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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

A vizinha agradeçe

Os gémeos estão naquela fase horrorosa de atirar tudo pela janela. Claro que se fossemos pessoas com sorte esta fase ocorreria no inverno quando temos quase sempre as janelas fechadas por causa do frio e da chuva. Mas claro que não poderia ser assim. A destino têm alguma tendência a não nos facilitar a vida pelo que agora temos que lidar com este problema. Podemos manter as janelas fechadas evitando assim que objectos, estranhos, sejam arremessados pela janela enquanto assamos lentamente dentro de casa, devido ao calor. Ou então podemos abrir as janelas para apanhar ar e ouvir os rapazes a chorar que deixaram cair alguma coisa. Até ao momento já atiraram uma chucha, meia dúzia de brinquedos, bastante roupa e um ordenado de molas.

A vizinha do res do chão até deve agradecer porque vai ficar com um stock ilimitado de molas que duraram a vida toda. Eu é que não gosto nada passo a vida a comprar molas e quando preciso não tenho nenhuma.

O dia em que passamos verdadeiramente de quatro para seis

Para a maior parte das pessoa as datas de aniversário dos filhos são algumas das datas mais importantes da vida. Para as mães de prematuros, ou talvez seja só para mim, existe uma data que é tão, ou mais, importante que o dia em que vieram ao mundo. Claro que me refiro à data em que finalmente trazemos os nosso filhos para casa depois de um internamento que pode ser mais ou menos demorado.

Hoje por aqui celebramos dois anos desde que trouxemos os nossos pequenos para casa e reunimos a nossa família numerosa. Dois anos desde que deitei os meus bebés pela primeira vez na sua cama. Dois anos desde que dormi pela primeira vez com o som da respiração deles.

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Claro que agora tudo isto é corriqueiro mas na altura representava uma vitória. Depois de vinte e quatro dias passados entre o hospital e casa. Dividida entre os mais velhos e os mais novos. A tentar fazer tudo mas sem conseguir fazer nada.

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Finalmente veio o tão esperado dia da alta e conseguimos respirar de alivio. Lembro-me a satisfação que senti por acordar de três em três horas para dar de comer aos gémeos, nunca fiquei tão feliz por dormir mal.

Lembro-me do olhar apaixonado que vi nos olhos dos mais velhos quando olhavam para os irmãos. Até a data tinham tido apenas pequenos minutos de contacto de fugida na neonatologia. Não que não pudessem lá estar mas nós pais não achávamos que fosse apropriado. Tínhamos medo que transmitissem algum vírus a um dos pequenos, quer fossem os gémeos, quer algum dos outros bebés. E também não achávamos que aquela sala fosse lugar para crianças. Todos aquelas máquinas que apitavam constantemente eram bastante intimidadoras até para nós pais quanto mais para dois miúdos.

O resultado foi que quando os mais velhos não largavam os bebes quando eles vieram para casa. Tanta foram as vezes em que os apanhei parados a ver os irmãos dormirem, sossegadinhos na cama. Tantas vezes que me perguntaram se podiam pegar neles, se podiam dar beijinho. Agora já não é preciso perguntar nada e andam sempre todos num aglomerado de meninos.

Felizmente dois anos passaram, com algumas doenças, alguns sustos mas com muito amor. Amor esse que merece ser celebrado todos os dias, principalmente neste em que passamos verdadeiramente de quatro para seis.