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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Juro que nem consigo raciocionar

Tem sido uma semana difícil. Uma correria imensa no trabalho, muito stress. Não tenho conseguido sair a horas o que significa que tenho chegado tarde  a casa. O Salvador passou as ultimas três noites cheio de febre e o as nossas horas de sono foram drasticamente diminuídas.

Hoje acordei bem antes do despertador. O meu corpo queria continuar a dormir mas o meu cérebro não colaborou. Resolvi vir escrever mas o estou demasiado cansada para divagar sobre alguma coisa. Felizmente é sexta-feira e só tenho que reunir um pouco de forças para aguentar o dia. 

Bom fim de semana.

São Pedro bipolar

Cada vez acho mais que São Pedro deve ser bipolar e largou a medicação de vez. Só isto justifica estas mudanças diária na meteorologia. Num dia está a chover, noutro estão 30ºC e no dia seguinte já chove novamente.

Eu estou cansada e confusa com tanta mudança para já não falar que não sei o que vestir. Ontem chover visto uma roupa meia estação e passo calor o dia todo. Ontem teve calor vou mais à fresca e aproveito para lavar os pés com a água da chuva. Sinto esta dificuldade também na hora de vestir os rapazes que ora se queixam de ter tido calor, ora de ter tido frio.

São Pedro por favor volte à medicação e atine lá o tempo. Não lhe digo que temperatura colocar mas pelo menos mantenha a coisa mais estável para a malta saber o que vestir.

Água na hora de dormir, mito ou ficção

Lembro-me de ler livros de banda desenhada. Lembro de adorar, particularmente, uma história do pato Donald e dos seus três sobrinhos na qual o tio passava um autêntico horror por causa da sede dos pequenos. Ele colocava os sobrinhos na cama e ainda nem se tinha sentado no sofá já um deles estava a pedir um copo de água. Seguiam-se enumeros sobe e desce escadas cada uma das subidas para matar a sede a um dos pequenos. Às tantas o pato tinha um daqueles ataques de fúria tão característico dele mas quem é que o conseguia criticar perante tal situação.

Eu adorava aquela história sem saber que afinal representava uma situação real, pelo menos real cá em casa. É só dizer que está na hora de dormir e todos eles se lembram que têm sede, melhor falando por norma um menciona que tem sede e os restantes percebem que também têm. Segue-se uma rumaria até à cozinha onde todos bebem água e mais do que uma vez até. Os gémeos, por exemplo, gostam de marcar posição como sendo o que bebeu o ultimo golo, pelo que por norma, ficam a dar pequenos golos à vez a marcar posição até eu me danar e mandar tudo para a cama. Existem outros dias em que até os consigo meter na cama sem a dita rumaria à cozinha mas passados uns minutos oiço algum pedir água e acabo por ter que dar água a todos.

Já desisti de lutar contra esta situação porque já percebi que não adianta. No fundo até já tivemos uma fase pior quando o Guilherme aprendeu na escola que podia morrer à sede. Todos os dias antes de deitar bebia dois copos de água bem  cheios e perguntava:

- Esta água já chega para aguentar durante a noite?

Perante uma resposta afirmativa lá seguia para a cama. Tentamos explicar-lhe que não se morria de sede durante a noite e que se fosse necessário iria acordar com sede e depois podia beber mais. No entanto nada resultou e durante mais de um ano tivemos a mesma cena ao deitar. O rapaz na cozinha a forçar-se a beber água, sim porque muitas vezes víamos que estava a lutar para a conseguir engolir, e a pergunta da praxe.

- Esta água chega para eu não morrer até amanhã?

Felizmente acabou por passar e hoje não temos este problema no entanto temos outro igualmente chato. O Leonardo pede sempre ao irmão que lhe vá buscar um copo de água e quando lhe dizemos para ir ele responde:

- Tenho tanta sede que nem consigo.

De manhã acorda e diz:

- Tenho tanta sede que nem me consigo mexer podes trazer-me água.

Um que pensava que ia morrer, outro que com sede não se consegue mexer e os gémeos que fazem competições para ver quem é o ultimo a beber. Cada um com o seu tique e nós vamos assistindo a isto tudo sabendo que são fases que vão passar e dar inicio a outras ainda piores.

Depois disto fico a pensar se todas as crianças pedem água na hora de dormir?

Um frio na barriga

Ontem quando o Guilherme se sentou à mesa, depois do treino da bola e de um duche, já todos tínhamos jantado. Eu sentei-me um pouco com ele para lhe fazer companhia enquanto comia. Estávamos os dois sentados um ao lado do outro e ele disse:

- Vou ter muitas saudades desta casa.

Não consegui deixar de me emocionar ao mesmo  tempo que sentia um frio no estômago. A cada dia que passa vemos o dia a chegar e não conseguimos deixar de nos perguntar se fizemos a opção certa. Aos poucos vamos arrumando as nossas coisas e descaracterizando esta casa que conhecemos tão bem. Todo este processo tem sido difícil para nós e à frente visualizamos toda uma mudança  que nos assusta um pouco. Não se trata de uma simples mudança de casa mas sim toda uma mudança de estilo de vida, ou pelo menos esperamos nós.

O tempo dirá se tomámos a decisão certa ou não e até lá vamos vivendo com esta duvida que se entranhou em nós.

Adeus momento zen

Tinha um momento zen todos os dias. Melhor dizendo tinha dois momentos zen todos os dias que consistiam nas viagens que fazia para o trabalho. Nessa meia hora de manhã e ao final do dia conseguia desfrutar de um pouco de paz e silencio. Tinha um pouco de tempo para raciocinar, para relaxar a ouvir musica ou simplesmente para viajar em silêncio. Chegava a casa com uma nova disposição graças aqueles minutos só para mim.

Agora tudo mudou. Desde que levo os pequenos para a escola nova tudo ficou diferente. Já não tenho momento de silêncio, as viagens são feitas com os rapazes sempre a chamar por mim e a exigir atenção. Ele avisam-me quando passa um camião, um carro dos bombeiros ou um supermercado. Fazem questão de os enumerar todos, eu tenho que lhes demonstrar que ouvi e entendi caso contrário repetem o que disseram igual a um papagaio até eu perceber o que disseram. Para além disso temos os amigos pandas que passam a vida a cair e depois os pequenos choram porque não os conseguem apanhar do chão do carro. Eu acabo por me esticar e apanhar os ditos só para não os ouvir. pior ainda é o facto de reclamarem comigo cada vez que paro o carro num sinal ou fila. Estão sempre a dizer para eu andar depressa e odeiam estar parados o que nem sempre é fácil devido ao transito.

A minha musica foi substituída por CDS de musica infantil, ainda por cima estão numa de só querer ouvir um determinado CD que toca e volta a tocar vezes sem conta. As musicas até são engraçadas mas já não as posso ouvir mais.

Apesar disto tudo o facto de andar com eles atrás também tem muita coisa boa. Tenho companhia. Eles demonstram uma curiosidade imensa e querem saber tudo. Apontam para tudo o que se cruza no nosso caminho e perguntam o que é. Eu explico e no dia seguinte fico contente quando repetem as minhas palavras quando voltamos a passar pelo sitio em questão. Sinto que acompanho mais o crescimento deles que nestes últimos tempos tem crescido exponencialmente.

Aos poucos vamos adaptar-nos e qualquer dia já nem me vou recordar do meu momento zen.

Paredes de destaque

Muito se ouve falar em paredes de destaque no mundo da decoração. Uns usam tinta de cor diferente, outros aplicam papel de parede, existe ainda que faça combinações de ambos ou quem se atreva a fazer riscas e, ou desenhos.

Cá em casa, como gostamos de ser diferentes, resolvemos fazer algo diferente. Ainda está no começo mas digam lá que não é uma parede de destaque.

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Fiz o que já não fazia à muito tempo

Li sobre o livro no blog da Mula e fiquei logo atraída pela história. A Mula fez o favor de mo emprestar e na sexta estava na minha caixa do correio.

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Não peguei logo nele porque tenho mil e uma coisas para fazer devido à mudança. Passei o sábado a limpar e arrumar mas cada vez que passava pelo hall de entrada os meus olhos recaiam sobre ele. Ao fim da tarde resolvi que merecia um pouco de descanso e fui ler um pouco enquanto o marido via o Benfica. Comecei a ler e fui imediatamente transportada para dentro da história. É um daqueles livros que nos prende desde a primeira palavra e que faz com que as horas passem sem darmos por elas. Quando me apercebi o marido já estava a preparar o jantar, já tinha terminado o jogo e eu nem tinha dado por nada. Resignada pousei o livro embora fosse a ultima coisa que me apetecesse fazer. 

No domingo seguiu-se um novo episódio de escolha e empacotamento em série. Ao fim da tarde sentei-me um pouco e peguei novamente na história. Li mais um pouco sobre as atrocidades que foram cometidas. Senti as lágrimas caírem com os horrores que aquelas crianças passaram. O meu coração de mãe ficava angustiado cada vez que se falava na fome que aqueles pequenos seres passavam.

Chegou a hora de deitar e o meu coração estava inquieto. Só conseguia pensar na história e como terminaria. Talvez pelo facto de sentir a minha ansiedade o Salvador não caia no sono nem por nada. Demorou perto de hora e meia  a adormecer mas mesmo assim eu não quebrei. Era uma pessoa com um objectivo e fiz o que já não fazia à muito tempo. Fui para o sofá munida com o telemóvel em modo lanterna e terminei as ultimas páginas que faltavam.

Depois de terminado posso dizer que tem uma história muito boa. Sim fala de horrores e de atrocidades mas também fala de esperança e  de força para lutar. Fiquei especialmente impressionada com a forma como a personagem principal foi capaz de manter um certo optimismo o que ajudou muitos outros.

Situações embaraçosas

Ontem contei sobre os enganos do Santiago que me deixaram em situações um pouco estranhas contudo este tipo de situações embaraçosas começaram à muito tempo atrás.

A primeira que me lembro era o Guilherme ainda pequeno. O rapaz teria uns três anos e tinha começado a falar à muito pouco tempo. Devido aos problemas que teve a fala veio tarde e pouco explicita. Não me lembro onde tinha ido com o rapaz nesse dia, só me recordo que fui tratar de alguns assuntos o que nos fez andar bastante. Já no fim das coisas tratadas e na urgência de voltar para casa vi um elevador a parar e corri junto com o pequeno para entrar nele. Conseguimos entrar à justa num elevador lotado e quando as portas fecharam o rapaz diz em alto e bom som:

- Mãe estou tão cagado!

Fez se um silêncio absoluto dentro do elevador. Daqueles silêncios constrangedores e eu só pensava se seria possível o rapaz ter borrado as cuecas. Comecei a suar de nervosismo enquanto pensava como ia para casa com o rapaz naquele estado. O elevador parecia que não andava, juro que as pessoas retinham a respiração e eu só queria sair. Por fim as portas abriram-se e saímos apesar de nem ser o andar que pretendíamos. Agachei-me à altura do rapaz e perguntei:

- Guilherme fizeste cocó?

- Não.

- Mas tu disseste que estava cagado.

- Sim mãe estou cagado. Assim af, af,af - explicou imitando um cão a arfar

- Filho tu estás cansado?

- Sim mãe!

O que uma simples palavra pode fazer. Se acham que está é má leiam a que contei aqui.