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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

A mãe que queria ser versus a mãe que sou

Quando pensava em ser mãe…

  • Sonhava ser o tipo de mãe que tem sempre um sorriso no rosto.
  • Sonhava ser aquela mãe que faz uma maravilhosa comida caseira. Cujos pratos seriam de crescer água na boca e ficariam para sempre na memória dos meus filhos.
  • Esperava ser aquele tipo de mãe que consegue ter sempre a casa e roupas impecáveis.
  • Sonhava que ia conseguir treinar regularmente, dando o exemplo aos meus filhos sobre como é importante estar saudável.
  • Pensava que os meus filhos iam comer sempre coisas saudáveis, nada de alimentos processados porque isso só faz mal a saúde.
  • Esperava inspirar os meus filhos mantendo um trabalho com um horário normal a acumular com todas as outras tarefas do dia a dia.
  • Sonhava ser o tipo de mãe que conta histórias na hora de adormecer
  • Sonhava estar horas sentada com eles a brincar.
  • Sonhava ser o tipo de mãe que consegue andar sempre arranjada.
  • Sonhava ser aquela mãe que tem sempre tempo e paciência para os filhos. Que para tudo para os ouvir e que sabe sempre o que lhes dizer para elevar a moral.
  • Esperava fazer tudo e mais alguma coisa e ainda assim manter um casamento fantástico. Queria que um dia mais tarde eles se recordassem sempre de como os pais eram apaixonados.
  • Esperava conseguir sair de casa sempre a tempo e horas. Que eles colaborassem comigo e me facilitassem a vida pela manhã. Esperava ter uma manhãs tranquilas.

 

Agora que sou mãe…

  • Continuo a adorar cozinhar mas, muitas são as vezes que o faço por obrigação.
  • Muitas são as vezes que opto por passar no supermercado e comprar algo pronto ou rápido de fazer porque não tenho energia para mais.
  • Olho para o chão de casa, eternamente sujo e opto por fingir que não vejo. Já me conformei que a casa pode ser limpa de alto a baixo mas cinco minutos depois parece que não vê limpeza à meses.
  • Vejo os cestos da roupa suja sempre atulhados de roupa. Posso lavar uma máquina todos os dias da semana e mesmo assim nunca vejo o fundo.
  • Todos os dias penso em fazer caminhadas ou ir praticar uma modalidade. Depois paro e penso qual será o horário possível e a verdade é que nenhum. Tenho os dias de tal forma ocupados que sinceramente não vejo forma de despender uma hora para fazer o que quer que seja.
  • Todos os dias chego a casa apressada pois há banhos para dar, comer para fazer, roupa para lavar, trabalhos para corrigir, recados para assinar, roupa e lanches para preparar, dramas para mediar, bonecos desaparecidos para procurar… Tudo isto e mais, muito mais. Para além disso os rapazes chegam a casa cheio de energia, temos gritos, correrias, zangas, mais gritos, mais correrias, temos brinquedos a cair no chão do piso de cima que mais parecem que nos caem em cima da cabeça, bolas a saltitar quando é proibido jogar dentro de casa. Temos tudo isto e a paciência vai desaparecendo. Confesso que todos os dias estou desejosa de os meter na cama só para ter um minuto de silêncio. Qual historias antes de dormir qual carapuça já tem sorte se os encher de beijos antes de dormir porque a maior parte das vezes só me apetece fugir.
  • Quanto a conversas cá em casa. Conversas até existem mas não entre a mãe e o pai. Cada vez que a mãe e o pai tentar conversar são interrompidos 500 vezes. É só começar uma simples conversa e aparece algum deles com uma questão muito importante. De nada serve dizer para esperar que os adultos estão a falar porque o tema deles é sempre de prioridade máxima, por norma é uma queixa de um outro irmão. Tantas vezes as conversas de adulto são abruptamente interrompidas que até nos esquecemos do tema inicial da conversa.
  • Conversas com os rapazes são igualmente impossíveis de ter. Começamos a conversar com um e, às tantas, temos quatro rapazes a falar ao mesmo tempo uns por cima dos outros. É preferível sair da conversa e deixar que se entendam todos.
  • Ir ao cabeleireiro tornou-se coisa anual. Ir às compras significa ir ao supermercado ou comprar roupa que não é para mim. Nem me recordo qual foi a ultima vez que comprei algo para a minha pessoa só porque sim. Sabem daquelas compras que fazemos por impulso porque nos apaixonamos por algo e não conseguimos sair da loja sem aquilo. É certo que, muitas vezes, essas coisas acabam por ser esquecidas no armário e, por vezes, sem nunca terem sido vestidas. Até disso tenho saudades, agora compro umas peças de roupa a cada meia dúzia de anos e só compro coisas que tenho a certeza que vou vestir.
  • As manhãs? As manhãs são o meu pior pesadelo. Tenho fitas porque ainda não brincaram muito e não querem sair de casa. Tenho fitas porque os gémeos querem calcar os mesmos sapatos. Tenho fita porque o Salvador se arma em donzela e reclama que está farto dos 6 ou 7 pares de sapatos que tem e precisa de sapatos novos. Tenho o mais velho que anda tipo zombie pela casa e que só se mexe quando lhe berro a alto e a bom som. Tenho o Leonardo que se senta em qualquer lado agarrado ao livro e se esquece que o tempo está a passar na vida real. Muitas são as vezes em que estamos a sair de casa e se lembra que não arrumou o lanche ou que ainda não se calçou. É impossível sair a horas e tornei-me naquele tipo de mãe que nem se importa se o filho vá de bota e fato de treino desde que esteja pronto a sair de casa.
  • Sou aquela mãe eternamente cansada que sai à rua com umas olheiras visíveis a vinte metros de distancia. Aquela mãe que quase adormece em pé se para mais de dez minutos. Aquela mãe que veste a primeira coisa que lhe aparece à frente porque não há tempo para mais. Sou aquela mãe que tem um ar estafado e exausto mas que está cheia de amor. Sou aquela mãe que se enche de energia cada vez que um dos rapazes lhe dá um abraço ou um beijinho. Sou aquela mãe que se sente realizada cada vez que ouve que ouve um adoro-te mãe.

 

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