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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

O dia em que a minha vida ficou de pernas para o ar.

Estávamos no principio de Outubro e com ele chegaram as primeiras chuvas de Outono. Tinha chovido a noite toda e a chuva continuava. Eu deixei o marido no trabalho e entrei na auto-estada a caminho do trabalho. O piso molhado e a visibilidade reduzida impediam-me de andar a mais que os oitenta, noventa quilómetros por hora. Lembro-me de ver uma poça de água e ter um pressentimento. Aconteceu todo muito rápido, estava a conduzir normalmente e depressa percebi que algo não estava bem. Senti o meu corpo num ângulo estranho. Comecei a ver o alcatrão da estrada quase ao pé dos olhos enquanto assistia a uma projecção de faíscas entre o tejadilho do carro e o pavimento. Finalmente o carro parou e eu percebi que tinha que sair do carro. Primeiro pensei como é que iria tirar o cinto sem cair de cabeça no chão, uma vez que estava de pernas para o ar. Quando percebi onde deveria colocar as mãos e os pés achei melhor não tirar o cinto com medo que algum carro embatesse no meu e me projectasse para fora.

Segundos depois tinha imensas pessoas de volta do carro e percebi que era seguro sair. Alguém me abriu a porta e me ajudou a sair. Um senhor tomou-me o pulso enquanto me fazia perguntas. Apresentou-se como sendo enfermeiro e percebi que tentava ver se eu estava bem. Eu agradeci a ajuda mas afirmei que estava tudo bem comigo. O enfermeiro acabou por sair do local quando percebeu que eu não estava magoada. Antes de ir ainda me explicou que tinha uma clínica nas imediações que geria com a filha e ofereceu-se para me avaliarem.

Entretanto houve quem me coloca-se o triângulo, quem me desse o colete para vestir e quem comunica-se o acidente. Felizmente ainda existe muito boa gente no mundo sempre dispostos a ajudar os outros. Voltei ao carro e procurei a minha mala. Pequei no telefone e liguei ao meu pai para pedir que avisasse no trabalho que iria chegar atrasada. O pai quis saber porquê e foi logo ter comigo. Entretanto o meu chefe ligou-me, eu atendi e ele pediu-me para adiantar o trabalho porque estava preso na auto-estrada. Eu expliquei-lhe que não poderia ajudar e que era devido a mim que estava preso no trânsito.

Os bombeiros chegaram pouco depois e tive que entrar na ambulância para ser avaliada. Eu estava bastante animada e brincava com a situação até que vi os bombeiros a colocar o carro na posição correcta. Desatei a resmungar porque rebolaram o carro para a lateral que estava intacta, danificando assim o resto do veiculo. Eu só via cifrões à frente dos olhos…

De seguida chegou a brigada de trânsito para tomar ocorrência do sucedido. Quando afirmei que seguia a oitenta quilómetros hora um dos agente disse que isso era visível. Pareceu-me que o disse de uma forma irónica o que fez com que lhe dirigi-se um dos meus olhares fulminantes. O agente percebeu e disse-me que o que eu dizia estava correcto porque o carro tinha parado assim que capotou, se eu seguisse a mais velocidade o carro teria levado muito mais tempo a parar.

No fim da história posso dizer que tive muita sorte. Sai intacta do acidente, sentia-me tão bem que recusei ir ao hospital. No fundo só queria despachar tudo e voltar ao trabalho. Fiquei muito desiludida porque pensava que só tinha que colocar o carro de pé e eu podia seguir viagem mas a verdade é que foi direitinho para a oficina e só voltou para mim cerca de um mês depois.

 

 

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