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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Logo vi que era fruta a mais

O Guilherme tem chegado a casa todos os dias com a lancheira. Eu andava super contente porque o rapaz parecia estas finalmente a atinar. Entretanto fui busca-lo à escola, ele saiu e ficou comigo à espera pelo Leonardo. Enquanto estávamos à espero uma das colegas dele sai da sala a correr enquanto chama:

- Guilherme! Guilherme!

- Estou aqui, o que foi?

- Toma a tua lancheira.

- Guilherme quase que te esquecias hoje.- brinquei eu

- Ele esquece-se todos os dias. Nós é que vimos sempre a correr atrás dele para lhe entregar. - explica a rapariga

- E eu que estava com esperanças que ele tivesse a ganhar tino.

A cabeça deste rapaz vai andar sempre na lua.

Já nem fico envergonhada

Ontem ao sair da escola o Santiago desatou a correr de braços abertos enquanto gritava pai. Eu segui o rapaz com o olhar sabendo que o meu marido não estava nem por perto. Vi-o então correr para um homem que nem sequer era parecido com o marido. O senhor parou com ar surpreso perante a criança que corria para ele, depois olhou para mim e o eu olhar dizia: "não sei o que andas-te a dizer ao rapaz mas eu nunca te vi na vida". Eu limitei-me  abaixar o olhar para o pequeno, peguei-lhe na mão e disse-lhe que o pai estava em casa.

Continuamos o percurso até ao  carro. Estava a ajudar o Salvador a entrar quando oiço:

- Guilherme estás aqui.

Levanto os olhos e vejo que o Santiago se prepara para abraçar um miúdo que também não era o irmão. O rapaz e a mãe olhavam de forma confusa para o pequeno. Eu tive que intervir dizendo ao rapaz que estava enganado e não era o irmão.

O rapaz estava especialmente confuso ontem e cheguei a pensar se deveria voltar com ele ao oftalmologista. Seria de esperar que ficasse envergonhada com o assunto mas já nem ligo. Digamos que ao fim de quatro já passei tantas vergonhas que fiquei imune.

O mistério das coisas desaparecidas

Começamos aos poucos a preparar as coisas para a mudança. Todos os dias o marido vai empacotando coisas que não nos fazem falta no dia à dia. Os gémeos são perspicazes e basta faltar uma coisa que já andam a fazer perguntas. Todos os dias chegam a casa e gritam muito admirados que as coisas desapareceram.

Quando falam ao telefone fazem questão de dizer às pessoas que as coisas estão a desaparecer como se se tratasse de um mistério. Já lhes tentei explicar mas ainda são muito novos para perceber o que está a acontecer.

No entanto até tem trazido alguma animação neste últimos dias. Assim que entram em casa correm a ver o que está diferente e tratam de enumerar tudo. Mencionam o que desapareceu e mostram-nos que a pilha de caixotes está a crescer. Tudo é uma animação com este miúdos.

Tenho chegado tarde a casa

A culpa destes atrasos é da piscina de bolas que existe na escola. Todos os dias atrai os pequenos com o seu canto de sereia e depois é me impossível convence-los a sair. Tento conversar, pedir, ameaçar que me vou embora mas nada resulta. Tão pouco resulta tira-los à força porque enquanto tiro o segundo o primeiro volta a entrar. Já desisti limito-me a deixa-los brincar enquanto contemplo a felicidade deles.

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Papeis, papeis e papeis

No sábado aproveitei que os pequenos estavam em casa da avó e tratei de arrumar a secretária.Dentro das gavetas encontrei perto de uma resma de papeis, estão numa fase horrorosa em que guardam todos os papeis e bilhetes.

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Eles têm carteiras e dinheiro.PE_20170508_062857.png

Olhos diabólicos.PE_20170508_062816.png

Papeis com nem sem bem o quê.PE_20170508_062617.png

Pequenas histórias de um.PE_20170508_062641.png

A colecção de livros de outro. São para ai uns seis, todos começados e nenhum acabado.PE_20170508_062758.png

Ainda me diverti a fazer a triagem e acabei por guardar mais coisas do que estava à espera. Não fui capaz de lhes deitar tudo fora embora saiba que não se lembram de metade do que está naquelas gavetas.

Gostava muito de conseguir escrever mas...

A sério que gostava muito de conseguir escrever qualquer coisa mas não consigo parar de espirrar. As minhas alergias tem andado em força esta semana mas hoje estão especialmente em alta. Assim que me levantei comecei a espirra e não consigo parar. As lágrimas saem espontaneamente dos olhos, o nariz não para e já usei um maço inteiro de lenços.

Demorei quase meia hora a escrever esta meia dúzia de linhas, estou sempre a parar para espirra ou assoar o nariz que  já começa a doer. Para além  disto tudo tenho uma vontade imensa de coçar os olhos. Vai ser um dia difícil! 

Espero que por ai andam melhor que eu. Boa sexta-feira.

E as mulheres é que se preocupam com a aparência?

Ontem sai do trabalho directa para uma reunião na imobiliária. Levei os pequenos e encontrei o marido no local. Saídos da reunião os pequenos começaram a pedir pão e o marido resolveu ir comprar. 

- Tens trocos?- perguntou-me

- Acho que sim.- respondi-lhe enquanto lhe estendia a carteira das moedas - Se quiseres tira umas moedas e devolve-me a carteira para eu arrumar.

- Claro que vou fazer isso. Achas que ia andar por ai com esta carteira nas mãos?

Não percebo o comentário até porque a minha carteira é preta e bastante discreta. A verdade é que é impensável para ele andar com um objecto de mulher nas mãos. Se lhe pedir para segurar na minha mala por uns minutos olha para mim horrorizado, acaba por a segurar mas o mais longe possível do corpo para indicar que o objecto não lhe pertence. Depois tem a mania de dizer que me preocupo muito com a aparência. 

Será que é só o meu que é assim? 

Eu, só eu...

Ontem a caminho de casa tive uma situação caricata. De um momento para o outro o carro começa a apitar e eu começo a perceber o motivo de tanto alarido. Vi então que o Salvador tinha tirado o cinto de segurança e fui forçada a parar o carro. Tive que encostar numa zona de terra à beira da estrada mas como era estreita fiquei mesmo rente ao traço continuo. Aproveitei uma brecha no transito, sai do meu local e enfiei-me no banco de trás para apertar o cinto ao rapaz.

Ralhei com ele e disse-lhe que não podia fazer aquilo. Ele desatou a chorar, eu tentei acalma-lo quando comecei a ficar em pânico perante a asneira que tinha feito. Quando me sentei no banco de trás deixei que a porta fechasse porque não queria que algum carro ma arrancasse, o problema é que temos a tranca de crianças activada. Assim dei por mim fechada junto com os miúdos no banco de trás. Tentei baixar o vidro para alcançar o puxador do lado de fora mas também os vidros estão trancados para segurança dos pequenos.

Pois estava ali presa com o carro a trabalhar, chave na ignição, o Salvador a chorar e eu só pensava o que mais poderia correr mal. A única opção era passar por entre os bancos para os lugares da frente. Num carro normal isto até nem corre mal, mas no nosso é um pouco mais difícil devido aos apoios de braços que diminuem o espaço entre bancos e por causa da consola de arrumação que existe entre os bancos, no local onde costumava estar o travão de mão. Juntem a isto o facto de eu conduzir com o banco colado ao volante e o espaço para me enfiar entre o banco e o volante é quase inexistente. Acabei por fazer quase a espargata, apontei a perna direita para o buraco disponível, deixei a esquerda no espaço de trás. Depois deixei-me deslizar para o banco do condutor sem saber o que fazer á perna esquerda. Lá consegui juntar o joelho à testa e roda-la para o sitio certo.

Se me cansar da minha profissão actual posso ir trabalhar como contorcionista. No fim chegamos a casa sãos e salvos. O marido perguntou porque tinha demorado tanto eu limitei-me a sorrir e pensar se ele soubesse....