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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Gravida de gémeos

Esta gravidez custou-me muito, foram sete meses sempre com o coração nas mãos. Começou logo nas primeiras semanas, estava sempre a perder um pouco de sangue. Havia dias em que a quantidade era maior, ia à urgência faziam-me uma eco e estava tudo bem com os meninos. Os médicos não me sabiam explicar porque motivo sangrava. Ás doze semanas  e 4 dias acordei a meio da noite e sangrava imenso, dirigi-me imediatamente às urgências. A eco acusou descolamento da placenta e fiquei internada. De manhã já não perdia sangue, fiz outra eco num ecografo melhor que confirmou o descolamento da placenta, em dois sítios. Deram-me baixa de alto risco e mandaram-me para casa em repouso absoluto.

Foram dias horríveis, com muitas dores. Assim que me punha em pé, só para ir a casa de banho, tinha dores e sangrava. Comprei um banco para me sentar no banho pois nem conseguia estar em pé. Finalmente com o passar dos dias o sangue foi ficando mais escasso. Fiz nova eco as 15 semanas e 3 dias e já não havia descolamento da placenta, mas um dos bebes estava significativamente mais pequeno que o outro. O cordão deste bebe só tinha um vaso enquanto que o do outro tinha dois, logo um recebia mais comida que o outro. O fémur do primeiro bebe estava muito abaixo do normal, isto aliado a ausência de um vaso de alimentação poderia significar problemas nos cromossomas. Fui encaminhada para a consulta de genética.

Na consulta de genética a medica explicou-me que deveria fazer amniocentese para perceber se havia ou não problemas com o bebe. Explicaram-me que se houvesse problema com um dos bebes esperaríamos até as 26 semanas para fazer a interrupção da gravidez do gémeo com problemas. Existem muitos casos em que o parto do segundo gémeo é desencadeado após o procedimento, por este motivo esperam pelas 26 semanas, assim o bebe tem mais hipóteses de sobrevivência. Eu que ainda não estava recuperada da ameaça de aborto e com a certeza que não poderia fazer nada antes das 26 semanas resolvi adiar decisão por uns dias. Acordei com a medica esperar pela nova eco, marcada para as 18 semanas, para ver se os valores se mantinha e então decidir. Entretanto na semana a seguir fui novamente chamada à genética, a médica explicou-me que não se tinha apercebido que eram  monocoriônicos e que neste caso se houvesse problemas seria com os dois bebes e teríamos que interromper a gravidez. 

Não sei porque, mas eu tinha a certeza que os bebes estavam bem e disse à medica que não ia arriscar fazer a amniocentese,cujo risco é mais acrescido no caso de gémeos, antes de fazer outra eco.

Fiz nova eco as 18 semanas e o valor do fémur do bebe continuava pequeno se bem que tinha passado de percentil negativo para percentil 5. O Dr.. da eco questionou-me sobre a amniocentese, disse-me que tinham discutido o meu caso e que era possível só um dos bebes ter problemas. Fiquei ainda mais confusa primeiro era só um, depois tinham que ser os dois agora podia ser só um novamente? Disse-lhes que como o valor do fémur estava a crescer iria esperar pela eco da semana seguinte e tomaria uma decisão.

As 19 semanas mais 4 dias fiz nova eco e surpresa das surpresas o valor do fémur estava normal. Já não havia necessidade de fazer a amniocentese e eu estava radiante. No entanto a felicidade durou pouco, existia uma grande discrepância de liquido amniótico entre os bebes, um mexia-se muito e o outro não. Estavam em risco de sindroma transfusão feto-fetal severo. Falaram-me que se se comprovasse teria que fazer tratamento endoscópico laser fora de Portugal.

Repeti eco as 20+4, 21+5, 22+3, 24, 25 e estava tudo na mesma, os fluxos estavam sempre alterados. Entretanto as 25 semanas+6 dias dei entrada na urgência cheia de contracções. Fui internada, colocaram-me a soro para hidratar ( estava desidratada devido aos vómitos que nunca tinham desaparecido e que por vezes eram tão intensos que nem agua eu conseguia aguentar no estômago) e iniciarei a indução da maturação pulmonar. No dia seguinte fiz eco os fluxos estavam mais ou menos mas o colo tinha diminuído de 42mm para 20mm. Continuei internada mais 4 dias e depois tive alta mas sempre com recomendações de repouso absoluto. Ás vezes apetecia-me perguntar como é que conseguia fazer repouso absoluto se passava a vida em eco, consultas e analises...

As 28 nova eco continuava tudo na mesma. Na semana seguinte acordei cheia de contracções, tinha 29 semanas + 3 dias, não me mexi o dia todo mas não quis ir ao médico. Por fim as contracções abrandaram. Passados 4 dias fui a consulta das 30 Semanas estava tudo bem até me fazerem o toque. O Dr.. ficou com duvidas chamou a chefe que me mandou fazer uma eco. O colo do útero tinha desaparecido e tinha três dedos de dilatação. Mandaram-me para a urgência fazer o internamento. Esperei 4 horas na urgência os médicos ficaram retidos num parto complicado e eu que deveria estar de repouso estava ali à espera. Por fim lá apareceram os médicos mas não sabiam se me enviavam para o bloco de partos ou para o internamento de grávidas.  Finalmente entenderam que eu devia ficar internada para ver se adiávamos o parto o mais possível. 

O internamento fica para outro dia.

 

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