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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Uma pequena pergunta.

Tenho uma pequena pergunta a fazer. Quantos de vos confere o numero de bolas ou carcaças quando pega num saco delas?

Aposto que a maioria não tem por habito conferir. Reparo no supermercado que as pessoas simplesmente pegam num saco e seguem viagem. Pois eu tenho o habito de olhar para a etiqueta que diz o numero de unidades da embalagem e verificar se coincide com o que está dentro do saco. Posso dizer que já por várias vezes encontrei discrepâncias. Ainda ontem peguei numa embalagem de croissants que dizia ter seis unidades quando lá dentro apenas estavam cinco. Também já peguei em pão simples que estava etiquetado como pão de cereais, obviamente mais caro. 

Fica a dica de olharem bem para o que estão a comprar para não se dar o caso de pagarem coisas que não trazem. 

A mãe agradeçe a iniciativa

No inicio do mês o Guilherme chegou a casa muito entusiasmado.

- Mãe vamos ajudar a escola a ganhar dinheiro.

- Como filho?

- Temos que juntar acho que é 50kg de plástico. Se conseguirmos a escola vai ganhar dinheiro.

- A sério isso parece-me bem. Então vão guardar as embalagens dos lanches?

- Sim colocamos lá pacotes de leite e iogurtes vazios. Também podemos colocar garrafas, latas, plásticos das embalagens...

- Latas? Mas ninguém leva latas para a escola.

- Não mãe podemos levar de casa. Posso levar? É que temos que reunir muita coisa para chegar ao peso.

- Ó filho estás descansado se podes levar de casa isso já está ganho. Só o plástico cá de casa chega e sobra para atingir o peso.

 

Devo dizer que ficou tudo mais fácil. Em vez de parar quase todos os dias no ecoponto passei a só parar à porta da escola. Chama-se a isto uma parceria em que ambos os intervenientes saem a ganhar.

 

Cenas à Leonardo

Sábado à noite chamei os rapazes para jantar. O Leonardo chega à cozinha olha para o prato e diz:

- Outra vez isto?

- Leonardo temos que comer a canja para ficarmos bons.

Olha novamente para o prato, agonia-se e corre a vomitar para o lava-loiça.

- Ai, ai…

- Pronto filho já passou. Lava as mãos e a cara com o detergente. Não és obrigado a comer, se estás assim mal disposto podes te ir deitar a ver bonecos.

Sai um instante da cozinha em busca dos mais pequenos que também não demonstravam vontade de comer. Volto à cozinha e vejo o Leonardo sentado a comer a canja como se estivesse cheio de fome.

- Então Leonardo?- pergunto perplexa

- O que é? Não disseste que a canja nos ia curar? Vou comer logo isto tudo para ver se fico bom.

 

No domingo ao fim da tarde o Leonardo pergunta-se:

- Mãe o que é o jantar?

- Sei lá Leonardo, ninguém tem vontade de comer. Podes comer a carne que estou a assar, tinha que a cozinhar para não se estragar.

- Não quero carne.

- Então podes comer canja.

- Também não quero canja. Quero massa chinesa.

- Já te disse que a massa chinesa é só de vez em quando porque faz mal e ainda por cima estás doente.

Acabei a conversa e fui ver da carne. Um quinze minutos depois o rapaz aparece-me a farejar o ar.

- Vou só espreitar qual é a carne que estás a fazer.

No mesmo instante sai da cozinha de braços traçados, a querer fazer cara de mau mas quase a chorar ao mesmo tempo.

- Não me importa que seja deliciosa não vou comer!- exclama enquanto foge para o quarto.

Optei por ignorá-lo e passado um pouco veio perguntar se podia comer a carne.

 

Conversas

Na sexta estava a falar ao telefone com a minha mãe e o Santiago aparece a querer falar com a avó. Passei-lhe o telefone e fiquei a ouvir o que dizia:

- Olá bó!

-...

- O nardo à cola. (O Leonardo foi para a escola)

- ...

. O lherme à cola. (O Guilherme foi para a escola)

-... 

- O pai à trabalar. (O pai foi trabalhar)

- ...

- O mano à kikey na tevisão. ( o mano está a ver o Mickey na televisão)

 

A avó percebeu tudo sem precisar tradução e eu só consegui pensar como estão crescidos.

Depois de lerem isto vão achar que tiveram o melhor fim de semana do mundo.

Para todos aqueles que se queixam do fim de semana digo-vos que o nosso foi pior. 

Depois de três semanas de doenças e muitas noites mal dormidas. Depois de uma quinta e sexta para esquecer da qual resultou uma dor de braços e um coxear de tanto colo. Depois de muitas ramelas, ranho e medicamentos pensamos que o único caminho era a recuperação. O marido ofereceu-se ficar com o Santiago de sexta para sábado para eu conseguir descansar e eu imaginei uma cama quente e convidativa. Em vez disso tive uma noite com a cabeça enfiada na sanita. Eu vomitava na casa de banho e o Santiago na sala.

Estivemos os dois nisto até às quatro da manhã. Por volta das oito acordei com o Salvador todo molhado. Desmanchei a cama e coloquei-os lençóis em fila de espera para a máquina de lavar. Aqueci leite para o Salvador que dizia ter fome, deixei-o a beber o leite no sofá e fui colocar mais roupa a lavar. O Guilherme chamou-me aos gritos que o irmão estava a vomitar tudo. Mais uma pilha de roupa para lavar. O Leonardo queixava-se da barriga e acabou por vomitar à tarde. O marido dizia estar mal disposto e quase não comeu nada. Aliás quase ninguém comeu nada, fiz um pouco de canja que deu para o almoço e jantar de sábado e ainda sobrou.

Domingo amanhecemos um pouco melhor. Estava tudo mais bem disposto e resolvemos sair um pouco, até porque, desde quarta que estava fechada com os gémeos. Fomos visitar a família e passamos um bom bocado. Comentamos que a coisa já tinha passado e que o Guilherme se tinha safado. Saímos cedo porque ainda nos sentíamos cansados. A meio da viagem olhei para trás e percebi que o Guilherme estava a vomitar dentro do carro. Parámos assim que possível para ver o estrago e só vos posso dizer que ficamos sem palavras. Tentamos remediar o estrago com lenços e toalhitas mas sem grande sucesso. Fizemos o caminho a até casa fechados no carro com aquele cheiro agoniante, sem poder abrir as janelas por causa da chuva. O marido saiu de casa munido-se de água, detergente e um pano e foi tentar salvar os estofos. Deixamos o carro na garagem de vidros abertos para secar e a ver se o cheiro passa.

Agora digam lá que depois de lerem isto o vosso fim de semana não ficou subitamente muito melhor?

Crianças e as fraldas limpas

Os meus filhos sempre tiveram um problema com as fraldas limpas. Por norma os intestinos costumam funcionar sempre à mesma hora pelo que tentamos aguentar a fralda a ver se eles fazem o serviço. Aguentamos, aguentamos até que percebemos que a fralda tem demasiado chichi. Desistimos da ideia de aguardar com receio que a fralda transborde e convencemos-nos que os rapazes não devem ter vontade. Mudamos a fralda e cinco minutos depois passa um rapaz a deixar um rasto fedorento.

Desde que nasceram que lhes digo para não sujarem as fraldas limpas mas a coisa parece funcionar ao contrário. Já sei que o não para eles significa sim. Ou talvez sintam especial prazer em obrigar-nos a outra troca de fralda.

Pensava que era um problema dos meus rapazes mas em conversa com colegas e conhecidas todas se queixam do mesmo. Será que é assim com todas as crianças?

O trauma das luzes

Ontem estava a passar corredor e vi luz a passar debaixo da porta da casa de banho. Pensei que, como de costume, alguém tinha deixado a luz acesa. Preparei-me para carregar no interruptor enquanto lancei uma pergunta para o ar:

- Está alguém na casa de banho?

- Mãe não apagues a luz! - gritou o Leonardo mesmo a tempo - Ainda agora fiquei às escuras porque o Guilherme me apagou a luz não apagues agora tu também.

A verdade é que quando apagamos a luz está sempre alguém e quando a deixamos ficar acesa não está ninguém.