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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Um novo tipo de bolachas?

- Mãe, tens daquelas bolachas que eu adoro? Sabes aquelas linguas de cabra.

- Linguas de quê-Pergunto eu

- Aquelas linguas de cabra.

- Guilherme só conheço linguas de veado e de gato.

- são daquelas grandes.

- Então são as de Veado.

- Pois é isso, de cabra, veado é tudo a mesma coisa.

Tem tudo a ver.

 

 

 

 

Medo da morte

Acho que todas as crianças passam por uma fase em que se sentem aterrorizadas com a morte mas nunca pensei que essa fase fosse tão difícil.

O Guilherme passou por isso há uns anos atrás e posso dizer que andou mais de um ano com medo. Todas as noites se agarrava a mim a chorar porque não queria que eu morresse. Cheguei a acordar de noite com ele a olhar para nós, quando lhe perguntava o que estava a fazer respondia que estava a verificar se não tínhamos morrido. Outras noites simplesmente dizia que não queria dormir porque tinha medo de nunca mais acordar. Só falava na morte. Quando é que íamos morrer? Como é que íamos morrer? Porque é que íamos morrer?

Quanto melhor eu lhe tentava explicar as coisas mais traumatizado ele ficava. Optamos então por alterar um pouco a realidade, passamos a dizer-lhe que só iríamos morrer aos cem anos e que por isso ainda tínhamos muitos anos de vida. A situação melhorou mas ainda teve os seus contratempos. Ele dizia que se eu morresse aos cem anos ele ainda teria que viver uns anos sem mim e não queria isso.

Felizmente com a nossa pequena mentira e com o passar do tempo o assunto acabou por ficar adormecido. Contudo um dia deste veio ter connosco e perguntou:

- Mãe é verdade que quando morrermos vamos ficar todos juntos no céu?

- Outra vez Guilherme? - perguntei eu em pânico

- Ó mãe é o Leonardo que quer saber.

- O Guilherme já falamos sobre isso e não vamos voltar ao mesmo. - disse o marido despachado o rapaz.

Uns minutos depois aparece-me o Leonardo com lágrimas no canto do olho e com o queixo a tremer. Afinal o Guilherme estava  a dizer a verdade. Estava na altura de lidarmos outra vez com a situação mas com um filho diferente.

Eu fiquei apreensiva de ter que passar por tudo outra vez mas nada me preparou para o que teria que enfrentar desta vez. Dou por mim a pensar que afinal com o Guilherme até foi fácil.

O problema é que o Leonardo é muito medroso, demasiado medroso e agora extrapolou todo este medo. Já não pergunta se vamos ficar todos juntos no céu. Não pergunta quando e como vamos morrer. Não pergunta nada de nada apenas vive apavorado com a ideia de morrer. Desde sábado que praticamente não come. Coloca o comer na boca, mastiga, mastiga, mastiga. Fica dez ou quinze minutos a mastigar e quando vai engolir fica em pânico. Quando o questiono porquê diz que já se engasgou três vezes e que não quer que aconteça outra vez, aparentemente tem medo de morrer engasgado. Diz que não consegue engolir, por mais que lhe explique que se mastigar bem as coisas não se vai engasgar a coisa não resulta. Optei por tentar meter-lhe medo de outra forma. Disse-lhe que se não comesse ia morrer na mesma mas não resultou em nada, limitou-se a chorar durante horas até o conseguir acalmar.

Portanto andamos numa batalha constante para que consiga comer. Eu tento ter calma mas é muito difícil vê-lo aos vómitos de cada vez que tenta engolir. Ontem demos-lhe omeleta, coisa que adora, por ser macia para engolir.
Comeu um pouco mas em comparação ao que costuma comer foi quase nada. Vamos continuar a tentar mais um dia ou dois mas se a coisa não resultar terei que ir ao médico com ele porque nota-se que já perdeu muito peso nestes últimos dias.

Sinceramente faltam-me ideias luminosas para dar a volta à situação.