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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Aprender a esperar

- Mãe quero água!

- Santiago tens que esperar um minuto que tenho as mãos sujas.

- Mas eu quero água.

- Já dou.

- QUERO ÁGUA! Estou cheio de sede.

- Santiago tens que aprender a esperar.

... 

- Meninos vamos embora.

- Já vamos.

- Não é já vamos. Estamos a ficar atrasados. Vamos embora.

- Calma estamos a ir.

- Toca a despachar! Mexam essas pernas.

- Mãe sabes uma coisa?

- Diz Santiago?

- Tens de aprender a esperar. 

Ainda bem que vão para a praia

Isto de ter de entreter dois rapazes de férias não é fácil. Os dias de chuva não permitem grandes saídas e a minha saúde também não. Apesar disso recuso-me a deixar que os dois ganhem raízes à frente da televisão. Estipulei horas para brincar, ler e ver televisão. Até agora está a correr bem tirando a parte da leitura. Estamos no início do quinto dia de férias e o Leonardo acabou ontem o quarto livro.

IMG_20190628_075005.jpgNuma média de um livro por dia estou na iminência da banca rota. Na biblioteca municipal não encontramos nada novo. Ainda bem que nas próximas duas semanas vão para a praia.

4 anos e já fazem planos

 - Hoje é a festa do João.

- Festa? Que festa?

- O João convidou todos para irmos para casa dele. Vai fazer uma festa com palhaços, um circo, uma piscina e muitas bóias, um jogo com aqueles senhores que jogam à bola.

- Matraquilhos?

- Sim. Vai ser super fixe. Temos que ir para casa do João.

- Filho é dia de semana ninguém vai fazer uma festa.

- Vai sim!

- O João enganou-se ou tu percebeste mal.

- Não a festa é esta noite e eu quero ir!

- Salvador hoje não.

- Mas assim vou perder a festa!

- Não vai haver festa nenhuma!!!!

- Vai sim.

- NÃO.

- SIM.

- Salvador a mãe do João não falou comigo por isso não podes ir.

- Mas ... Mas...

- Outro dia eu falo com a mãe do João e combinamos. Nem sei onde é a casa dele.

- Olha pegas no teu telemóvel e o mapa diz onde é a casa do João. É muito fácil.

- Acabou a conversa porque eu já disse que hoje não pode ser.

Passadas umas horas o pai chegou a casa.

- Olá Pai. Podes levar-me a casa do meu amigo João?

- A casa do João?

-Sim ele vai dar uma grande festa e estamos todos convidados.

Optei por sair de fininho antes que me tocasse outra vez. Já estava cansada de tanta argumentação 

O nosso decorador

Na sexta trouxemos um sacos com trabalhos que fizeram na escola. No sábado o Salvador pediu-me para o abrir. Assim o fiz mas recomendei que tivesse cuidado para não estragar nada. Passado um pouco apareceu na cozinha pendurou um objeto num puxador e disse:

- Agora a nossa casa está ainda mais bonita.

Curiosa fui ver o que tinha andado a fazer. 

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IMG_20190113_132904.jpgIMG_20190113_132950.jpgIMG_20190113_133018.jpgAcho que temos decorador, não temos  

 

Este não sou eu!

Dei banho aos gémeos. Tirei o Salvador da banheira, sequei a água e dei-lhe uma ajuda a vestir. Depois voltei as minhas atenções para o Santiago e preparei-me para repetir as tarefas. Entretanto oiço o Salvador:

- Este não sou eu.

- Ainda não. Não sou eu.

Curiosa fui ver o que estava a fazer. Encontrei o rapaz de frente ao espelho.

- Não sou eu.

- Que estás a fazer amor?

- Olha o meu cabelo. Não sou eu com o cabelo assim.

Percebi então que se referia ao cabelo húmido e despenteado que ainda não tínhamos penteado. Fiquei a vê-lo ajeitar o cabelo até que acabou por afirmar. 

- Agora sou eu. O meu cabelo é assim espalmado.

 

Nem tudo é culpa da mãe

O Leonardo estava a colocar a mochila às costas para ir para a escola.

- Mãe o que é isto que está espetado na minha mochila?

- Parece uma coisa metálica mas não sei o que é. Tens que abrir a mochila para ver o que tens aí dentro.

Ele colocou a mochila no chão e procurou o objecto que estava a furar a mochila.

- Mãe porque é que colocas-te um garfo na minha mochila?

- Um garfo? 

- Sim é um garfo que aqui está dentro, olha.

- Um garfo? Eu não coloquei nenhum garfo na tua mochila, aliás nunca vi esse garfo na vida. Não é nosso.

- Se não foste tu quem foi?

- Eu não mexo na tua mochila, tu é que colocas e tiras as coisas. Já te disse que esse garfo não é nosso. Já o tinhas visto cá em casa?

- Não, mas como é que está na minha mochila?

- Deve ser de algum dos teus colegas. Leva para a escola e pergunta se é de alguém.

Assim fez mas ninguém se acusou. Agora tenho um garfo do bombeiro Sam no carro à espera que apareça o dono.  Só nos acontecem situações estranhas.