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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

A desesperar

A cabeça à roda com este regresso às aulas. O Leo só vai ter aulas de manhã e o Gui da parte da tarde. Eu vou andar a fazer de taxi. Deixo um de manhã, à hora de almoço vou deixar o outro e recolher o primeiro. Ao fim do dia volto de novo a buscar o mais velho. Provavelmente vão fazer as refeições em casa porque me parece que com as regras vai ser impossível almoçar em tempo útil.

Vão ter que manter distâncias a entrar, no recreio, no bar, papelaria e nos corredores (só deus sabe como uma vez que são estreitos que sei lá).

Vão perder as aulas que a câmara oferecia. Terão que usar máscara e levar gel desinfectante próprio.

Etc, etc, etc...

Tudo isto e ainda não sei nada de como vão ser as coisas na escola dos gémeos😬

Reutilizar no regresso às aulas

Neste últimos dias a minha vista tem sido inundada de fotos sobre o regresso às aulas. Pelas minhas contas vi cerca de 15000 mochilas LOL, 10000 do Homem aranha ou de um outro qualquer super herói. Perdi a conta a estojos e material novinho em folha. Assisti a reportagens em que os pais afirmavam ter gasto largas centenas de euros, por cada criança, para o regresso às aulas.

Assimilei isto tudo pensado no quanto a nossa família não é normal. Ora vejamos, o Guilherme foi o que nos custou mais dinheiro. Uma mochila, um dossier e os livros de atividades. Nisto tudo pouco passamos de uma centena de euros, dos quais mais de dois terços foram gastos nos livros. O estojo é o do costume e os materiais foram reutilizados.

O Leonardo ficou ainda mais barato. Herdou os manuais e livros de atividades do irmão. A mochila e os estojo foram lavados e reutilizados bem como todos os materiais que estavam em condições. O único material novo que teve direito foi a um dossier, um compasso e lápis com uma numeração diferente para Educação visual.

Tenho ideia que os meus filhos devem ser das poucas crianças que iniciam o ano com meia borracha ou com um lápis insertado. Recuso-me a engordar os estojos com material novo quando o que tinham ainda está em condições. Recuso-me por um ideal ecológico, económico e socialista. 

Não quero com esta publicação condenar quem gosta de encher as crianças de material novo mas sim alertar que podemos ser diferentes.

O voltar às aulas é agridoce

Por aqui o ano escolar tem inicio hoje. Os rapazes já saíram e não pude deixar de notar as diferenças entre eles.

O Leonardo estava animado e até ansioso pela hora de sair. Foi o primeiro a acordar e a ficar pronto. Tagarelava animado sobre rever os amigos, as funcionárias e a professora. Noto que está sedento de aprender, no fundo é uma criança que precisa de estimulo diário e demonstrava já um certo cansaço desta monotonia de férias.

O Guilherme, por sua vez, também acordou satisfeito e ficou pronto num instante. Apesar desta proatividade notei nele um certo "vamos lá que tem que ser". No fundo encara sempre a escola como uma obrigação e não um sitio que lhe abre a porta a todo um mundo. 

São posturas diferentes que, cada vez mais, me fazem mais acreditar que o ensino deveria ser mais dinâmico. A verdade é que todos os alunos são seres com personalidades e capacidades diferentes e todos sabemos que não existem duas pessoas iguais. Eu tenho o maior exemplo disso nos gémeos. Iguais, o mesmo ADN, educados da mesma forma, sujeitos ao mesmo ambiente e cultura e não poderiam ser mais diferentes.  Ora se todas as crianças são diferentes como podem esperar que todas aprendam da mesma forma? Como pode um professor chegar de igual forma a vinte e muitos alunos que estão dentro da mesma sala? Não sei a resposta a estas perguntas e duvido que alguém as saiba mas gostava de ver algumas coisas mudarem. Gostava para que as crianças que não conseguem ter boas notas não se sintam inferiores aos colegas. Gostava porque já é tempo de aprender que diferente não significa mau, apenas significa outras capacidades.

Como mãe só me resta olhar para o novo ano lectivo com ansiedade, sem saber bem o que nos vai trazer mas sabendo que o que quer que seja não nos vai derrubar sem luta. Vamos levar um dia de cada vez e tentar apoiar os rapazes o melhor possível. Por agora resta-me esperar que regressem a casa e me contem tudo sobre o primeiro dia.