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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Um amor tão puro

Com o passar do tempo os rapazes vão crescendo e eu vou assistindo às mudanças. O amor que os une a todos é muito bonito de se ver mas é o amor entre os gémeos que mais me emociona. A forma como estão sempre juntos é não passam um sem o outro. Se um desce e se senta connosco nk sofá, nem cinco minutos depois o outro já anda à procura dele. Se um vai para a casa de banho o outro vai também, enquanto um está na sanita o outro senta-se no chão a tagarelar.

Adoro também a preocupação constante com o outro. Se um chora o outro é o primeiro a acudir. Se um nos vêm pedir comer e recebe um doce ou uma peça de fruta logo grita para o irmão vir também comer, ou pede mais um para entregar ao mano. Hoje de manhã acordaram e correram para a casa de banho ouvi então a seguinte conversa.

- Podes ir primeiro.

- Não eu aguento. Podes fazer tu.

- Eu também aguento. Não queres ir tu primeiro?

Adoro a forma como se importam com o irmão e não se preocupam só com o próprio umbigo. 

Adoro que brinquem sempre juntos e sejam capazes de se adaptar e sujeitar à brincadeira do outro. A forma como conseguem um equilíbrio no dia a dia, ora brincam à brincadeira de um, ora brincam à do outro.

Neste momento é uma relação bonita de se ver e a nossa família é uma privilegiada por poder assistir de perto a um amor como este. 

Onde está o botão para desligar?

Ontem os gémeos estavam eléctricos. Não pararqm dois minutos durante todo o dia.  Nem a sesta conseguimos que dormissem. No fim do dia estavam cheios de sono logo as birras começaram a aparecer. 

O Santiago desceu a choramingar com fome apesar de ter jantado à meia hora atrás. O marido pediu para ele se sentar cinco minutos ao pé dele no sofá e este adormeceu imediatamente. O Salvador apareceu logo em busca do irmão. Eu ofereci-lhe colo para ver se adormecia como o irmão mas não tive muito sucesso. - Salvador onde está o teu botão para desligar?

- O quê?

- Não tens um botão para desligar?

- Eu não sou um robot sou um menino. Os meninos com pele não têm botões para desligar só os robot.

- A serio? Eu queria mesmo que tivesses um botão.

- Não, não tenho😏. 

 

Sobre Leslie

Estávamos a jantar no sábado quando percebemos que a mobília do quintal se estava a deslocar com o vento. Percebemos então que a tempestade não estava para brincadeiras e fomos guardar tudo o que tínhamos pelo quintal.

Quando voltei a entrar em casa os mais velhos queriam saber o que se passava. 

- Mãe o vento está tão forte.

- Pois está Guilherme. É por causa da tempestade.

- Eu ouvi nas notícias. Chama-se Leslie.

- Pois é Leonardo.

- Vai passar por aqui?

- Vai filho só não sabemos com que intensidade.

- Guilherme vai ser a nossa primeira sobrevivência a sério. 

Felizmente o pior que vimos foi algum vento forte e os rapazes não tiveram uma sobrevivência a sério. 

Grilos

Desde que me lembro o meu pai sempre teve uma tara com grilos. Todos os anos apanhava um e trazia para casa. Durante uns tempos era o nosso animal de estimação. Tinha uma casinha própria e comia alface. Cantava durante a noite toda e eu gostava muito de os ouvir.

Este ano percebi que afinal são os grilos que encontram o meu pai. Foi à feira da luz e estava um num artigo que compraram. Depois encontrou outro na fruta num hipermercado. Ficou então com dois grilos que resolveu partilhar com os netos.

No fim de semana libertamos os animais no nosso quintal. Eles estão de certo mais felizes em liberdade e nós escutamos a cantoria deles na mesma. A cada dia que passa cantam mais alto. Ainda ontem adormeci com um sorriso nos lábios porque o cantar deles me trás muitas memórias. 

-Mãe viste o meu livro?

Às sete e quinze em ponto vejo o Leonardo descer as escadas de mochila às costas e com o seu livro na mão. Deixou a mochila ao pé da porta da rua e foi para o sofá com o livro. Passado um pouco veio tomar o pequeno almoço, de seguida lavou os dentes e estava pronto a sair.

- Mãe viste o meu livro?

- Estava no sofá.

- Mas agora não está.

- Não ficou na casa de banho quando foste lavar os dentes.

- Já vi e não está.

- Então não sei. Procura.

- Manos podem ajudar-me?

Procuraram e nada. Acabou por seguir para a escola chateado sem o seu livro. Horas depois lá dei com ele bem à vista mas curiosamente nenhum dos quatro o viu. 

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Ainda não caí em mim

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Ontem tive a confirmação para uma dúvida que me acompanhou durante os últimos dois meses. Os gémeos têm falta de vista e terão que usar óculos para a vida toda ou pelo menos até terem idade de se poder ponderar a cirurgia a laser.

Sei bem que não é o fim do mundo mas a notícia não me caiu muito bem. Este último ano tem sido recheado de problemas e o meu optimismo está a ser afectado. Neste momento não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Vou-me limitar a fazer contas à vida com mais dois pares de óculos a juntarem-se todos os anos aos do Leonardo.