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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Conseguimos!

Os últimos dias foram terríveis. Entre papéis de matrículas para preencher e documentos para reunir. Juntem a isso bolhas nos dedos de tanto apagar livros e várias idas à escola para entregar os manuais. Dias com meio dia de aulas por causa das provas de aferição. Festas de final de Ano.

O fim do ano escolar significa sempre um sprint final para chegar à meta mas conseguimos. Para o ano iniciamos uma nova etapa sem uma criança no ensino primário. Ainda não acredito que vamos ter um rapaz no sétimo e outro no quinto ano. Eles estão felizes por voltarem a estar na mesma escola. Eu estou contente mas continuo a pedir ao tempo para passar mais devagar.

 

Meus filhos

Por vezes fico triste porque não temos dinheiro para vos dar mais. Gostava de poder conhecer o mundo convosco. Viver aventuras sem fim. Adorava ter todo o tempo do mundo para vocês, em vez de o dispender em tarefas como limpar a casa, ou tratar da roupa. O que eu mais queria era poder ver sempre o vosso sorriso e não perder pitada do vosso crescimento. Infelizmente nem tudo é possível. Como adultos temos que prioridades. Garantir que tem sempre roupa e calçado que vos sirva. E que temos comer suficiente. Que tem uma cama vossa onde possam descansar em paz e segurança.

Bem sei que para vocês isso são coisas garantidas mas nós lutamos muito para que assim seja. 

Podemos não ter tudo mas temos tudo o que importa. Temos amor, carinho. Temos respeito e companheirismo. Principalmente temos-nos uns aos outros. Poder assistir ao vosso crescimento tem sido o melhor privilégio da minha vida. Que continuem assim, sempre amigos e com um sorriso permanente no rosto.

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Ainda não vislumbro a meta

Ontem foi dia de voltar à neurocirurgia após o ciclo de fisioterapia. Eu ia cheia de esperanças. Esperava que o médico visse que a fisioterapia não teve resultado nenhum e me mandasse fazer mais exames.

As opiniões do médico, da fisiatra e da terapeuta são todas diferentes e eu vou ouvindo opiniões quando na verdade só quero soluções. Ontem estava esperançosa de começar uma nova etapa. Fazer mais exames e encontrar a fonte do problema.

Parece parvoíce mas sentia que estava mais perto da meta. 

Fui então à consulta confiante e voltei arrasada. Tudo porque o médico teve uma urgência familiar e não veio dar consultas. A consulta foi adiada mas ainda nem sei para quando. As próximas duas quintas são feriado, ou o médico consegue mudar a agenda e dar consultas noutro dia ou então tenho muito que esperar.

Estou farta de estar em casa. Estou farta de ter dores.

Melhores dias virão é o que mais repito a mim própria. É verdade, melhores dias virão. 

As crianças é que mandam

- Mãe amanhã é dia da criança, não é?

- Pois é filho.

- Amanhã somos nós que mandamos.

- Aí sim?

- Sim a professora disse que no dia da criança quem manda somos nós. Vamos comer pizza ao almoço e hamburguer ao jantar. Quero ir à praia, ao cinema e ao parque. Quero comer muitos, mas muitos doces. Também quero uma festa do pijama com os meus amigos todos. Vamos comer pipocas e saltar em cima da cama. Percebeste tudo?

🤪

Só pode ser do creme

Na sexta-feira passei na escola eb 2 3 para tratar do transporte escolar para o Leonardo.  A senhora retirou-me o papel das mãos, olhou para mim e disse-me:

- Para tratar do teu transporte tens que preencher as informações todas. Tens que colocar aqui o número do cartão de passe que tens e assinalar a renovação. Tens aí o passe para tratarmos já disso.

- O passe não é para mim... É para o meu filho. Eu não preenchi o número porque é a primeira vez.

- Aí não é para si. Então está tudo perfeito.

Não sei qual de nós ficou mais constrangida com a situação.

A caminho da fisioterapia comecei a ligar os pontos. Ultimamente toda a gente me diz que eu pareço mais nova e a única explicação que encontro é a gama de cremes de rosto que estou a usar.

Querem que vos fale sobre eles? 

Medo do escuro

- Mãe tenho medo do escuro.

- Não precisas ter medo.

- Claro que sim. Podem vir os monstros.

- Meu amor os monstros não existem.

- Existem sim.

- Então eu vou buscar o meu amigo amarelinho.

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- É tão fofo.

- É um boneco mágico. Se dormires com ele não vais ter medo. Ele protege-te.

- Mas não é só um boneco?

- Não ele é uma espécie de super-herói capaz de derrotar os monstros.

- Obrigado mãe.

Já é o terceiro filho que conhece o amarelinho e nunca falha. Dormem uns dias com o boneco e esquecem tudo. 

Meu filho

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Ontem foi o teu dia. Doze anos. Doze anos! Doze anos?  Como é possível? Ainda ontem te trazia na minha barriga onde me mágoa as as costelas cada vez que te esticavas. Ainda ontem te tive no colo pela primeira vez e pude finalmente ver o teu rosto. Se fechar os olhos ainda consigo sentir o teu cheiro a bebé e recordar o teu corpo roliço. Eram bons tempos. Quando te tinha sempre nos meus braços e te podia proteger de tudo.

Éramos felizes e não sabíamos.

Queríamos que andasses e falasses. Que comesses sozinho. Que não quizesses tanto colo.

O tempo passou e tu realizasse tudo. Eu estou orgulhosa do teu caminho. Estás a caminhar para a vida adulta com dignidade e respeito. Estás a crescer melhor do que alguma vez julguei possível. É um prazer assistir a esta tua jornada. Estar ao teu lado quando precisas e dar-te espaço quando queres.

Que continues sempre a ser este jovem feliz e com um coração do tamanho do mundo.

Registar, viver e recordar

Passo a vida a tirar fotos as rapazes na esperança de imortalizar as expressões deles. Espero, um dia mais tarde, conseguir relembrar o que vivemos através dos retratos. Quem sabe, dentro de alguns anos, mostrar estes momentos aos netos enquanto faço um relato exacto de todas as traquinices.

É certo que uma foto é só uma foto. Não capta a essência da pessoa, o sentimento que vemos no seu olhar. Uma foto apenas capta a superfície mas é um excelente auxiliar de memória. Ainda no outro dia o Google fotos me relembrou que estávamos na Disneyland faz agora três anos. Assim que vi duas ou três fotos comecei a recordar tudo o que vivemos.

Estas novas tecnologias são óptimas para nós ajudarem nestas coisas. No entanto não nos podemos esquecer de viver. Não podemos ficar agarrados às lembranças. Não podemos ficar tão embrenhado em registar o presente que nos esquecemos de o viver. É importante encontrar um meio termo que nos permita registar, viver e recordar.