Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

- MÃEEEEE?

Acordei em sobressalto com ideia de ter ouvido alguém chamar por mim. 

- Mãe!

O Santiago estava mesmo a chamar por mim.

-Chiu - sussurei para que percebesse que eu estava ali ao lado.

- Mãe? - chamou o Salvador 

- Chiu... 

- Mãe? 

- O que foi Santiago? 

- Eu adoro-te muito. 

- Eu também te adoro muito. 

- Mãe. 

- Diz Salvador. 

- Eu também te adoro. 

- Eu adoro os dois agora durmam. 

Já não se ouviu mais um piu lá em casa

 

desafio de escrita dos pássaros #5

Até para morrer é preciso ter sorte. Deixem que vos conte o que me aconteceu no dia em que bati as botas. A minha morte foi precipitada e inesperada pelo que não  tive tempo de deixar os assuntos em ordem. Inicialmente nem percebi bem o que me tinha acontecido. Apenas sei que vi uma luz que parecia chamar por mim. Como estava aflito para usar uma casa de banho apresei o passo. Eis que vejo os portões do paraíso e um fulano à minha frente. Pensei que dentro em breve já estaria a verter águas mas o idiota continuava à minha frente. Travava-se uma grande discussão e ninguém o queria aceitar. Curioso olhei para o individuo.

- Ó amigo! Peço desculpa mas já lhe disseram que é parecido com aquele sujeito, o Hitler.

- O próprio, encantado.

- O próprio? Então mas porque porra não está já no inferno?

- O diabo não me quer receber porque diz que as minhas acções estavam repletas de boas intenções.

- De boas intenções está o inferno cheio. Ó sr. Diabo o sr. não sabe o que este troglodita fez? Exterminou milhões de pessoas . Outras tantas morreram de fome. Milhões foram alvos das mais macabra experiências. As que sobreviveram ficaram marcadas para sempre. Qual é a duvida afinal?

- Eu não tenho duvida nenhuma que o lugar dele é no inferno.- explicou-me o diabo enquanto me afastava dos outros dois elementos - O problema é que tenho medo que ele me roube o lugar.

- Ãh...

 

O que o novo ano escolar fez por mim

Este ano a câmara municipal resolveu recusar o meu pedido de transporte escolar. Não foi uma recusa sem fundamento, afinal os rapazes não frequentam a escola da freguesia por opção nossa. 

Inicialmente fiquei um pouco melindrada com a decisão e busquei alternativas. Percebi que o passe escolar ronda os 20€ para cada um, 40€ a mais para o nosso orçamento. Achei o valor muito exagerado para fazer 3 quilómetros de percurso. Para além disso, os autocarros são dois ou três por dia com muitas limitações de horários.

Decidimos então que seríamos nós a assegurar o transporte deles. Até agora provou ser a melhor decisão. Não gastamos mais 40€ em combustível, nem nada que se pareça. Entram e saem da escola à hora que queremos. O autocarro da manhã chegava sempre em cima da hora e o Guilherme tinha que correr para chegar a tempo às aulas.

Tenho conseguido sair mais cedo de casa. Apanho menos trânsito, faço o percurso com mais calma e chego cedo ao trabalho. Muito melhor que o stress matinal com a iminência de chegar atrasada. Nada como entrar no local de trabalho, apreciar o silêncio e o aumento progressivo da actividade humana.

Esta mudança fez milagres pelo meu humor matinal😁

Quem me compreende

As minhas viagens de carro sofreram uma transformação. 

- Mãe viste como eu a mergulhar na natação.

- Vi sim, mas tens que fazer sem a ajuda da professora.

- Ainda só tenho cinco anos. Só os de seis fazem sozinhos.

- Não aquele menino pequeno tem quatro anos e consegue.

- Não tem.

- Sim tem.

- Não.

- Sim.

-  Não, não...

- Sim, sim...

- Não, não...

- Sim, sim...

Escusado será dizer que continuam a gritar os dois ao mesmo tempo tentando provar quem tem razão. Eu aumento o volume do rádio e tento que resolvam a coisa. A maior parte das vezes não resulta e acabo por ter que dar dois berros no carro. Acabam por se calar e ficar amuado o resto da viagem. 

A aldeia no Outono

Este fim de semana voltamos à aldeia. Os rapazes foram contentes e só perguntavam se não podíamos ficar mais dias. Infelizmente não tínhamos essa possibilidade e aproveitamos o máximo possível. 

Picamos os dedos para lhes mostrar as castanhas. 

IMG_20191005_160147.jpg

Apanhamos medronho para provarem. 

IMG_20191005_164443.jpg

Provamos água a cada fonte. 

IMG_20191005_161032.jpg

Ensinamos como funcionam as levadas. 

IMG_20191005_161629.jpg

Sobretudo deixamos que brincas sem, sem pressas, sem medos.

IMG_20191005_160932.jpg

IMG_20191006_121245.jpg

IMG_20191006_113350.jpg

 

desafio de escrita dos pássaros #4

Beatriz disse que não e agora questionava se deveria ter dito sim. No fundo sabia que não devia desperdiçar aquela oportunidade por causa de um receio.

O não saiu de imediato assim que abriu a boca. Antes mesmo de raciocinar já a palavra lhe saltava dos lábios.

Uma parte dela queria ter dito que sim. Sim iria à formação que lhe foi proposta. Iria por os pés num avião e voar até ao destino.

Outra parte tremia de medo com tamanha possibilidade. Nunca tinha ganho coragem para enfrentar este medo que tinha desde criança. Voar era uma coisa que a aterrorizava.

Agora este receio punha em causa o seu trabalho. Não podia esperar conseguir progredir na carreira se recusava este tipo de oportunidades. A chefia havia recomendado que pensasse melhor. O prazo para a resposta final estava a terminar e ainda não se tinha decidido.

Quanto mais pensava no assunto mais ansiosa ficava. Por fim decidiu dizer sim. Na pior das hipóteses tomava uns calmantes antes de embarcar e dormia o trajecto todo.

Sempre a abrir

São oito da manhã e estou pronta para sair de casa. Logo de madrugada coloquei a máquina da roupa e da loiça a lavar. Já ambas acabaram. Estendi a roupa, arrumei a loiça. Preparei mais uma máquina de roupa. Dei o pequeno almoço aos rapazes, coloquei a loiça na máquina.

São horas de sair e distribuir os rapazes pelas escolas. À hora de almoço vou ter que ir buscar um, dar-lhe almoço, apanhar a roupa que deixei estendida e pendurar a que ficou a lavar. Depois do trabalho vou à natação com os rapazes e só voltamos a casa depois das oito da noite.

O marido vai jogar à bola, vou ter que dar o jantar e arrumar a cozinha sozinha. Depois é rezar para não adormecer assim que me sentar😂

Pág. 2/2