Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Tão opostos

No final do período:

- Guilherme como é possível teres um dois a cidadania?

- Mãe era preciso um portfólio e eu não levei.

- Não existe na papelaria da escola?

- Sim mas eu esqueci-me.

- Durante três meses?

-... 

A semana passada:

- Mãe depois preciso de dinheiro porque gastei o que tinha a comprar um portfólio.

- Para que precisas de um portfólio Leonardo?

- Eu não sei bem se preciso. Sabes que está semana acabo TIC e para a próxima começo cidadania. Comprei para o caso de ser necessário.

- Devias ter esperado pela primeira aula para a professora dizer o que quer.

- Se não servir guardo porque vou precisar no futuro.

E é isto, um anda três meses para comprar algo que precisa. O outro vai comprar ainda sem saber se necessita ou não. 

Quase...

Desliguei o despertador que soava na mesa de cabeceira. PORRA! Já são horas de acordar? Estas noites estão a passar demasiado rápido. Parece que ainda agora me deitei e já são horas de levantar. PORRA!

Nem consigo abrir os olhos. Dói-me o corpo todo. Vou ficar aqui na ronha mais dez minutos até o despertador do marido tocar.

Deixo-me estar ali no quente da cama, sinto o sono a rondar, os olhos pesados. Estou quase a adormecer quando me recordo. PORRA! ainda só são três da manhã e tenho que dar o antibiótico ao Salvador.

Quase que o rapaz ficava sem remédio 😂

De volta às rotinas

O dia amanheceu frio. Foi difícil convencer os rapazes a sair da cama.

-Só mais um bocadinho! - pediam todos

Infelizmente não pode ser. Tivemos mesmo que acordar e despachar. Ao sair de casa gelei assim que abri a porta. O carro tinha um bloco de gelo no vidro, exclamei maldições. Na verdade não queria sair de casa. Nem deixar os mais velhos na escola. Tão pouco queria levar os gémeos à creche e a última coisa que me apetecia era vir trabalhar.

Agora vou passar o dia a matutar se levaram roupa suficiente, se estão com frio ou confortáveis. Vou questionar se o Guilherme não anda a correr, porque só na quarta é que tira os pontos.

Voltar às rotinas não é fácil... 

Exausta

O cansaço tomou conta de mim. Não foi uma coisa rápida. Foi crescendo e acomulando ao longo do tempo. 

Imaginem que estão a brincar na água fria do mar ou do rio. No início está tudo óptimo. Um pouco depois começam a sentir o corpo a arrefecer mas a brincadeira está a ser tão divertida que adiamos a saída. Algum tempo depois começamos a sentir frio mas como somos teimosos continuamos a brincar. Ficamos a aproveitar até que damos por nós a bater o dente, aceitamos então que precisamos sair e aquecer. 

O aparecimento do cansaço, da exaustão foi muito similar. Apareceu e foi crescendo um pouco a cada dia que passa. Não é falta de horas de sono porque durmo muito bem. É apenas resultado da correria constante entre um emprego a tempo inteiro e manter uma casa de seis. É a correria de que saí à que horas e quem o vai buscar. São os dias de piscina, de futebol, de explicações, de desporto escolar. As consultas e consultas...

Estou esquecida e baralhada. O marido reclama porque não puxo o travão de mão do carro. Troco microondas com armários. Todos os dias digo que vou tentar ser melhor mãe, melhor esposa mas quando chega a noite estou saturada e nem tenho paciência para mim. 

Sei que é apenas uma fase. As férias estão mesmo à porta. No entanto temos tanta coisa para fazer nesses dias que nem sei se vou conseguir descansar. 

O meu irmão

Em Setembro o Leonardo começou a frequentar o quinto ano. Voltou a estar na mesma escola do irmão mais velho e nós notámos uma grande diferença nos dois. 

A primeira melhoria foi o facto do Guilherme ter deixado de dizer que não gosta da escola e que não queria ir. Agora acorda animado, até empolgado. Conseguem estar prontos a horas e saímos de casa sem correrias, nem chatices. Está mais empenhado nas disciplinas e no estudo. 

O Leonardo anda radiante, não só está com todos os colegas como se encontra com o irmão algumas vezes. 

Esta semana o Guilherme faltou um dia pois tinha consulta. O Leonardo já não queria ir porque ia ficar sozinho. Eu argumentei que eles mal se cruzam durante o dia. Os intervalos são pequenos, nem sempre almoçam à mesma hora, quase nunca saem ao mesmo tempo. Argumentei tudo isto e a resposta foi.

- Mas eu sei que ele está lá!

E a verdade é mesmo essa. Um irmão trás uma sensação de aconchego que não é possivel colocar em palavras. Podem discutir, guerrear, brigar mas estarão sempre lá uns para os outros. 

Pijama ou pesadelo

Hoje é dia do pijama pelo que a maioria das crianças são desafiadas a passarem o dia de pijama. É um dia que elas costumam adorar. Passam o dia com a vestimenta mais confortável e aconchegante. Quem é que não adora vestir o seu pijama, seja graúdo ou criança?

Escolhi dois pijamas fantásticos para os rapazes levarem para a escola. O Salvador vestiu o seu sem problemas e encheu o peito de orgulho porque ia ser o polícia da sala.

O Santiago olhou para o dele e disse que não. Afirmou que o pijama do homem aranha não servia para a ocasião. Tentei compreender e deixei a escolha a cargo dele. Vinte minutos depois tinha experimentado todos e não queria nenhum. Um tinha um urso e não podia ser. O outro era azul, claro que não. Um estava excluído por ter naves espaciais.

Respirei fundo e sugeri que fossemos ver se o Leonardo tinha algum que ele gostasse. O único que não lhe ficava gigante tinha caveiras. Primeiro disse que sim mas depois de vestido já não quis. 

Claro que a minha paciência esgotou. Vestiu o que eu quis. Chorou grande parte do caminho. 

Chegamos à escola, os colegas estavam vestidos com pijamas do batman, super homem e afins.

- Afinal podia ter vestido o homem aranha.

😒Nesse momento percebi que não tive uma gaja mas tenho um gajo com feitio de gaja. Deus me de paciência... 

Como começou o nosso dia #2

IMG_20191108_074942.jpg

Uma camisola gira e dois rapazes.

Pensei que ambos iriam querer a camisola e que iria ter chatices. Claro que acabei por ter chatices, mas não pelo motivo que idealizei. 

Acreditam que tive guerra porque nenhum quis vestir a camisola. Vou deixar o motivo tal como o ouvi.

- Essa camisola é para bebés de três anos. Já sou crescido e não quero camisolas com ursos totós!

Anda uma mãe a criar filhos para isto.

 

 

Não se ensina a amar

Quando percebi que iria ter quatro rapazes em casa o meu maior receio era que se dessem mal. Sei que a convivência entre irmãos nem sempre é fácil. Eu com quatro acreditei que não seria pera doce. Sei que podemos educar as crianças em muita coisa mas a capacidade de amar e criar empatia tem que nascer connosco. 

O tempo passou e tudo correu muito melhor do que eu pensava, neste campo. Não vou dizer que é tudo óptimo porque tal não é verdade. Os meus filhos discutem e bulham, apenas não com muita frequência.

Em geral são muito unidos e tive uma grande prova disso esta semana. O Leonardo tinha uma consulta logo de manhã à uma hora em era de todo impossível eu conseguir ir. Ou faltava tudo à escola para irmos com o Leonardo ao médico, impossível porque o Guilherme até tinha um teste, ou faltava à consulta. A alternativa foi deixar o rapaz a dormir em casa dos avós que depois o acompanharam ao hospital. Nessa noite a casa esteve mais triste. Os gémeos passaram o tempo todo a perguntar quando é que o irmão chegava. Foram dormir contrariados a chamar pelo elemento em falta. De manhã não queriam ir para a creche só diziam que tínhamos que ir buscar o Nardo ao médico.

O Guilherme passou os intervalos da escola a ligar para a avó para saber se estava tudo bem com o irmão, se já tinha ido à consulta, se o médico tinha dito que estava tudo bem. 

No fim do dia foi uma alegria quando se viram todos reunidos de volta. Eu assisti a tudo isto com uma lágrima no canto do olho. São momentos incapazes de se traduzir em palavras e só posso agradecer por fazer parte deles.