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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Primeiros passos da nova aventura

Devido à velocidade com que a mudança de casa se desenrolou fiquei preocupada sobre uma creche para os gémeos. É certo que há muitas creches na zona nova mas poucas que a nossa carteira consiga pagar. No passado dia 24 fui, não muito confiante, a uma IPS perguntar se tinham vagas para dois meninos de dois anos. Para meu grande espanto disseram-me que sim e que poderiam começar já no inicio de Maio. Entrei então numa corrida contra o tempo para reunir a documentação necessária, que é mais que muita já agora, e conseguir anular a matricula no estabelecimento antigo. Felizmente o universo sorriu para nós. A creche antiga aceitou a desistência embora não tenhamos cumprido os quinze dias de antecedência. A medica passou as declarações sem ser necessário leva os pequenos a uma consulta. O resto da documentação foi só preencher e fotocopiar papelada. Três dias depois já estávamos com tudo em dia para podermos entrar.

Ontem, foi então o grande dia. Os pequenos iam eufóricos no carro por saberem que iam para uma escola nova. Entraram contente, começaram logo a brincar e nem quiseram saber de mim para nada. À hora de almoço liguei para saber deles. Disseram-me que a manhã tinha corrido lindamente e que estavam a dormir de mão dada. Quando os fui buscar estavam sentados à mesa tão entretidos que nem deram por mim. Na viagem para casa contaram-me tudo sobre o dia, eu não percebi metade mas não faz mal.

Foi um bom dia e espero que continuem a gostar. É bom terem um pouco de tempo para se habituarem à escola nova antes da mudança de casa, assim não são muitas mudanças ao mesmo tempo.

Já começa a enjoar

Os supermercados desenvolveram a técnica de nos premiar pela quantidade de compras que fazemos. Eu, pessoalmente fico com a sensação que nos estão a dar uma recompensa como fazemos a um animal que aprende um truque. Pior ainda aperceberam-se agora que a melhor forma de chegarem aos pais e avós é direccionando os prémios para os mais pequenos. Neste momentos temos os super animais, a turma dos sementinhas e os animais da quinta tudo ao mesmo tempo. Está aberta uma guerra entre supermercados e nós estamos apanhados no meio. Os meus filhos vêm da escola a comentar que um colega têm o boneco X ou Y, que outro colega tem aquela semente especial. Eu já lhes expliquei que podem tirar o cavalinho da chuva porque eu não vou andar a fazer compras à parva para ganharem o que quer que seja. Vou continuar a comprar o que quero onde quero e nada me vai fazer mudar isso.

Também já informei os avós que já temos tralha de sobra em casa e não queremos mais nada.

Decisões dificeis

Ao longo do ultimo ano travamos uma luta interna. Vimos os pequenos a crescer e a roupa a crescer com eles, sentimos o barulho a aumentar dentro de casa, sentimos o espaço a diminuir. Lutamos, lutamos muito contra a ideia de mudar de casa. Tentamos arranjar soluções de arrumação,fizemos escolhas periódicas do que já não usamos para ganharmos espaço. No entanto as coisas continuaram a aumentar. No inverno deparei-me com um problema com a roupa dos gémeos que dobrou de tamanho desde o ano passado. Fiquei com o roupeiro cheio, a parte dos pendurados ficou sem espaço para casacos e nas prateleiras não cabiam as calças e camisolas todas. O roupeiro extra que compramos está cheio, metade tem roupa do Leonardo e a outra está cheia com roupa do Guilherme. Para além da roupa de vestir temos roupa de cinco camas o que significa muitos lençóis e edredons. Temos sapatos de seis e uma montanha de tolhas para esta família numerosa. A arrecadação de 4 m2 está cheia com ferramentas, escadote, bicicletas, primeiros trabalhos da escola, álbuns de fotografias, árvore de natal e decorações, caixas de roupa para os gémeos....

Começamos a pensar onde poderíamos colocar mais moveis para acomodar a roupa e sapatos. Tentávamos agarrar-nos à nossa casa. Gostávamos da familiaridade e do conforto que nos proporciona. Gostávamos também do valor da prestação que nos permitia algum desafogo. 

Eu nunca quis mais encargos, aliás nem quis comprar uma casa de férias quando o marido teve essa ideia. O que eu queria mesmo era juntar o dinheiro e viajar todos os anos. No entanto a realidade chamou-me à razão. Será que valeria a pena vivermos tipo sardinha em lata durante 11 meses do ano para podermos ter uma ou duas viagens por ano? Será que valeria a pena comprar mais móveis o que iria resolver  arrumação mas iria limitar o espaço que temos para nos mexermos?

Acabei por perceber que merecíamos melhor. Os nosso filhos mereciam melhor. Começamos então o processo de mudar de casa e temos vividos dias loucos.Entre visitas a imóveis, bancos, avaliações, certificados energéticos, contratos de promessa de compra e venda, imobiliárias... Estamos cansados mas já vemos a meta.

O problema é que a meta não trás a sensação de euforia que pensamos que traria. A meta trás uma sensação agridoce de quem têm que deixar a primeira casa. Uma casa que continuamos a adorar e que está cheia de recordações. Uma casa onde todos os meus filhos deram os primeiros passos e disseram as primeiras palavras.

Vai ser difícil fechar a porta.

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