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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

As coisas que eu oiço

Devido ao calor intenso que se tem sentido resolvi trocar os pijamas que habitualmente visto por uma camisa de dormir. Saiu do quarto vestida com uma fresca camisa de dormir de cetim e o Guilherme pergunta-me:

- Mãe ainda vais sair?

- Vou sair? Claro que já não vou sair.

- Como vestiste essa roupa pensava que ias sair.

- Isto é uma camisa de dormir. Pensavas que ia para a rua assim vestida?

- Uma camisa e dormir? Não me parece nada.

- Pois não! - interrompe o Leonardo- Parece mais um fato de casamento!

Acho que vou guardar esta bela camisa para um casamento que vou ter para o ano...

Fase da competição

Os gémeos estão a passar por uma fase em que estão em constante competição. Quando comem fazem-no à pressa até que o primeiro a enfiar  ultima garfada e comer e gritar ganhei. Fazem corridas para subir as escadas, para entrar no carro, para se vestirem, para se calçarem...A verdade é que toda esta competição começa a perder a piada. 

Se estão a comer e o Salvador grita ganhei primeiro o Santiago chora porque não ganhou. Se, por outro lado, o Santiago é o primeiro a acabar o Salvador não se incomoda muito e grita logo de seguida que ganhou. Isto faz com que o Santiago comece a chorar porque o verdadeiro vencedor é ele. No fim, a situação acaba sempre com o Santiago zangado e, estas zangas lembram-me o quão parecido é com o Leonardo que nesta idade competia com a própria sombra. 

A competição não se fica só em ver quem é o primeiro e isso nota-se em relação à mãe. Quando um me dá beijo, o outro tratar de dar dois. Quando um me dá um abraço o outro vem dar um mais demorado e mais apertado. Quando os vou adormecer à noite gostam de colocar os braços e as pernas em cima de mim. O problema é que o braço e a perna do irmão estão no caminho, então é preciso empurrar para ganhar espaço e o que é empurrado não gosta disso.

Toda esta fase é muito complicada para a qual temos que ter muita paciência. Tentamos desvalorizar a importância de ganhar mas até à data ainda não tivemos grande sucesso. Resta-nos ter calma até esta fase passar e dar lugar a outra. 

E quando remamos contra a corrente

Gostava de conseguir escrever mais mas a verdade é que não tenho conseguido. Não vou dar a desculpa que é por falta de tempo porque não é totalmente verdade. Sim o tempo não é muito mas se tivesse, de facto, vontade conseguia arranjar um pouco. A verdade é que ando um pouco desanimada. Com o quê? Não sei bem. Com tudo e com nada. Porquê? Aos olhos dos outros, sem motivo aparente. Já perdi a conta às vezes que o marido me perguntou porque ando assim e a verdade é que nem eu sei bem.

Em parte acho que estou a sentir falta da semana que costumamos passar fora e que este não se concretizou. Pode parecer mentira mas essa semana é o suficiente para recuperar energias e este ano com a mudança de casa ainda tinha mais para repor. Sim tivemos férias mas estivemos sempre ocupados. Tínhamos muita coisa para resolver devido à mudança e quando demos por nós estávamos de volta ao trabalho.

O trabalho também não ajuda. Há anos que vemos coisas más e que esperamos que mudem. Fomos comprados uma vez e tivemos esperanças que a coisa entrasse nos eixos. Contudo depressa percebemos que iria ficar tudo na mesma. Meia dúzia de nós continuámos a remar contra a corrente e a tentar melhorar o que podíamos contudo quando nos cortam as pernas é difícil avançar. Os anos foram passando e as pessoas foram ficando cansadas. Fomos comprados novamente e o nosso coração encheu-se de esperança. A empresa entrou em grande, fez muitas mudanças e acreditamos que finalmente tinha chegado a resposta para as nossa preces. Contudo quando pensávamos que estacamos a começar a subir a montanha veio uma avalanche e voltamos ao inicio. Os poucos que remavam contra a corrente e começaram a desistir um por um e ninguém os pode culpar.

Fica uma situação de desanimo e de tristeza. Por muito que digamos à boca cheia que não nos importamos a verdade é que apenas nos tentamos enganar a nós próprios. A verdade é que o nosso coração sofre e continua a ter esperança que alguém abra os olhos e perceba que algo está mal. Até lá vamos dizendo a nós mesmos que não nos importamos e pode ser que um dia isso seja de facto verdade.

Hoje é o nosso dia.

Há treze anos atrás dizíamos sim na igreja à frente da nossa família e amigos. Há dezanove anos atrás trocávamos o primeiro beijo. Nunca, em nenhuma destas alturas pensamos que seriamos capazes de alcançar tanto. Nunca pensamos que teríamos esta família linda que temos. Nunca pensamos que teríamos o amor que temos. 

Se me perguntarem quando soube que ele era o homem certo para mim vou responder que nunca soube e no fundo sempre soube. Nunca soube porque nunca fizemos planos. Éramos duas crianças que se limitavam a viver um dia de cada vez mas no fundo ambos sabíamos que não vivíamos um sem o outro. Sempre soube porque ele nunca me pareceu outra pessoa, sempre senti que ele era parte de mim. Quando ele sofre eu sofro. Quando ele ri eu estou feliz. 

Não sei bem como explicar mas existe uma espécie de ligação entre nós. Aquele tipo de ligação que nos faz terminar as frases do outro. Que nos faz saber o que ele vai dizer antes de sequer abrir a boca. Que nos faz comunicar com um simples olhar.

Se é o homem perfeito? Não, não é o homem perfeito. Tão pouco acredito que haja tal coisa. Todos nós temos defeitos e qualidades e eu estou longe de acreditar que o amor é cego. Contudo é o homem perfeito para mim. Já diz o ditado que existe sempre um testo para cada panela e ele é o meu. Sei todas suas qualidades e defeitos e isso faz-me ama-lo mais.

Só para esclarecer, não somos o casal perfeito. Discutimos, amuamos, fazemos braço de ferro. Quase não temos tempo para nós. Eu chamo-lhe o meu estranho ele trata-me por desconhecida. Apesar de tudo consegue sempre fazer-me sorrir, mesmo quando estou furiosa, e quando olha para mim só vejo amor nos seus olhos.

Hoje a nossa relação celebra mais um ano. Eu olho para ele e não percebo como passaram tantos anos. Parece que ainda foi ontem que nos conhecemos. Os anos passaram a voar e eu só espero que os próximos sejam mais gentis connosco para que possamos aproveitar mais a nossa família.

O Google enganou-me!

Sou grande fã do Google. Cada vez que tenho uma duvida, preciso de um contanto, morada ou horário vou ao Google e encontro a resposta. No entanto percebi recentemente que a biblioteca que frequento e o Google não se entendem. Já é a segunda vez que vou para requisitar livros e bato com o nariz na porta. Tenho o cuidado de verificar se está aberta antes de sair de casa. Faço todo o percurso até ao edifício e dou com a porta fechada. 

Eu fico muito chateada porque faço todo o trajecto em vão e volto de mãos a abanar. Só espero que estes dois se entendam e passem a comunicar melhor para eu conseguir trazer uns livros para casa.

Acabei de sentir a terra a tremer

Senti a casa a casa a estremecer, ouvi o barulho de vidro a vibrar, os copos tilintaram nos armários. Os pássaros calaram-se, os galos deixaram de cantar, o único ruído que se ouvia era o dar estruturas a oscilar. Eu fiquei parada no mesmo sitio a tentar perceber se o chão estava mesmo a abanar ou se era tudo fruto da minha cabeça. Quando parou espreitei para a rua e estava tudo normal. Os vizinhos não saíram de casa. Os rapazes continuavam a dormir. Os pássaros voltaram ao ritmo normal.

 Liguei a televisão e não havia noticias sobre o assunto. Pensei que tinha alucinado até que, quando me preparava para desligar a televisão, apareceu a noticia do pequeno sismo que foi sentido na zona de Lisboa. Foi de uma intensidade pequena mas foi bastante perceptível pelo menos para quem está acordada como eu. Quem mais sentiu o chão a tremer e ganhou um novo respeito pela força da natureza?