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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Tenho uma coisa na garganta

- Mãe tenho uma coisa na garganta, olha. - diz o Salvador enquanto abre a boca.

- Não vejo nada. Deve ser só impressão tua.

- Não mãe, tenho mesmo. Olha bem.

- Filho não vejo nada. Tens a garganta inflamada e é isso que estás a sentir.

- Não mãe tenho um pico na garganta. Está aqui espetado. - diz enquanto aponta para a maçã de Adão.

- Tens um pico na garganta? É como é que ele foi aí parar.

Ele olha para mim de olhos muito abertos com cara de gozo e diz:

- Foi magia.

😂

Mudou a hora e...

Ontem fui buscar os gémeos. Assim que cheguei à porta da sala correram para mim com um ar triste, cruzaram os braços à frente do peito e perguntaram:

- Mãe porque demoraste tanto tempo?

- Tanto tempo? Demorei o mesmo.

- Não hoje demoraste muiiiiitooo.

- Cheguei à mesma hora.

- Não, demoraste tanto que até ficou noite.

- Ficou noite porque a hora mudou e agora fica escuro mais cedo.

- Porquê?

- Porque é sempre assim nesta altura do ano.

- Porquê? 

- Assim de manhã temos sol e à tarde temos a lua. 

- Porquê? 

- Porque é Outono.

- Porquê?

- Porque um senhor mandou que assim fosse.

- Não gosto nada disto. Não gosto que fique escuro cedo. NÃO GOSTO!

- Eu também não, meu filho. Também não gosto nada. 

Impossível manter uma cara séria

- Mãe que estás a fazer.

- Estou a tomar um comprimido.

- Eu também quero.

- Eu estou a tomar porque estou doente.

- Eu também estou doente. Preciso de um comprimido.

- Estás doente?

- Sim, eu comi muito e fiquei com fofusos.

- Com o quê?

- Fofusos. 

- Não percebo.

- Assim mãe. Hic, hic, hic.

- Soluços?

- Sim fofusos.

 

- Mãe tenho fome posso comer farinha mazinha.

- Podes comer o quê?

Aquilo que fizeste amanhã. Farinha mazinha.

- Farinha maisena!

- SIM!!!

 

- Mãe porque é que a avó comprou um telemóvel novo?

- Porque o telemóvel dela estava velho.

- Mas a avó também é velha!

Estou a criar um hipocondríaco

Ontem o Salvador teve um pouco de febre. Na creche deram-lhe xarope e à noite tive que lhe dar novamente. Estava a dar o remédio ao Salvador quando veio o Santiago.

- Também estou doente. - queixou-se

- Não estás nada.

- Sim tenho "fevre". A Margarida disse que eu estava quente e deu-me xarope.

- Só o teu irmão é que tomou xarope na escola.

- Eu também tomei. Estou muito doente. 

Acabei por lhe colocar a seringa na boca a fingir que lhe dava xarope, mas o rapaz já não se deixa enganar como deixava.

- Isto não é justo. O mano tomou muito xarope e eu só um pouco. Não é justo!

Depois foi ter com o pai queixar-se que estava muito doente e a mãe não lhe dava xarope. É preciso uma paciência.

Coisas à Salvador

- Mãe olha aqui!

Olho para o banco de trás do carro e vejo um pé espetado na minha direcção.

- Salvador, tu estás descalço!

- Sim tirei o sapato e a meia.

- Porquê?

- O meu pé tinha fiambre.

- ?????

 

- Mãe onde estão os porcos?

- Porcos? Que porcos?

- Aqui não há porcos. Temos galinhas, vacas, ovelhas, cavalos mas não porcos. - explica o Santiago

- Não eu quero ver os porcos. 

- Aqui não há porcos! - afirma o irmão

- Sim. Eu sinto nos meus olhos.

- Consegues sentir nos olhos?

- Os meus olhos cheiram os porcos.

 

- Mãe, podemos ir a casa da tia M.

- Queres ir a casa da tia?

- Sim, quero comer batatas de galinhas e fazer uma festa da maçã.

Manhoso

- Mãe temos tantos sapatos.

- Pois tens Santiago.

- Temos tantos livros.

- Sim temos muitos livros.

- Temos muita, muita, muita comida.

- Temos alguma comida em casa mas porquê?

- Não quero ir à escola.

- Tens que ir à escola amor.

- Porquê? Não é preciso dinheiro para comprar comida, temos tantas coisas.

 

Este rapaz consegue sempre surpreender-me.

 

Onde aprendeu a fazer contas?

Estaciono o carro na escola e vou deixar o Leonardo. Volto ao carro:

- Mãe!

- Sim?

- Agora não somos cinco. Somos quatro.

- pois somos Santiago.

Paro novamente para o Guilherme sair.

- Mãe o Guilherme vai para a escola?

-Vai sim.

- Estão somos três.

- Sim ficamos três.

Quando chego à escola deles:

- Mãe agora fica só um!

Não sei bem como aprendeu a subtrair assim. Não me recordo de os outros fazerem este tipo de ilações tão cedo. Acho absolutamente delicioso