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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

O meu irmão

Em Setembro o Leonardo começou a frequentar o quinto ano. Voltou a estar na mesma escola do irmão mais velho e nós notámos uma grande diferença nos dois. 

A primeira melhoria foi o facto do Guilherme ter deixado de dizer que não gosta da escola e que não queria ir. Agora acorda animado, até empolgado. Conseguem estar prontos a horas e saímos de casa sem correrias, nem chatices. Está mais empenhado nas disciplinas e no estudo. 

O Leonardo anda radiante, não só está com todos os colegas como se encontra com o irmão algumas vezes. 

Esta semana o Guilherme faltou um dia pois tinha consulta. O Leonardo já não queria ir porque ia ficar sozinho. Eu argumentei que eles mal se cruzam durante o dia. Os intervalos são pequenos, nem sempre almoçam à mesma hora, quase nunca saem ao mesmo tempo. Argumentei tudo isto e a resposta foi.

- Mas eu sei que ele está lá!

E a verdade é mesmo essa. Um irmão trás uma sensação de aconchego que não é possivel colocar em palavras. Podem discutir, guerrear, brigar mas estarão sempre lá uns para os outros. 

Pijama ou pesadelo

Hoje é dia do pijama pelo que a maioria das crianças são desafiadas a passarem o dia de pijama. É um dia que elas costumam adorar. Passam o dia com a vestimenta mais confortável e aconchegante. Quem é que não adora vestir o seu pijama, seja graúdo ou criança?

Escolhi dois pijamas fantásticos para os rapazes levarem para a escola. O Salvador vestiu o seu sem problemas e encheu o peito de orgulho porque ia ser o polícia da sala.

O Santiago olhou para o dele e disse que não. Afirmou que o pijama do homem aranha não servia para a ocasião. Tentei compreender e deixei a escolha a cargo dele. Vinte minutos depois tinha experimentado todos e não queria nenhum. Um tinha um urso e não podia ser. O outro era azul, claro que não. Um estava excluído por ter naves espaciais.

Respirei fundo e sugeri que fossemos ver se o Leonardo tinha algum que ele gostasse. O único que não lhe ficava gigante tinha caveiras. Primeiro disse que sim mas depois de vestido já não quis. 

Claro que a minha paciência esgotou. Vestiu o que eu quis. Chorou grande parte do caminho. 

Chegamos à escola, os colegas estavam vestidos com pijamas do batman, super homem e afins.

- Afinal podia ter vestido o homem aranha.

😒Nesse momento percebi que não tive uma gaja mas tenho um gajo com feitio de gaja. Deus me de paciência... 

Como começou o nosso dia #2

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Uma camisola gira e dois rapazes.

Pensei que ambos iriam querer a camisola e que iria ter chatices. Claro que acabei por ter chatices, mas não pelo motivo que idealizei. 

Acreditam que tive guerra porque nenhum quis vestir a camisola. Vou deixar o motivo tal como o ouvi.

- Essa camisola é para bebés de três anos. Já sou crescido e não quero camisolas com ursos totós!

Anda uma mãe a criar filhos para isto.

 

 

Não se ensina a amar

Quando percebi que iria ter quatro rapazes em casa o meu maior receio era que se dessem mal. Sei que a convivência entre irmãos nem sempre é fácil. Eu com quatro acreditei que não seria pera doce. Sei que podemos educar as crianças em muita coisa mas a capacidade de amar e criar empatia tem que nascer connosco. 

O tempo passou e tudo correu muito melhor do que eu pensava, neste campo. Não vou dizer que é tudo óptimo porque tal não é verdade. Os meus filhos discutem e bulham, apenas não com muita frequência.

Em geral são muito unidos e tive uma grande prova disso esta semana. O Leonardo tinha uma consulta logo de manhã à uma hora em era de todo impossível eu conseguir ir. Ou faltava tudo à escola para irmos com o Leonardo ao médico, impossível porque o Guilherme até tinha um teste, ou faltava à consulta. A alternativa foi deixar o rapaz a dormir em casa dos avós que depois o acompanharam ao hospital. Nessa noite a casa esteve mais triste. Os gémeos passaram o tempo todo a perguntar quando é que o irmão chegava. Foram dormir contrariados a chamar pelo elemento em falta. De manhã não queriam ir para a creche só diziam que tínhamos que ir buscar o Nardo ao médico.

O Guilherme passou os intervalos da escola a ligar para a avó para saber se estava tudo bem com o irmão, se já tinha ido à consulta, se o médico tinha dito que estava tudo bem. 

No fim do dia foi uma alegria quando se viram todos reunidos de volta. Eu assisti a tudo isto com uma lágrima no canto do olho. São momentos incapazes de se traduzir em palavras e só posso agradecer por fazer parte deles. 

Sempre a abrir

São oito da manhã e estou pronta para sair de casa. Logo de madrugada coloquei a máquina da roupa e da loiça a lavar. Já ambas acabaram. Estendi a roupa, arrumei a loiça. Preparei mais uma máquina de roupa. Dei o pequeno almoço aos rapazes, coloquei a loiça na máquina.

São horas de sair e distribuir os rapazes pelas escolas. À hora de almoço vou ter que ir buscar um, dar-lhe almoço, apanhar a roupa que deixei estendida e pendurar a que ficou a lavar. Depois do trabalho vou à natação com os rapazes e só voltamos a casa depois das oito da noite.

O marido vai jogar à bola, vou ter que dar o jantar e arrumar a cozinha sozinha. Depois é rezar para não adormecer assim que me sentar😂

Voltar à aldeia

Este ano tivemos umas férias diferentes. Em vez de fazermos praia rumamos ao norte para a terra onde o meu pai nasceu e eu passei tantos verões. 

Soube maravilhosamente matar saudades daquele local de onde tenho tantas boas memórias. Foi maravilhoso aproveitar uns dias de paz e silêncio. É um local onde apenas os barulhos dos animais e da água se fazem ouvir. 

Foi óptimo ver os rapazes em liberdade, a comer amoras directamente das silvas. 

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Apanhar maçãs bravas e uvas doces como o mel onde quiséssemos. 

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Beber água fresca a qualquer hora. Basta ir à fonte e encher um recipiente. 

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Longos banhos de rio. 

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Acabou depressa e esse foi o principal defeito destas férias. 

Conseguimos!

Os últimos dias foram terríveis. Entre papéis de matrículas para preencher e documentos para reunir. Juntem a isso bolhas nos dedos de tanto apagar livros e várias idas à escola para entregar os manuais. Dias com meio dia de aulas por causa das provas de aferição. Festas de final de Ano.

O fim do ano escolar significa sempre um sprint final para chegar à meta mas conseguimos. Para o ano iniciamos uma nova etapa sem uma criança no ensino primário. Ainda não acredito que vamos ter um rapaz no sétimo e outro no quinto ano. Eles estão felizes por voltarem a estar na mesma escola. Eu estou contente mas continuo a pedir ao tempo para passar mais devagar.

 

Meus filhos

Por vezes fico triste porque não temos dinheiro para vos dar mais. Gostava de poder conhecer o mundo convosco. Viver aventuras sem fim. Adorava ter todo o tempo do mundo para vocês, em vez de o dispender em tarefas como limpar a casa, ou tratar da roupa. O que eu mais queria era poder ver sempre o vosso sorriso e não perder pitada do vosso crescimento. Infelizmente nem tudo é possível. Como adultos temos que prioridades. Garantir que tem sempre roupa e calçado que vos sirva. E que temos comer suficiente. Que tem uma cama vossa onde possam descansar em paz e segurança.

Bem sei que para vocês isso são coisas garantidas mas nós lutamos muito para que assim seja. 

Podemos não ter tudo mas temos tudo o que importa. Temos amor, carinho. Temos respeito e companheirismo. Principalmente temos-nos uns aos outros. Poder assistir ao vosso crescimento tem sido o melhor privilégio da minha vida. Que continuem assim, sempre amigos e com um sorriso permanente no rosto.

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