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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Nem tudo é culpa da mãe

O Leonardo estava a colocar a mochila às costas para ir para a escola.

- Mãe o que é isto que está espetado na minha mochila?

- Parece uma coisa metálica mas não sei o que é. Tens que abrir a mochila para ver o que tens aí dentro.

Ele colocou a mochila no chão e procurou o objecto que estava a furar a mochila.

- Mãe porque é que colocas-te um garfo na minha mochila?

- Um garfo? 

- Sim é um garfo que aqui está dentro, olha.

- Um garfo? Eu não coloquei nenhum garfo na tua mochila, aliás nunca vi esse garfo na vida. Não é nosso.

- Se não foste tu quem foi?

- Eu não mexo na tua mochila, tu é que colocas e tiras as coisas. Já te disse que esse garfo não é nosso. Já o tinhas visto cá em casa?

- Não, mas como é que está na minha mochila?

- Deve ser de algum dos teus colegas. Leva para a escola e pergunta se é de alguém.

Assim fez mas ninguém se acusou. Agora tenho um garfo do bombeiro Sam no carro à espera que apareça o dono.  Só nos acontecem situações estranhas.

Um verdadeiro blog Sapo

Lembram-se de vós ter contado sobre o sapo que vimos no nosso quintal à uns tempos atrás? Quando contava essa história ao nossos amigos e familiares ficava sempre com a impressão que ele pensavam que eu estava a inventar. 

Acontece que ontem estávamos a acabar de jantar quando o marido me disse:

- Está ali um sapo está ali a olhar para nós. 

Virei-me e lá estava ele a olhar, através do vidro, para a nossa cozinha. Corri a registar o momento para ter provas que tenho um sapo de estimação.

PE_20180315_065506.png

 Na verdade tenho duvidas se é o mesmo ou não. O que vimos da outra vez era mais pequeno mas como já passaram uns meses pode ter crescido. A alternativa é que afinal sejam mais do que um.

Depois de registado o momento chamei os pequenos para uma pequena aula de biologia e foi a loucura. Agradeci o facto de existir um vidro entre o animal e eles, caso contrário não sei o que teria acontecido. Estavam de tal forma entusiasmados que mais parecia uma noite de Natal. O sapo acabou por se cansa dos mirones, virou as costas e foi embora. Eles fizeram uma festa porque viram  como um sapo verdadeiro se movimentava.

Agora digam lá que isto não é vestir a camisola? Somos ou não somos um verdadeiro blog Sapo?

Sempre a enganar a mãe

- Mãe amanhã comi pão com salsicha! - diz o Salvador

- Queres comer pão com salsicha?

- Não eu comi amanhã no café.

- Comeste ontem? Quem deu?

- O avô!

- Eu bebi um sumo! - exclama o Santiago

- O avô deu um pão com salsicha e sumo aos meninos?

- Eu bebi sumo e leite com chocolate. - afirma o Santiago

 Achei aquela história muito estranha. Assim que cheguei a casa perguntei ao marido:

-  O que é que os rapazes comeram no café?

 - Um chupa!

- Só isso?

- Sim. Porquê?

- Estes pequenos têm uma imaginação...

Já me devia ter habituado...

- Mãe cheira tão bem. O comer está quase pronto?

-Sim Guilherme, já está pronto. Faz-me um favor e vai chamar os teus irmãos enquanto eu coloco o comer nos pratos.

- LEONARDO, SALVADOR, SANTIAGO VENHAM COMER!

-Guilherme se fosse para gritar tinha gritado eu...

 

Noutro dia.

- Mãe posso provar um bocadinho?

- Santiago o comer já está pronto por isso vais já provar. Vai por favor lá acima chamar os manos.

- GUILHERME, NARDO, SALVADOR COMER!

- Santiago não grites filho.

 

- Mãe a minha barriga tem muita fome!

- O jantar já está pronto. Só temos que chamar os manos para virem comer.

- Eu faço. NARDO, GUILHERME, SANTIAGO HORA DE COMER!

 

- Amor o comer está pronto. Podes chamar os teus irmãos?

- MANOS VENHAM COMER!

 

Andamos sempre a correr e, por vezes, nem vemos a beleza do que nos rodeia

Ao fim do dia sou sempre eu que levo os gémeos para casa. Vou sempre com pressa para ir fazer o jantar, ajudar o marido nos banhos e, por vezes, ajudar os mais velhos nos trabalhos. Neste dia especifico não foi excepção, apressei-me a caminho de casa, estacionei o carro, fechei o portão e tirei os gémeos do carro. Abri a porta de casa e disse aos rapazes para entrarem. Eles por norma costumam dar umas corridas rápidas e entrar em casa mas desta vez estavam parados. Chamei-os mais uma vez para que entrassem porque estava frio na rua e o Santiago disse-me:

- Espera mãe. Estamos a ver as estrelas. Olha são muitas.

Acabei por me juntar a eles e olhar para cima. A verdade é que o céu estava simplesmente lindo, repleto de pequenos pontos luminosos. Acabei por me deixar ficar ali um pouco com eles a apreciar aquele céu. Demoramos tanto que o marido estranhou e veio à porta saber de nós. Quando perguntou o que se passava respondemos que estávamos a ver as estrelas. 

O facto é que andamos numa correria tal que podemos passar pela paisagem mais bela do mundo e nem nos apercebemos. Estamos tão focados nos milhões de coisas que temos que fazer que nos esquecemos de apreciar as coisas simples que nos rodeiam. Eu, felizmente, tenho os rapazes que me chamam à razão e me alertam para as coisas que estou a perder. Agora, todos os dias, tiro um minuto para contemplar o céu e a verdade é que nunca é igual.