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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Já passaram 9 anos.

Tudo começou no dia 20 de Abril. Acordei cheia de força apesar das minhas 38 semanas de gravidez e resolvi fazer uma limpeza geral na cozinha. Abri o escadote e comecei num sobe e desce para limpar o cimo dos armários da cozinha. Depois de ter os armários limpos achei que devia limpar os azulejos, o candeeiro e o ar condicionado. Depois limpei as portas, as bancadas e quando dei por mim já estava a limpar as janelas. O marido chegou a casa perto das dezasseis horas e encontrou-me pendurada no escadote a limpar as janelas por fora. Quase que me espancava de me ver meio pendurada no cimo do nosso quarto andar. Correu comigo e acabou de limpar o resto das janelas.

Seria de esperar que estivesse cansada depois de uma manhã a limpar mas sentia-me cheia de energia. Tanta que ao fim de jantar convenci o marido a irmos andar um pouco. Regressamos a casa depois de andarmos mais de hora e meia. Ele deitou-se e adormeceu logo. Eu sentia-me meio agoniada e levei um bocado a adormecer. Acordei segundos depois de adormecer com uma sensação esquisita. Pulei para fora da cama,coloquei um pé no chão flutuante e pulei para dentro da casa de banho. Assim que coloquei os dois pés no chão senti algo quente a escorrer-me pelas pernas abaixo. Chamei-o marido e disse-lhe que tínhamos que ir para o hospital porque estava na hora. O marido levantou-se vestiu-se e eu meti-me no polibã para me lavar. O marido resmungava que me tinham dito para não me lavar. Eu respondia que não ia sair toda suja. Ele resmungava para eu me despachar e eu replicava que tínhamos tempo. Ele estava à porta de casa, pronto com as malas e tudo enquanto eu me vestia calmamente.

Chegados ao carro ele começa numa correria desgraçada para chegar à maternidade enquanto eu lhe dizia que podia ir mais devagar. Chegamos a Lisboa e aparecem os primeiros semáforos. O marido pergunta se é preciso passar o vermelho e eu respondo que não. Coitado do homem, a única vez que podia passar vermelhos À vontade e eu não deixei.

No hospital e fui logo encaminhada para o bloco de partos. Colocaram-me aquele soro maravilhoso que provoca conotações. Ao fim de uma hora já não podia com tantas contracções. Ainda a primeira não tinha ido embora já vinha a segunda, eu tinha sono e só queria dormir. Levei a epidural e apaguei. A tia esteve ao pé de mim muito tempo e eu nem dei por nada. Recordo vagamente que de vez em quando vinha alguém que me dizia para abrir as pernas e via a dilatação, eu obedecia em modo sonâmbulo. A ultima das vezes a médica diz-me que tinha a dilatação toda e que tinha que acordar para ter o meu filho. Eu pensei que queria dormir mais um bocadinho. Acho que ainda dormitei enquanto me levavam para o bloco de partos. O marido entrou e eu estava completamente drogada de medicação. As médicas e enfermeiras gozaram que eu mais parecia estar na praia do que prestes a dar à luz. Diziam-me para fazer força quando sentisse vontade e eu nada de fazer força. Elas perguntavam-me se eu não sentia vontade de fazer força eu respondia que sim mas era pura mentira. Parecia que me tinham cortado da cintura para baixo, não sentia nada de nada. A médica teve que se colocar em cima da minha barriga para me ajudar a fazer força porque eu não estava a fazer a coisa bem feita. Elas diziam-me que a força era para fazer em baixo e não na cara mas se eu não sentia nada não sabia onde estava a fazer a força.

Finalmente nasceu o meu menino às 11:17 do dia 21/04/2007. A moleza passou-me logo e apaixonei-me pelo aquele pequeno ser. Senti imediatamente falta dele dentro da minha barriga que passou de um alto para um buraco. Levaram-nos para ver se estava tudo bem e passado um pouco vieram coloca-lo ao pé de mim. Eu fiquei ali uns momentos a olhar para aquela coisinha. Contei-lhe os dedos, toquei-lhe na pele e olhei-o nos olhos. Entretanto o marido veio e eu não podia estar mais enamorada daquele bonequinho. O marido perguntou-me se eu estava bem e eu respondi-lhe que quando quisesse o segundo era só dizer. Ele achou estranho eu ter acabado de ser mãe e já estar a falar no segundo mas assim que tive o meu filho nos braço percebi que nasci para ser mãe.

2 comentários

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    Catarina 21.04.2016

    Eu nem levei reforço. Estive sempre ligada a uma máquina que me ia administrando a epidural . Mas serviu de lição, também tiveram que usar ventosas porque eu não sentia nada de nada. Depois quando passaram as seis horas, quiseram que eu me levantasse mas não consegui porque ainda não sentia as pernas. Só me consegui por de pé passadas mais duas horas e as enfermeiras já estavam preocupadas com isso e com a dor de cabeça que eu tinha que não passava com medicação nenhuma.
    Quando foi do Leonardo recusei a epidural durante uma série de tempo. A anestesista estava sempre a vir ver se eu mudava de ideias e não percebia porque é que eu não queria. Então eu expliquei-lhe o que se tinha passado e que as anestesias têm um efeito muito grande em mim. A médica então deu-me uma epidural mais ligeira . O suficiente para não sentir grandes dores mas sem deixar de sentir as contracções . O segundo parto correu muito melhor graças a isso.
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