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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Hoje é dia de festa!

Não,não comecem já a cantar os parabéns.

Sim, eu sei que disse que é dia de festa mas ninguém faz anos.

Então é dia de festa porquê?

As obras de Santa Engrácia que duraram muito mais que o aceitável estão finalmente prontas. Houve casas inteiras construidas em menor tempo que demoramos a ter um poliban funcional, só um poliban. É mais fácil ter um filho do que fazer uma pequena obra. Digo-vos que podia escrever um livro só sobre esta pequena obra.

Por isso minha gente hoje é um dia de festa. Estamos todos muito contentes e está tudo ansioso para experimentar a coisa.

Provavelmente estão a pensar que sou uma exagerada, onde já se viu tanta felicidade por um simples poliban.

Pois eu só vos digo para tentarem conciliar seis banhos numa só banheira depois de um dia de trabalho e depois vão perceber a alegria que sentimos.

Amor de gémeos

Vejo-vos crescer meus filhos. Os três anos estão quase à porta e vocês estão menos bebés a cada dia que passa. Todos os dias aparecem com uma palavra nova, com um comportamento diferente. Começam a fase de quererem ser independentes, aquela em que julgam que já não precisam de ajuda de ninguém. Estão também numa fase de procurar independência um do outro. Têm guerreado muito. Tudo o que um tem o outro quer, passam a vida a roubar os brinquedos um ao outro e claro que o que foi roubado parte para a violência. Gritam um com o outro enquanto cada um puxa um brinquedo para si como se estivessem a jogar ao jogo da corda.

É uma fase difícil. Tem havido muito choro e muito galos na cabeça infligidos por um brinquedo que o irmão lhe atirou à cabeça num ataque de fúria. Nós tentamos mediar a coisa mas não é fácil porque agora é um o lesionado mas logo a seguir é o outro.

No entanto nem tudo é mau. Existem também fase boas em que vos vejo sentados em conjunto a montar puzzles, adoro a forma como um procura as peças e ajuda o outro. Adoro o facto de andarem sempre um atrás do outro independentemente de tudo, podem ter-se chateado mas passados dois minutos já estão à procura do outro. Existem momentos em que vejo o quanto se adoram um ao outro. Quando um acorda primeiro não descansa enquanto não desperta o irmão. Quando dou uma coisa a um pede sempre para o irmão. Recentemente passamos por uma situação muito divertida. Tu Salvador tiveste medo do urso da Natura, vincavas os pés no chão para não te conseguirmos aproximar do urso. Entretanto percebes-te que o Santiago se ia aproximar do urso com o pai pelo que largas-te a minha mãe e foste pegar na do teu irmão. Começas-te a puxa-lo para trás enquanto gritavas: " não Santiago urso mau". Tornou-se óbvio que estavas preocupado com o teu irmão.

Sei que estas minhas memórias não iram durar para sempre. O tempo é inimigo neste caso e desvanece tudo mas gostava de conseguir manter o máximo possível. Tento fotografar para recordar mas muitas vezes na foto fica apenas uma imagem. De vez em quando tenho sorte e tiro alguma que parece que fala connosco. Uma daquelas em conseguimos sentir as emoções do  momento e esta para mim é uma delas.Deixo-vos uma foto que capta tão bem o amor que sentem um pelo outro.

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Não podem ser só dias maus

Ontem foi um dia muito bom. Um daqueles dias em que a sorte está do nosso lado, acho que ajudou o sol brilhar lá bem bonito no céu. Foi um dia atarefado mas fui recebendo boas noticias uma atrás das outras. Resolvemos uma situação que nos estava a limitar o que significa que vamos conseguir avançar com projecto que temos. Vamos lá ver se é desta que conseguimos ou se nos aparece outro entrave. 

Recebemos também noticias sobre a operação do Santiago. Já estávamos à espera à mais de una ano e vai saber bem encerrar o assunto. A nível de trabalho vêm ai um pequeno desafio e se há coisa que eu adore é desafios. A nossa casa de banho avançou finalmente e está a um passo de ser terminada. Foi uma aventura muito triste que nos deixou os cabelos em pé, foi mais difícil que ter um filho. Quando tiver um pouco de tempo e o trauma tiver acalmado conto-vos as nossas peripécias.

A ultima noticia boa foi perceber que tinha recebido um destaque pelo post de ontem, o primeiro deste ano e já não era sem tempo. Agora deixando as brincadeiras, agradeço à equipa sapo pelo destaque.

Espero que a minha maré de sorte dure mais uns tempos afinal todos merecemos uns dias bonitos. 

O Sol voltou a brilhar

Adoro acordar de manhã e ver a luz do sol a entrar pelas ranhuras dos estores. Sair da cama já com claridade e sem ficar enregelada assim que coloco um pé de fora. O sol brilha lá fora e isso deixa-nos mais bem dispostos. A temperatura subiu e isso deixa-nos mais felizes. Os pequenos têm acordado melhor e mais animados. Não se queixam do frio nem dos quilos de roupa que têm que vestir.

Conseguimos sair de casa a horas e sem grandes chatices. Os mais velhos vão contentes porque podem brincar à vontade no recreio. Não há chuva a impedi-los de jogar à bola. Não há frio que os obrigue a permanecer nas sala durante o intervalo.

Os pequenos também vão mais animados. Podem finalmente sair à rua sem sentirem frio ou ficarem molhados. Conseguimos ir ao parque. Passear pelos relvados verdes. Apanhar flores que começam a desabrochar com a aproximação da primavera.

Sei que este calor não deve nem podem ficar assim por muito tempo. Sei que está demasiado quente para a época mas por enquanto vamos aproveitar para passear e nos divertirmos.

A simples tarefa de cortar unhas

O marido saiu do banho e cortou as suas próprias unhas. Um dos gémeos aproximou-se do pai e este disse:

- Anda cá que também tens a unhas grandes.

Cortou-lhes as unhas das mãos e dos pés. Foi buscar o segundo gémeos e fez o mesmo.

- Guilherme, anda cortar as unhas.

- É só das mãos não é pai? - pergunta o rapaz ( nunca percebi porque têm tanto medo de cortas as unhas dos pés)

- Temos que cortar todas.

Acabou  serviço a este, chamou o Leonardo e mais vinte unhas cortadas.

- Finalmente acabou, estou farto de cortar unhas.- confidenciou-me o marido

Por aqui a mais simples tarefa tornou-se complicada porque isto de tratar de unhas à centena tem muito que se lhe diga.

Somos uma sociedade civilizada, então porque é que continuamos a ignorar a nossa saúde?

Um dia destes, subia eu dentro do elevador da garagem para o quarto andar quando o elevador parou no R/C. As portas abriram-se e eu dei de caras com o filho de uma vizinha que já não via à imenso tempo. Partilhamos o espaço durante alguns segundos até ele sair no andar pretendido mas ainda hoje vejo a imagem daquele rapaz à minha frente. Fiquei muito impressionada com o tamanho do miúdo mas não foi no bom sentido. O rapaz é mais novo que o meu Guilherme pelo que deverá estar a fazer os nove anos mas parece muito mais velho. Não que seja particularmente alto mas pelo excesso de peso que têm. Excesso de peso não, a criança é totalmente obesa.

Ainda consigo vê-lo a entrar no elevador, a dificuldade em andar, o facto de andar com as pernas muitíssima afastadas uma da outra. As costas larguíssimas, mais largas que as de muitos adultos e a ausência de pescoço. O rapaz deve medir menos de um metro e quarenta mas aposto que deve ter mais de setenta quilos.

Continuo a ficar chocada cada vez que vejo uma criança assim. Não consigo deixar de pensar como é que os pais, os avós e outros familiares que gostam deles os deixam chegar a este ponto. Será que não existe informação suficiente sobre o quão prejudicial é este excesso de peso em tão tenra idade. Será que ninguém se preocupa com as repercussões que terá a saúde desta criança no futuro. Não estamos a falar de algum excesso de peso porque é raro quem não o tenha. Estamos sim a falar de um peso que afecta ossos e articulações que neste caso ainda estão em crescimento. Estamos a falar de possíveis diabetes e outras inúmeras doenças que podem dai advir.Cada vez mais sabemos os males que a obesidade causa mas isso não impede esta doença de continuar a crescer cada vez mais.

Custou-me ver aquele menino que não quis subir dois lances de escadas com o avo e preferiu esperar pelo elevador. Custou-me ver que ninguém o contraria ao ponto de o fazer movimentar-se. Nunca vi aquele rapaz na rua a jogar à bola, andar de bicicleta ou simplesmente a brincar.

Fiquei triste porque sei que este não é um caso único pelo mundo fora. Fiquei triste por estas crianças que crescem com este estigma. Crianças que são postas de lado na escola. Crianças que são gozadas. Crianças que crescem com pouca ou nenhuma auto estima. Tudo porque não há ninguém que os ensine a comer, que os ensine a ter cuidado com a sua saúde. Tudo porque é mais fácil dizer sim em vez de contrariar. 

Sei que vou chocar muita gente mas pergunto-me se estes pais gostam verdadeiramente dos filhos? Sinceramente não sei como é que conseguem ter a consciência tranquila perante o mal que fazem as suas crianças.

Foi mais fácil do que pensei

Com os mais velhos foi muito fácil retirar-lhes a chucha. Lembro-me de pura e simplesmente um dia lhes dizer que não tinha chucha e eles passaram a dormir sem elas.

No caso do gémeos tive mais receio. Estavam muito mais dependentes delas do que os irmãos alguma vez tiveram. Talvez porque os irmãos apenas as usavam para dormir enquanto que não era assim com os pequenos. O facto de estarem sempre doentes faziam com que chorassem mais do que o habitual e nós facilitávamos a chucha para os acalmar. Estava ciente do mal que tínhamos feito mas por outro lado não os ia deixar chorar sabendo que o choro era resultado da doença.

Entretanto estiveram bem durante as duas ultimas semana e a chucha passou a só ser utilizada para adormecer. No domingo fomos à festa de anos da minha avó e constatámos que as ditas tinham ficado esquecida em casa. Pensamos que não iriam dormir a sesta mas a verdade é que o fizeram sem elas. Pensamos imediatamente que se o faziam uma vez também o fariam mais. À noite em casa foram para a cama sem ela, ainda perguntaram mas eu disse que as tínhamos perdido. Adormeceram bem e desde esse dia passaram a dormir sem elas. Dormem muito melhor. Não acordam à procura dela. Não acordo com o barulho da chucha a cair no chão. Não tenho que me levantar para a procurar.

Não pensei que fosse tão fácil, as crianças surpreendem-nos sempre.

O que o Leonardo estava a fazer?

Foram vários os comentários mas a maior parte estava muito longe da verdade.

O meu rapaz correu com o irmão do quarto para ter silencio e poder fazer os trabalhos para casa. Qual é o meu espanto quando, mais tarde, veio ter comigo para eu corrigir os trabalhos e percebo que tinha feito os trabalhos de férias todos.

A maior parte das crianças deixa tudo para o ultimo dia, este meu rapaz despacha logo tudo de uma vez para não ter mais que se ralar com a coisa. Assim só tenho que me preocupar com o Guilherme que vai fazendo render o peixe até ao ultimo dia.