor.

Resolvi então contar algumas das peripécias que já nos aconteceram e que ainda hoje nos fazem rir até chorar.

 

Tinha tirado a carta à pouco tempo e o meu pai deu-me o seu Fiat Uno para eu usar. Num belo e luminoso dia de Verão fui ao posto médico com a uma consulta com a mãe. Á saída dirigimos-nos ao carro, eu coloco a chave na porta e a fechadura nada de rodar. Comento com a minha mãe que não conseguia abrir a porta e dou a volta ao carro para tentar abrir a porta do passageiro. Tento na outra fechadura e nada.

A mãe pergunta onde é que eu tinha partido a antena. A chamada antena era um bocado de ferro roscado das obras, o pai fartou-se que lhe palmassem as antenas e arranjou aquela que nunca mais desapareceu. Eu olho para o ferro e reparo que está mais curto. Se calhar bati com ele nalgum sitio, respondo para a mãe e continuo fogo, fogo a tentar abrir a porta. De repente reparo que aquele carro não era o nosso. Eu estava a tentar arrombar um carro azul escuro com umas faixas amarelas a dizer Uno enquanto que o meu era todo preto.

Mãe, anda embora que este carro não é o nosso!  Que figura.