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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Conversas com os mais velhos

Aviso: A conversa aqui transcrita é real e pode ferir as susceptibilidades das pessoas mais sensíveis.

 

A avó deu um rebuçado a cada um dos mais velhos quando fomos deixar os gémeos. Ia eu a conduzir e oiço:

- Mãe toma o papel do meu rebuçado.

- Leonardo lambes-te o papel?

- Sim!

- Então não vou pegar nesse papel todo lambuzado.

- Esse papel é nojento - diz o Guilherme

- Mas então o que é que eu faço com ele.

 - Vais a segura-lo até à escola e depois pões no lixo. 

- Mas não podes pegar no papel? Eu até fiz um buraco para escorrer a baba.- responde ele com um ar de gozo

 Isso é tão asqueroso, eu é que não vou pegar nisso e ficar com a mão cheia de baba - grito eu imitando uma voz estranha.

- Guarda esse papel Leonardo que isso é mesmo nojento.

Claro que fomos a discutir o que se fazia ao papel até chegarmos à escola. Reparei que o Leonardo o deixou no chão do carro ma eu nem quis saber. Vou deixa-lo lá durante o dia para secar. É o que dá só ter meninos.

Já passaram 9 anos.

Tudo começou no dia 20 de Abril. Acordei cheia de força apesar das minhas 38 semanas de gravidez e resolvi fazer uma limpeza geral na cozinha. Abri o escadote e comecei num sobe e desce para limpar o cimo dos armários da cozinha. Depois de ter os armários limpos achei que devia limpar os azulejos, o candeeiro e o ar condicionado. Depois limpei as portas, as bancadas e quando dei por mim já estava a limpar as janelas. O marido chegou a casa perto das dezasseis horas e encontrou-me pendurada no escadote a limpar as janelas por fora. Quase que me espancava de me ver meio pendurada no cimo do nosso quarto andar. Correu comigo e acabou de limpar o resto das janelas.

Seria de esperar que estivesse cansada depois de uma manhã a limpar mas sentia-me cheia de energia. Tanta que ao fim de jantar convenci o marido a irmos andar um pouco. Regressamos a casa depois de andarmos mais de hora e meia. Ele deitou-se e adormeceu logo. Eu sentia-me meio agoniada e levei um bocado a adormecer. Acordei segundos depois de adormecer com uma sensação esquisita. Pulei para fora da cama,coloquei um pé no chão flutuante e pulei para dentro da casa de banho. Assim que coloquei os dois pés no chão senti algo quente a escorrer-me pelas pernas abaixo. Chamei-o marido e disse-lhe que tínhamos que ir para o hospital porque estava na hora. O marido levantou-se vestiu-se e eu meti-me no polibã para me lavar. O marido resmungava que me tinham dito para não me lavar. Eu respondia que não ia sair toda suja. Ele resmungava para eu me despachar e eu replicava que tínhamos tempo. Ele estava à porta de casa, pronto com as malas e tudo enquanto eu me vestia calmamente.

Chegados ao carro ele começa numa correria desgraçada para chegar à maternidade enquanto eu lhe dizia que podia ir mais devagar. Chegamos a Lisboa e aparecem os primeiros semáforos. O marido pergunta se é preciso passar o vermelho e eu respondo que não. Coitado do homem, a única vez que podia passar vermelhos À vontade e eu não deixei.

No hospital e fui logo encaminhada para o bloco de partos. Colocaram-me aquele soro maravilhoso que provoca conotações. Ao fim de uma hora já não podia com tantas contracções. Ainda a primeira não tinha ido embora já vinha a segunda, eu tinha sono e só queria dormir. Levei a epidural e apaguei. A tia esteve ao pé de mim muito tempo e eu nem dei por nada. Recordo vagamente que de vez em quando vinha alguém que me dizia para abrir as pernas e via a dilatação, eu obedecia em modo sonâmbulo. A ultima das vezes a médica diz-me que tinha a dilatação toda e que tinha que acordar para ter o meu filho. Eu pensei que queria dormir mais um bocadinho. Acho que ainda dormitei enquanto me levavam para o bloco de partos. O marido entrou e eu estava completamente drogada de medicação. As médicas e enfermeiras gozaram que eu mais parecia estar na praia do que prestes a dar à luz. Diziam-me para fazer força quando sentisse vontade e eu nada de fazer força. Elas perguntavam-me se eu não sentia vontade de fazer força eu respondia que sim mas era pura mentira. Parecia que me tinham cortado da cintura para baixo, não sentia nada de nada. A médica teve que se colocar em cima da minha barriga para me ajudar a fazer força porque eu não estava a fazer a coisa bem feita. Elas diziam-me que a força era para fazer em baixo e não na cara mas se eu não sentia nada não sabia onde estava a fazer a força.

Finalmente nasceu o meu menino às 11:17 do dia 21/04/2007. A moleza passou-me logo e apaixonei-me pelo aquele pequeno ser. Senti imediatamente falta dele dentro da minha barriga que passou de um alto para um buraco. Levaram-nos para ver se estava tudo bem e passado um pouco vieram coloca-lo ao pé de mim. Eu fiquei ali uns momentos a olhar para aquela coisinha. Contei-lhe os dedos, toquei-lhe na pele e olhei-o nos olhos. Entretanto o marido veio e eu não podia estar mais enamorada daquele bonequinho. O marido perguntou-me se eu estava bem e eu respondi-lhe que quando quisesse o segundo era só dizer. Ele achou estranho eu ter acabado de ser mãe e já estar a falar no segundo mas assim que tive o meu filho nos braço percebi que nasci para ser mãe.