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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Tanto amor

Ontem deixamos o Guilherme em casa da avó. Hoje o pai vai com ele a uma consulta. Como o marido entra no trabalho às seis da manhã resolvemos deixar o rapaz na avó. Assim não tem de acordar de madrugada e está perto para o pai o ir buscar.

Deixamos o Guilherme e viemos embora. No caminho notámos que o Leonardo vinha muito calado. Olhei para o banco de trás e reparei que estava a chorar.  Perguntei o que se passava e ele desatou num pranto. Nem conseguia falar de tanto chorar. O marido é eu tentavamos perceber o que se passava. Perguntei se estava doente. Se tinha alguma dor. Se estava com problemas na escola. Se tinha perdido algo. Se tinha partido algo. Ele limitava-se a acenar que não com a cabeça e continuava a chorar.

Foi então que o marido perguntou:

- É por causa do Guilherme?

Ele indicou que sim com a cabeça. 

- Também querias ficar em casa da avó?

Ele abanou a cabeça. 

- Então não estou a perceber?

-... Saudades...

- Estás assim porque vais ter saudades do teu irmão?

- Sim...

Lá lhe explicamos que era só um dia e que num instante estariam de novo juntos. 

Eu cá não sei se deva ficar orgulhosa de tanto amor ou preocupada por esta dependência do irmão mais velho. 

 

Está aberta a época das reuniões escolares

A do Leonardo calhou no dia da natação, tivemos que andar a correr para fazer tudo. A do Guilherme vai calhar num dia em que tenho uma reunião, já estou a pedir para me despachar e não chegar atrasada à escola. A dos gémeos ainda está por marcar mas com a sorte que temos nestes assuntos vai calhar no dia mais ocupado.

Quando me perguntam se vou separar os gémeos quando forem para o primeiro ano respondo que nem pensar. Só se estiver louca é que acrescento mais uma reunião de pais à equação. 

Como é que já estamos nesta fase?

O Leonardo decidiu reivindicar o quarto das visitas para si, pelo menos durante a semana. Queixar-se que quer dormir e os outros três ficam a conversar até às tantas. Queixar-se que não dorme o suficiente e depois anda com uma má disposição que não se atura. Assim passou a dormir no quarto das visitas. Aos poucos foi levando coisas para lá, a mochila, alguns peluches, os Legos, os livros... 

Ao fim de semana regressa para o quarto com os irmãos não por qualquer influência nossa mas sim porque quer. Domingo à noite já se vai deitar no outro quarto porque tem que estar em forma para a escola. Eu fico feliz por ver o quanto é responsável e aplicado. No entanto, por outro lado fico triste porque o vejo a crescer talvez demasiado depressa. Já antevejo o dia em que não vai querer regressar ao quarto de dormir. Já antevejo a adolescência. Embora os dois mais velhos tenham quase três anos de diferença estou a ver que devido às diferentes maturidades vão entrar na idade do armário ao mesmo tempo.

Não estou preparada para isto😬

Dia do não filho único

O Leonardo fez anos ontem e tínhamos combinado passar o dia juntos. O plano era simples, eu e ele a fazer algo que ele quisesse. O Guilherme andou aborrecido, dias e dias, a dizer que no aniversário dele não saiu sozinho comigo embora eu suspeite que o problema dele era o faltar à escola. Eu insisti que ia só com o Leonardo e que ele iria à escola. No domingo o Guilherme resolveu amanhecer doente. Passou o dia a vomitar e ontem acabou por não ir à escola. Fiquei a pensar se o facto de querer tanto ir o fez ficar doente mas não era uma daquelas doenças fingidas.

Então o dia do filho único passou a ser o dia do não filho único e tivemos que levar o emplastro. Passeamos, compramos umas prendas de natal que faltavam, almoçamos e fomos para a zona de Belém. A ideia inicial foi sempre visitar um museu mas à segunda-feira está quase tudo fechado. O único que descobri aberto foi o MAAT e foi o que fomos visitar. Gostei do museu se bem que é um pouco complexo para os rapazes que só diziam que não percebiam nada. Na central visitamos o museu da electricidade é foi aí que nos divertimos mais. Gostamos de ver as caldeiras enormes, a forma como transportavam o carvão e as cinzas. Vimos vídeos didáctico e passamos uma eternidade na sala dos cientistas.

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Os rapazes adoraram e não queriam vir embora nem por nada. Foi um dia muito bem passado. 

Os irmãos estão sempre presentes

Hoje o Salvador acordou cedo, está com uma erupção nos joelhos e acordou cheio de comichão. Veio para ao pé de mim e eu fiquei ali deitada a saborear aquela proximidade. Encostei o meu nariz a ele e inalei o seu cheiro. Encostei a minha face à dele e senti a sua pele macia. Aproximei os meus lábios do ouvido dele e segredei:

- Gosto tanto de ti. És o menino do meu coração.

- É também gostas do Santiago, do Leonardo e do Guilherme. Estamos todos no teu coração!

Mesmo nestes momentos os irmãos estão sempre presentes. 

Um amor tão puro

Com o passar do tempo os rapazes vão crescendo e eu vou assistindo às mudanças. O amor que os une a todos é muito bonito de se ver mas é o amor entre os gémeos que mais me emociona. A forma como estão sempre juntos é não passam um sem o outro. Se um desce e se senta connosco nk sofá, nem cinco minutos depois o outro já anda à procura dele. Se um vai para a casa de banho o outro vai também, enquanto um está na sanita o outro senta-se no chão a tagarelar.

Adoro também a preocupação constante com o outro. Se um chora o outro é o primeiro a acudir. Se um nos vêm pedir comer e recebe um doce ou uma peça de fruta logo grita para o irmão vir também comer, ou pede mais um para entregar ao mano. Hoje de manhã acordaram e correram para a casa de banho ouvi então a seguinte conversa.

- Podes ir primeiro.

- Não eu aguento. Podes fazer tu.

- Eu também aguento. Não queres ir tu primeiro?

Adoro a forma como se importam com o irmão e não se preocupam só com o próprio umbigo. 

Adoro que brinquem sempre juntos e sejam capazes de se adaptar e sujeitar à brincadeira do outro. A forma como conseguem um equilíbrio no dia a dia, ora brincam à brincadeira de um, ora brincam à do outro.

Neste momento é uma relação bonita de se ver e a nossa família é uma privilegiada por poder assistir de perto a um amor como este. 

Onde está o botão para desligar?

Ontem os gémeos estavam eléctricos. Não pararqm dois minutos durante todo o dia.  Nem a sesta conseguimos que dormissem. No fim do dia estavam cheios de sono logo as birras começaram a aparecer. 

O Santiago desceu a choramingar com fome apesar de ter jantado à meia hora atrás. O marido pediu para ele se sentar cinco minutos ao pé dele no sofá e este adormeceu imediatamente. O Salvador apareceu logo em busca do irmão. Eu ofereci-lhe colo para ver se adormecia como o irmão mas não tive muito sucesso. - Salvador onde está o teu botão para desligar?

- O quê?

- Não tens um botão para desligar?

- Eu não sou um robot sou um menino. Os meninos com pele não têm botões para desligar só os robot.

- A serio? Eu queria mesmo que tivesses um botão.

- Não, não tenho😏. 

 

Sobre Leslie

Estávamos a jantar no sábado quando percebemos que a mobília do quintal se estava a deslocar com o vento. Percebemos então que a tempestade não estava para brincadeiras e fomos guardar tudo o que tínhamos pelo quintal.

Quando voltei a entrar em casa os mais velhos queriam saber o que se passava. 

- Mãe o vento está tão forte.

- Pois está Guilherme. É por causa da tempestade.

- Eu ouvi nas notícias. Chama-se Leslie.

- Pois é Leonardo.

- Vai passar por aqui?

- Vai filho só não sabemos com que intensidade.

- Guilherme vai ser a nossa primeira sobrevivência a sério. 

Felizmente o pior que vimos foi algum vento forte e os rapazes não tiveram uma sobrevivência a sério.