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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Eu e o Inverno

Durante anos até gostei do inverno. Adorava andar à chuva e sentir o cheiro a terra molhada. Amava saltar as poças de água, isto já crescida. Andava frequentemente toda molhada porque nunca usava um guarda chuva. Gostava dos dias de céu limpo e aproveitava as horas de sol para aquecer o corpo. Adorava ir à neve e brincar até o frio se entranha nos ossos.

Adorava em pequena e continuei a adorar durante muitos anos. Adorei até ser mãe. Quando os meus filhos começaram a nascer percebi que o inverno é sinónimo de tosse, ranho e febres.  Os dias frios e escuros estão acompanhados de noites mal dormidas entre doenças e preocupações.

Os dias são passados entre idas ao médico, farmácia e medicamentos. Quando pensamos que ultrapassámos o obstáculo aparece logo outro e recomeça tudo outra vez. 

Se pudesse mudava de sítio em sítio e só vivia no verão  

De volta ao trabalho

O antibiótico já começou a fazer efeito e o rapaz está visivelmente melhor. Nos primeiros dois dias não me largou um segundo. Basicamente passei dois dias sentada no sofá com dois meninos em cima de mim. Digo dois porque o Santiago nunca saiu do pé de nós e estava sempre a agarrar-se a mim para mostrar que também aqui estava.

Na terça feira à tarde adormeceram os dois em cima de mim. Aos poucos consegui empurrar os rapazes até ficarem deitados no sofá. Pensei em aproveitar a oportunidade para tomar banho mas assim que saí do sofá o Salvador começou a chorar. Só se calou quando me sentei ao pé dele e se agarrou ao meu braço.

Não sei porque motivo as crianças ficam tão  necessitadas de colo. Até parece que o colo da mãe tem propriedades mágicas que os ajudam a melhorar.

Enfim foram dias em que não fiz nada mas que me deixaram exausta. Ontem finalmente o rapaz começou a dar sinal de melhoras. Deixou de chorar a cada cinco minutos. Comeu um pouquinho melhor. Dormiu um sono mais tranquilo. 

Agora é só esperar que fique a cem porcento e que a tosse do Santiago não se torne em algo mais. 

Semana sem fim

Tem sido uma semana difícil. Uma correria tremenda, um cansaço extremo. Ando tão cansada que muitas são as vezes que ando sem rumo e tenho que parar para pensar o que ia fazer para tomar o rumo certo. Ontem esqueci-me do Leo, está sem professor de educação física e saí às 15:30h. Eram quase 17h quando me lembrei. Voei até à escola a pensar que estaria chateado quando lá cheguei estava a brincar. Já tinha feito os trabalhos e brincava com outras crianças da escola. Vê-lo bem aliviou o peso na minha consciência. Voltei ao trabalho com ele, fomos à piscina co todos e ainda corri ao supermercado. Voltei estafada a suspirar por uma boa noite de sono. 

Acordei uma hora depois de adormecer com o Salvador a vomitar. Eu e o marido passamos o resto da noite em claro com o rapaz. Vomitou uma série de vezes. Chorou a noite toda a pedir água que tentamos racional, já que cada vez que bebia tornava a vomitar. 

Agora de manhã está a ferrado e só dizia que queria dormir. A mim só me apetecia ficar com ele mas não pode ser. Vamos ter que desencantar forças para mais um dia. 

 

 

Este tempo esquisito

Este tempo esquisito. Este calor fora de época. As noites e manhã frias aliadas a dias de um sol quente. Este vento que trás pó e pólen. Tudo isto contribuiu por um surto de tosse que se instalou cá em casa. Nuns manifestou-se sozinha, noutros com outros sintomas. Uns estão roucos, outros semi-febris. O pai queixa-se de dores de cabeça e dores de estômago. A mãe não vê a situação a melhorar, ouve a respiração dos pequenos a ficar mais ruidosa e começa a ficar preocupada.

Vamos lá ver o que os próximos dias nos reservam.

A cama dos pais e as doenças

Já não é a primeira vez que falo sobre a atracção que as crianças nutrem pela cama dos pais. Parece que é um género de reino magico que os faz dormir melhor.

Esta noite acordei com alguém a tentar enfiar-se na nossa cama. Percebi que era o Guilherme e pensei que estava a ter outro ataque de sonambulismo pelo que o mandei para a cama dele. Curiosamente ele respondeu-me coerentemente e eu percebi que afinal estava acordado. Disse-me que estava com calor na cama dele, como se dormir na nossa cama com mais duas pessoas resolvesse o problema. Eu disse-lhe que voltasse para a cama e não se tapasse até ao pescoço como costuma fazer. Pensei que de manhã iria retirar o edredom da cama dele para evitar que se cobrisse com ele. Se tiver dez cobertores o rapaz tapa-se com eles mesmo que esteja quarenta graus de temperatura. Estava então a pensar mudar os lençóis e a edredom enquanto ele saía do quarto. Eis que o oiço tentar travar um vómito e correr para a casa de banho. Acabou por vomitar a casa de banho inteira com ar de pânico. Lá o acalmei quando passaram os vómitos e consegui que voltasse a dormir.

Enquanto limpava a sujidade toda não pude deixar de pensar no facto de ter corrido para a nossa cama só porque não se sentia bem. Lembrei-me de tempos passados em que eu e o meu irmão fazíamos a mesma coisa. Bastava deitarmos-nos na cama dos nossa pais e ficávamos logo melhores, não ficávamos bons milagrosamente mas melhorávamos um pouco. Não sei se é a companhia se o aconchego mas a verdade é que a cama dos pais continua a ser o melhor remédio para as doenças.

Somos uma sociedade civilizada, então porque é que continuamos a ignorar a nossa saúde?

Um dia destes, subia eu dentro do elevador da garagem para o quarto andar quando o elevador parou no R/C. As portas abriram-se e eu dei de caras com o filho de uma vizinha que já não via à imenso tempo. Partilhamos o espaço durante alguns segundos até ele sair no andar pretendido mas ainda hoje vejo a imagem daquele rapaz à minha frente. Fiquei muito impressionada com o tamanho do miúdo mas não foi no bom sentido. O rapaz é mais novo que o meu Guilherme pelo que deverá estar a fazer os nove anos mas parece muito mais velho. Não que seja particularmente alto mas pelo excesso de peso que têm. Excesso de peso não, a criança é totalmente obesa.

Ainda consigo vê-lo a entrar no elevador, a dificuldade em andar, o facto de andar com as pernas muitíssima afastadas uma da outra. As costas larguíssimas, mais largas que as de muitos adultos e a ausência de pescoço. O rapaz deve medir menos de um metro e quarenta mas aposto que deve ter mais de setenta quilos.

Continuo a ficar chocada cada vez que vejo uma criança assim. Não consigo deixar de pensar como é que os pais, os avós e outros familiares que gostam deles os deixam chegar a este ponto. Será que não existe informação suficiente sobre o quão prejudicial é este excesso de peso em tão tenra idade. Será que ninguém se preocupa com as repercussões que terá a saúde desta criança no futuro. Não estamos a falar de algum excesso de peso porque é raro quem não o tenha. Estamos sim a falar de um peso que afecta ossos e articulações que neste caso ainda estão em crescimento. Estamos a falar de possíveis diabetes e outras inúmeras doenças que podem dai advir.Cada vez mais sabemos os males que a obesidade causa mas isso não impede esta doença de continuar a crescer cada vez mais.

Custou-me ver aquele menino que não quis subir dois lances de escadas com o avo e preferiu esperar pelo elevador. Custou-me ver que ninguém o contraria ao ponto de o fazer movimentar-se. Nunca vi aquele rapaz na rua a jogar à bola, andar de bicicleta ou simplesmente a brincar.

Fiquei triste porque sei que este não é um caso único pelo mundo fora. Fiquei triste por estas crianças que crescem com este estigma. Crianças que são postas de lado na escola. Crianças que são gozadas. Crianças que crescem com pouca ou nenhuma auto estima. Tudo porque não há ninguém que os ensine a comer, que os ensine a ter cuidado com a sua saúde. Tudo porque é mais fácil dizer sim em vez de contrariar. 

Sei que vou chocar muita gente mas pergunto-me se estes pais gostam verdadeiramente dos filhos? Sinceramente não sei como é que conseguem ter a consciência tranquila perante o mal que fazem as suas crianças.

É isto que pensa de mim?

No domingo à tarde o marido foi para a casa de banho. Teve lá algum tempo, saiu e quando estava a chegar à sala correu de novo para trás. Demorou-se mais um pouco e quando finalmente saiu disse-me:

- Não sei o que é que colocas-te na comida mas fez-me mal. Estás a tentar envenenar-me?

- Aguenta esse pensamento que agora preciso ir eu.

Percebemos depois que apanhamos a virose dos pequenos que lhes causou grande transtorno intestinal. Contudo eu não consigo deixar de pensar que a primeira coisa que ele pensou foi que eu o tinha envenenado.

Eu que sou uma pessoa linda e maravilhosa era lá capaz de lhe fazer mal. Se calhar anda a ler demasiados post destes:

 

Eu gosto é do Verão

Estou farta dos dias pequenos e escuros. Estou farta do frio e da chuva. Estou farta do monte de roupa que vestimos diariamente. Principalmente estou farta das doenças.

Este frio trás doenças atrás de doenças e eu estou cansada delas. Todas as semanas aparece uma diferente, uma otite, uma bronquiolite, uma amigdalite. Depois existem aquelas que nem tem direito a nome, são chamadas de um vírus e temos que esperar que passe. Como mãe custa-me horrores. Ver os nossos pequenos doentes e não poder fazer nada sem ser dar colo enquanto espero que passe. Custa-me o facto de chorarem a cada dez minutos quando sei que são crianças tão risonhas. Custa-me as noites em claro não tanto por mim mas por eles, ver que têm sono, que querem dormir mas não conseguem.

O pior, o pior de tudo é quando estão os dois doentes ao mesmo tempo como foi o caso destes últimos dias. Na doença não querem mais ninguém que a mãe e é tão difícil acudir dois. Eu tento sentar-me no sofá e sentar um em cada perna mas eles não querem. Estão doentes, carentes pelo que querem um colo exclusivo deles. Empurram-se mutuamente para ver se um desiste para que o outro fique com o prémio. O pai tenta ajudar, dá abraços e colo a um mas ele fica no colo do pai a chorar pela mãe. É o que mais me custa nisto de ser mãe de dois.

É por isso que peço que a chuva pare. Que o frio se vá e leve estas doenças com ele. Que venham os dias bons e quentes para podermos andar de bicicleta e jogar à bola. Dias quentes para que possamos brincar na rua sem medo das constipações. Cada vez gosto mais do Verão.