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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Mas afinal és alérgica ao quê?

Ei uma pergunta que oiço muitas vezes. A verdade é que era mais fácil perguntar ao que é que não sou alérgica.Ora vamos lá começar, tentem acompanhar-me.

Sou terrivelmente alérgica ao pela dos gato. Sou tão alérgica que a médica me disse para fugir dos gatos porque eles podem matar-me. Basicamente começo a deixar de conseguir respirar, parece que tenho os pulmões cheios de pó e o ar não entra, também fico cheia de comichão nos olhos. Para além disso notei que a minha pele faz reacção ao pelo do cão. Fico com a pele cheia de babas e comichão no sitio onde teve contacto com o pelo.

Tenho alergias cutâneas. Não consigo cortar muito tomate porque as mãos começam a arder. Se estou a descascar e cortar vegetais para a sopa começo a ficar com as mãos encarnadas e fico cheia de comichão entre os dedos. No nível das alergias cutâneas descobri também, da pior maneira, que não posso usar aquelas bandas de cera da Veet. Comprei uma vez e comecei a fazer a depilação. Estava a ler as instruções enquanto ia avançando com aquilo. Acabo por ver um alerta na caixa que dizia que deveríamos experimentar primeiro num pequeno local para ver se não ocorriam alergias. Resolvi então deixar a perna meia depilada e continuar no dia seguinte só para ter a certeza. A meio da noite comecei com uma comichão desgraçada, nem conseguem imaginar com é que ficou a minha perna. Ao andar estava constantemente a parar para me coçar e cheguei a fazer feridas de tanto coçar.

Quando penso estas alergias já vêm desde muito nova. Lembro-me da minha mãe ralhar comigo porque eu parava no meio da estada para me coçar. Lembro-me da avó me dar banho com um chá qualquer que supostamente tirava a comichão.

Mais tarde tive o meu primeiro verdadeiro ataque num casamento de um familiar. Cheguei ao pé dos meus pais a dizer que estava a ferver e cheia de comichão. Eles olharam para mim e voamos para o hospital. Acabei a noite a levar uma injecções, os médicos presumiram que deveria ser uma alergia alimentar.

Acabei por fazer testes aos alimentos em jovem, que me deram imensos positivos. Repeti os  recentemente e a lista ainda ficou maior. Tenho alergia à soja, à avelã, ao amendoim, ao tomate, aos orégãos, ao trigo. Não posso comer fruta com casaca porque sou alérgica ao pólen.

Sim porque eu nem respirar livremente posso. Tenho alergias ao pó, ao pólen, as árvores e à relva. Na consulta a doutora mostrava-me folhas enquanto me dizia que tinha que fugir daquelas arvores. Como é que querem que eu fuja, muitas vezes nem damos por elas misturadas nas outras. E verdade seja dita já nem me lembro de quais são. Estou proibida de fazer exercício físico ao ar livre. Com doze anos ia morrendo de choque anafilático durante uma caminhada. Primeiro comecei com um formigueiro nas mãos e sentia os lhos esquisitos. Quando mencionei os sintomas ao meu colega ele olhou para mim e ficou em pânico. Disse-me calmamente que eu estava toda inchada e que tínhamos que acelerar para chegar a casa. Eu ia tentando andar mas cada vez sentia mais falta de ar. Ele acabou por deixar-me e foi a correr buscar os meus pais. Só me lembro de ver a fonte de água gelada da serra da estrela e sentir que precisava molhar-me. Meti a cabeça lá de baixo e senti o corpo a ceder. O pai teve que me levar ao colo até casa onde dei em vomitar nem sei bem o quê. Quando fomos ao hospital o médico disse-me que a minha reacção de me molhar com a  água gelada provocou um choque térmico e provavelmente foi o que me salvou a vida.

Depois disso já tive muitos mais episódios se bem que nenhum assim tão grave. Comecei a andar medicada, bem que só os tomo em SOS. Passei a ter mais cuidado. Não deixei de comer certas coisas porque as tolero minimamente. Continuo a comer tomate, pão e amendoins. Se bem que nunca sei se vou ou não tolerar. À uns tempos atrás comi um amendoim em casa da cunhada e assim que o coloquei na boca senti que algo tinha corrido mal. O raio do amendoim era tão bravo que fiquei com o lábio todo inchado na zona em que este tocou. Fui motivo de risota a noite toda porque parecia que tinha aplicado botox em metade do lábio inferior.

Isto de se viver com alergias é tremendamente chato. Por ai há alguém que sofra tanto como eu?

Coisas que adorava e passei a odiar

Quando compramos a nossa casa fiquei encantada com certos pormenores. Atrevo-me a dizer que fiquei mesmo apaixonada pelos lindos roupeiros espelhados e pelas portas envidraçadas. Os roupeiro para além de bonitos fazem com que os quartos pareçam maiores. As portas não cortam a luz o que faz com que a casa seja mais clara.

Como eu adorava estas características da minha casa. Digo adorava porque desde que fui mãe essa adoração transformou-se em ódio.

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 Roupeiros espelhados que estão sempre sujos. Nem quero imaginar o que aconteceu neste.

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 Portas envidraçadas de onde se podem tirar mais de mil impressões digitais. É impressionante como estão sempre sujas. Tratamos de as limpar, passada meia hora, no máximo, já está igual ou pior. Os meus filhos assim que vêm os vidrinhos limpos adoram ir lá encostar o nariz, lamber ou fazer gravuras rupestres.

Se querem um conselho fujam destas coisas porque são sinónimo de escravidão.

A melga e eu

Hoje a noite não correu bem. Primeiro não conseguia dormir. Depois o Santiago acordou cerca de uma hora depois de o deitarmos. Fui busca-lo para ao pé de nós e continuei sem conseguir dormir. A cabeça não queria desligar nem por nada, surgiram-me mil e uma ideias brilhantes que entretanto esqueci. Algures no meio disto devo ter acabado por adormecer, acordei com o despertador do marido. O Salvador também acordou e começou a chorar. Ouvi o Guilherme levantar-se e deitar-se ao pé do irmão. Dei conta do marido sair e ouvi o Guilherme a andar de um lado para o outro. Fui resmungar com ele que porque eram quatro e meia da manhã e ainda acordava s irmãos todos. Ele quis beber água e depois voltou para a cama.

Eu deitei-me novamente e preparei-me para dormir mais duas horas. Quando estava quase a adormecer comecei a ouvir um zumbido ao pé dos ouvidos. Sim a única coisa que me faltava era ter uma melga a zumbir aos ouvidos. Tapei-me até às orelhas e tentei dormir mas mesmo por debaixo da roupa conseguis ouvi-la a zumbir. Depois tive medo que morde-se o meu menino e resolvi ir à caça dela. Acendi a luz da casa de banho para ver se a atraia e esperei. Esperei, esperei e ela nada de vir. Ligar o raid não era opção porque não queria estar a respirar aquele ar. Voltei para a cama derrotada mas com esperanças de conseguir dormir. Ainda ouvi aquele zumbido irritante mais uma ou duas vezes mas depois o cansaço falou mais alto e acabei por adormecer. De manhã verifiquei o menino e cheguei à conclusão que este deve ter o sangue da mãe, é a única explicação que tenho para não ter nenhuma picadela. As melgas preferem morrer de fome a vir sugar o meu sangue.

Claro que sai de casa e deixei o raid no quarto para  ver se esta noite consigo dormir. Para mim não há coisa mais irritante que uma melga a zumbir aos ouvidos.