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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Nem tudo é mau

Muito me tenho queixado sobre esta estadia forçada em casa mas a verdade é que nem tudo tem sido mau. Já fez um ano que estamos nesta zona mas, entre miúdos, escolas, actividades, reuniões, trabalho, doenças e outras coisas, não conheço muita coisa. 

Estes dias em casa fizeram com que perceba quantos padeiros e a que horas passam aqui na rua. Adoro a forma como não se trancam os portões pelo que o padeiro entra na propriedade e deixa o pão pendurado na porta, ainda não percebi como fazem contas. Gosto da calma e da segurança da zona. Da forma como as pessoas deixam grelhadores e mesas nos relvados aqui da zona, assim como estendais de pé cheios de roupa. 

Conheci mais vizinhos neste dias no que num ano inteiro. Descobri que a maioria já são avós mas extremamente simpáticos, já perdi conta ás ofertas que recebi para tomarem conta dos meninos caso precise de alguma coisa. A grande maioria tem a casa cheia de netos de manhã e à tarde e gostam de ter amigos para os netos.

Aprendi também que a vida no campo não é só monotonia. Ainda um dia destes tivemos a rua invadida por cinco ovelhas que fugiram de uma quinta qualquer. Era vê-las correr extremamente alegres pela rua fora saboreando a liberdade. Era ver os carros atrapalhados perante a estrada ocupada com os animais. Era ver pessoas a tentar direccionar as ovelhas para uma zona onde não corressem perigo. Achei a situação muito caricata mas uma vizinha disse-me que já tinha visto pior. Um dia abriu a porta de casa e tinha uma cabra dentro da sua propriedade. Ainda hoje está para saber como é que a cabra lá tinha ido parar uma vez que os seus gradeamentos tem mais de um metro e sessenta.

A cada dia que passa gosto mais desta área e cada vez mais me sinto em casa. Durante uns tempos lutei com um sentimento que esta não era a minha casa.Tudo era estranho após catorze anos no mesmo apartamento. Aos poucos o sentimento foi mudando e agora já quase nem me lembro como era viver antes.

Os meus tomates

A minha tentativa de cultivar tomates nan correu melhor que a das cenouras. Olho para os tomareiros e vejo dezenas de tomates. Começam a amadurecer e tem um aspecto bonito.

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Contudo a outra extremidade do tomate conta outra história.

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Pelo que pesquisei na internet pode ser um problema do solo, como o PH ou a falta de cálcio. Vou passar na loja de cultivo da zona para ver se me conseguem ajudar.

Jardim vertical de ervas aromáticas

A ideia de ter um jardim vertical não me saía da cabeça. No entanto não queria gastar dinheiro em estruturas e vasos. Procurei então ideias para o fazer com materiais recicláveis. Apenas precisei de uma palete, garrafões de água e o marido tratou do resto.

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Ainda tenho espaço para mais garrafões. Por agora plantei salsa, coentros, hortelã, tomilho e magericão. Resta esperar para ver se as sementes germinam.

Mãe já viste aquela nossa árvore?

- Mãe já viste a nossa árvore? - pergunta um dos mais velhos

- Já porquê?

- Está linda.

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- Está mesmo.

- Que árvore é?

- É um pessegueiro. Sabes porque dá flores?

- Não.

- As flores transformar-se noutra coisa.

 - No quê?

- Nos frutos.

- Já me lembro de ter aprendido isso na escola. Quer dizer que este ano vamos ter muitos pêssegos porque são muitas flores.

Tenho que me habituar a esta vida no campo

Meia dúzia de dias de escola, o Guilherme liga-me e pergunta se pode ir de boleia com a mãe um colega para casa. Eu nem estava a perceber o que me estava a pedir. Ele explicou-me que uma das mães dum colega se ofereceu para o levar a casa. Eu fiquei sem saber o que dizer. Não conhecemos ninguém na zona, nem pais nem crianças. Fiquei surpresa por aquela senhora se oferecer assim tão prontamente sem nos conhecer. Por outro lado tive algum receio, afinal existe tanta maldade no mundo. Acabei por lhe perguntar se era mãe de um colega da sala dele. Ele disse-me que sim e informou o nome do menino. Eu pensei que não queria ofender a senhora que tão simpaticamente se ofereceu mas por outro lado não queria abusar da generosidade. Lembrei-me que vivemos numa zona diferente e que as coisas aqui funcionam de outra forma e acabei por dizer que sim.

Tenho mesmo que me habituar a este tipo de vida, em que todos nos dizem bom dia na rua, em que todos se conhecem uns aos outros.

Quantas peras dá uma pereira?

É uma pergunta que tenho colocado a mim própria desde que comecei a apanhar pêras da nossa pequena pereira. Já comemos imensas e demos montes. Mesmo assim todos os dias estão pêras e mais pêras caídas e amassadas no chão. Ontem decidi apanhar tudo e ainda tirei um grande saco cheio.

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 Quase que nem o consigo levantar do chão de tão pesado que está. Vamos continuar a comer e se não dermos conta do recado transformou o resto em doce.

Quase que me esquecia de dizer que são totalmente biológicas. São tão doces que quase não há uma que não tenha vestígios de bicho.