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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

My valentine

Meu amor sabias que é o vigésimo dia dos namorados que festejamos? Pois é bem verdade. São vinte prendas que me deste e vinte que te retribui. Vou confessar-te a verdade, já não me lembro da maior parte das coisas que me destes e tão pouco me lembro do que te ofereci. Tu lembras-te?

Muito provavelmente algum biblô vermelho com um coração que está enterrado nalgumas das caixas que nunca desempacotamos desde que mudamos. Não leves a mal que não me recorde. Isso não significa de forma alguma que não tenham tido importância para mim. Significa apenas que tivemos demasiados momentos bons para me conseguir lembrar de todos. O melhor de tudo é que a maior parte dos momentos que guardo no coração são momentos de proximidade entre nós, momentos de riso em comum, momentos de passeios, momentos de refugio nos teus braços. De todos os presentes que me destes ao longo dos anos recordo meia dúzia. Uns porque os vejo diariamente, outros porque os guardo no coração. São os que guardo no coração que me colocam um sorriso no rosto mesmo apesar destes anos todos. Não sei o que me deste no ano passado mas recordo bem o que me ofereces-te no nosso primeiro dia dos namorados, ainda te lembras?

Estou certa que sim porque essa é uma das qualidades que me faz amar-te. Recordas-te sempre das coisas importantes e isso é bom demais. No fundo o que te quero dizer é que apesar de te ter moído a cabeça para me comprares alguma coisa na verdade não precisava de nada. A verdade  é que a única coisa que preciso é de ti.

P.S: Espero que também só precises de mim porque não te comprei nada

De novo em casa

Estou de novo em casa com os pequenos porque o Salvador está, outra vez, doente. Estou triste por ele estar assim. Não gosto de o ver a chorar a toda a hora. No entanto existe um lado bom destas mini doenças que é o facto de me darem mais tempo com os rapazes. Não me refiro só ao facto de ficarmos em casa mas também ao facto de não me largarem. Quando estão bem já estão muito independentes, sobem para o quarto de brincar e lá permanecem durante horas. Por vezes vou experimentar e estão embrenhados numa história com casas, dragões, pessoas...

Quando estão bem quase nem se lembram de mim mas tudo muda na doença e eu volto a ser a pessoa mais importante para eles.

Nestes dias só querem colo e mimo. Eu faço os possíveis para repor o stock em dia. O Salvador pede colo para descer as escadas de manhã e eu dou sem me queixar do peso dele. Pede colo no sofá e eu dou sem me importar que a roupa esteja por lavar. Passamos as tardes no sofá com os dois à dividirem o meu colo. Um porque está doente, o outro porque sente ciúmes. Também quer mimos da mãe e a contacto do irmão. Quando um está doente o outro tudo faz para o ajudar. Ontem, quando chegámos do médico, o Santiago tirou os sapatos e casaco ao irmão.

Adoro a proximidade deles, adoro que me deixem espreitar esse mundo só deles. Adoro quando se sentam os dois agarrados a mim e me dão beijos e mimos de forma espontânea. Fico doida quando me dizem que me adoram, que sou linda ou a melhor mãe do mundo.

Por isso os planos para hoje são acabar de ver o filme Beethoven,  ver  um Polícia num jardim escola e mimos muitos mimos, para os meninos e para a mãe. 

Eu e o Inverno

Durante anos até gostei do inverno. Adorava andar à chuva e sentir o cheiro a terra molhada. Amava saltar as poças de água, isto já crescida. Andava frequentemente toda molhada porque nunca usava um guarda chuva. Gostava dos dias de céu limpo e aproveitava as horas de sol para aquecer o corpo. Adorava ir à neve e brincar até o frio se entranha nos ossos.

Adorava em pequena e continuei a adorar durante muitos anos. Adorei até ser mãe. Quando os meus filhos começaram a nascer percebi que o inverno é sinónimo de tosse, ranho e febres.  Os dias frios e escuros estão acompanhados de noites mal dormidas entre doenças e preocupações.

Os dias são passados entre idas ao médico, farmácia e medicamentos. Quando pensamos que ultrapassámos o obstáculo aparece logo outro e recomeça tudo outra vez. 

Se pudesse mudava de sítio em sítio e só vivia no verão  

Monstros

Toda a vida o ser humano viveu com receio de monstros. Em pequenos temos medo do escuro, dos roupeiros, do vão em baixo da cama. Sonhamos com monstros assustadores, verdes, roxos, com muitos olhos, sem olhos, viscosos ou escamosos. Depois crescemos e o nosso medo é direcionado noutro sentido. Procuramos monstros no lago Ness, o abominável homem das Neves. Olhais para o espaço e questionamos-nos sobre o que viverá lá fora. Exploramos o fundo doa oceanos para garantir que estamos seguros. Matamos animais selvagens porque também são monstros que nos podem fazer mal.

No entanto, por muito que buscemos nunca vamos encontrar os verdadeiros monstros. Os verdadeiros vivem no meio de nós, vestem a nossa pele e falam as nossas falas. Vivem bem perto sem que, muitas das vezes, tenhamos a mínima ideia que não é uma pessoa normal. São pessoas que se cruzam connosco na rua, o vizinho a quem dizemos bom dia, o padeiro que nos trás o pão, um colega com quem trabalhamos diariamente. Pensamos que são pessoas normais até ao dia em que matam um filho, uma mulher, um companheiro, um familiar, um desconhecido. Até ao dia em que colocam uma bomba ou entram aos tiros por uma escola dentro.

Se calhar esta na altura de deixarmos de olhar para longe e passamos a olhar mais para perto em busca dos tais monstros. Estes sim são a verdadeira ameaça à nossa sociedade. 

Um mega mau dia

 - Mãe hoje foi um mega mau dia!

- A sério filho? Porquê?

- Fiquei de castigo mas não fiz nada de mal.

- Vocês nunca fazem nada.

- Foi assim. O Salvador estava a chorar. A professora perguntou porquê e ele disse que o Santiago não queria brincar com ele. Então ela colocou a mim de castigo. Eu disse que era o Santiago C. mas ela não ouviu. Eu não fiz nada e fiquei de castigo.

- Salvador estavas a chorar porquê?

- Eu queria brincar com o Santiago C. mas ele não queria brincar comigo.

- Vês eu disse que não fiz nada. Foi mesmo um mega mau dia. 

Hello Fevereiro

O teu irmão Janeiro não foi muito bom para nós. Foi um mês repleto de frio intenso, de doenças, de mortes. Foi um mês de tragédias pelo mundo fora e parecia que nunca mais terminava.

Felizmente agora chegas tu e eu tenho esperança que as coisas sejam um pouco diferentes. Sei que ainda não podes trazer temperaturas de verão mas podes pelo menos evitar o frio polar. Assim as doenças vão diminuir e ficamos todos mais felizes. Aos poucos os dias vão ficando maiores pelo que agradeço que não os deixei sempre cinzentos. Um pouco de sol dava jeito porque anima logo a nossa alma.

A meu ver já tens duas coisas boas a teu favor, começas logo a uma sexta feira e costumas passar num instante. Tenta só evitar mais acidentes trágicos e vamos ficar todos muito mais felizes. 

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