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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Somos uma sociedade civilizada, então porque é que continuamos a ignorar a nossa saúde?

Um dia destes, subia eu dentro do elevador da garagem para o quarto andar quando o elevador parou no R/C. As portas abriram-se e eu dei de caras com o filho de uma vizinha que já não via à imenso tempo. Partilhamos o espaço durante alguns segundos até ele sair no andar pretendido mas ainda hoje vejo a imagem daquele rapaz à minha frente. Fiquei muito impressionada com o tamanho do miúdo mas não foi no bom sentido. O rapaz é mais novo que o meu Guilherme pelo que deverá estar a fazer os nove anos mas parece muito mais velho. Não que seja particularmente alto mas pelo excesso de peso que têm. Excesso de peso não, a criança é totalmente obesa.

Ainda consigo vê-lo a entrar no elevador, a dificuldade em andar, o facto de andar com as pernas muitíssima afastadas uma da outra. As costas larguíssimas, mais largas que as de muitos adultos e a ausência de pescoço. O rapaz deve medir menos de um metro e quarenta mas aposto que deve ter mais de setenta quilos.

Continuo a ficar chocada cada vez que vejo uma criança assim. Não consigo deixar de pensar como é que os pais, os avós e outros familiares que gostam deles os deixam chegar a este ponto. Será que não existe informação suficiente sobre o quão prejudicial é este excesso de peso em tão tenra idade. Será que ninguém se preocupa com as repercussões que terá a saúde desta criança no futuro. Não estamos a falar de algum excesso de peso porque é raro quem não o tenha. Estamos sim a falar de um peso que afecta ossos e articulações que neste caso ainda estão em crescimento. Estamos a falar de possíveis diabetes e outras inúmeras doenças que podem dai advir.Cada vez mais sabemos os males que a obesidade causa mas isso não impede esta doença de continuar a crescer cada vez mais.

Custou-me ver aquele menino que não quis subir dois lances de escadas com o avo e preferiu esperar pelo elevador. Custou-me ver que ninguém o contraria ao ponto de o fazer movimentar-se. Nunca vi aquele rapaz na rua a jogar à bola, andar de bicicleta ou simplesmente a brincar.

Fiquei triste porque sei que este não é um caso único pelo mundo fora. Fiquei triste por estas crianças que crescem com este estigma. Crianças que são postas de lado na escola. Crianças que são gozadas. Crianças que crescem com pouca ou nenhuma auto estima. Tudo porque não há ninguém que os ensine a comer, que os ensine a ter cuidado com a sua saúde. Tudo porque é mais fácil dizer sim em vez de contrariar. 

Sei que vou chocar muita gente mas pergunto-me se estes pais gostam verdadeiramente dos filhos? Sinceramente não sei como é que conseguem ter a consciência tranquila perante o mal que fazem as suas crianças.

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