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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Decisões dificeis

Ao longo do ultimo ano travamos uma luta interna. Vimos os pequenos a crescer e a roupa a crescer com eles, sentimos o barulho a aumentar dentro de casa, sentimos o espaço a diminuir. Lutamos, lutamos muito contra a ideia de mudar de casa. Tentamos arranjar soluções de arrumação,fizemos escolhas periódicas do que já não usamos para ganharmos espaço. No entanto as coisas continuaram a aumentar. No inverno deparei-me com um problema com a roupa dos gémeos que dobrou de tamanho desde o ano passado. Fiquei com o roupeiro cheio, a parte dos pendurados ficou sem espaço para casacos e nas prateleiras não cabiam as calças e camisolas todas. O roupeiro extra que compramos está cheio, metade tem roupa do Leonardo e a outra está cheia com roupa do Guilherme. Para além da roupa de vestir temos roupa de cinco camas o que significa muitos lençóis e edredons. Temos sapatos de seis e uma montanha de tolhas para esta família numerosa. A arrecadação de 4 m2 está cheia com ferramentas, escadote, bicicletas, primeiros trabalhos da escola, álbuns de fotografias, árvore de natal e decorações, caixas de roupa para os gémeos....

Começamos a pensar onde poderíamos colocar mais moveis para acomodar a roupa e sapatos. Tentávamos agarrar-nos à nossa casa. Gostávamos da familiaridade e do conforto que nos proporciona. Gostávamos também do valor da prestação que nos permitia algum desafogo. 

Eu nunca quis mais encargos, aliás nem quis comprar uma casa de férias quando o marido teve essa ideia. O que eu queria mesmo era juntar o dinheiro e viajar todos os anos. No entanto a realidade chamou-me à razão. Será que valeria a pena vivermos tipo sardinha em lata durante 11 meses do ano para podermos ter uma ou duas viagens por ano? Será que valeria a pena comprar mais móveis o que iria resolver  arrumação mas iria limitar o espaço que temos para nos mexermos?

Acabei por perceber que merecíamos melhor. Os nosso filhos mereciam melhor. Começamos então o processo de mudar de casa e temos vividos dias loucos.Entre visitas a imóveis, bancos, avaliações, certificados energéticos, contratos de promessa de compra e venda, imobiliárias... Estamos cansados mas já vemos a meta.

O problema é que a meta não trás a sensação de euforia que pensamos que traria. A meta trás uma sensação agridoce de quem têm que deixar a primeira casa. Uma casa que continuamos a adorar e que está cheia de recordações. Uma casa onde todos os meus filhos deram os primeiros passos e disseram as primeiras palavras.

Vai ser difícil fechar a porta.

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