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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Deve ser carma

Cá em casa sofremos de um mal que penso que se reflecte em muitas outras casas, se não em todas. Ao dia de semana ninguém se quer levantar cedo. Quase que preciso de um balde de água fria para acordar os mais velhos e os gémeos chegam à avó sempre a esfregar os olhos. O Santiago é o único que se levanta assim que ouve o pai, o resto são uma cambada de dorminhocos. Eu tenho que os mandar vestir 500 vezes, dizer que se apressem para ai umas mil. Quase todos os dias estou pronta a sair e eles ainda andam a sassaricar.

Depois chega o fim-de-semana, ainda por cima este é o meu primeiro sábado há sei lá quanto tempo, e pensamos que vamos poder dormir. Pois pensar pensamos mas não o fazemos porque as alminhas aqui de casa resolvem acordar com as galinhas. Durante a semana não os consigo acordar antes das 7:20H, as fim de semana já está tudo acordado antes das sete.

Começo a desconfiar que é uma espécie de vingança, um complô entre eles. Do género: "nunca nos deixam dormir mais um bocadinho hoje vão provar do próprio remédio". Ainda por cima acordam com a energia toda. Nós ainda estamos a meio gás, a tentar manter os olhos abertos e ele já andam em cima da mesa de vidro.

Os vossos também se vingam de vocês?

Sobre os mais novos

O Santiago adora bonecos. Tem uma paixão secreta pelo peluche panda e até adormece agarrado a ele. Também gosta do Sportacus porque fala. Anda sempre atrás de nós para carregarmos no sensor do boneco que o faz emitir sons.

Aqui está ele agarrado aos seus dois amigos.

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O Salvador só quer comer. Não nos pode ver a mastigar nada e é um guloso de primeira. Claro que com um pai e uma mãe gulosos só poderia dar nisto.

Seguem provas do meu pequeno a tentar chegar ao bolo de chocolate.

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 Primeiro disfarçou como carinha de anjo.

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 Depois, como quem não quer a coisa, estava a ver se provava um pouco.

Coisas dos mais velhos

- Mãe, estou a aprender uma letra nova o G. - Diz o Leonardo todo contente

- O G de gato, de galo, de gaiola, de Guilherme. - digo eu enumerando alguns exemplos

- E de gogumelo mãe! - Afirma ele todo contente

 

Oiço os gémeos em cima da mesa de vidro e o Guilherme a dizer-lhes:

- Manos saem dai!

 

Hoje de manhã, o Guilherme e o Leonardo estavam a implicar um com o outro. Às tanta o Leonardo grita para o irmão:

- Tu te calas.

- O quê? - Pergunta o Guilherme

- Tu te calas.

- Não é assim que se diz. Não é tu te calas. Tens que dizes tu cala-te. - diz ele com toda a certeza de estar certo.

 

 

Sempre a desembolsar

Ontem os mais velhos trouxeram recados das escola a pedir dinheiro para as prendas do dia do pai e da mãe. Estão na escola há cinco meses e estão constantemente a pedir dinheiro. Desde Setembro já nos pediram :

  • dinheiro para um passeio passeio
  • dinheiro para castanhas
  • dinheiro para comprar um livro que o autor foi apresentar à escola
  • dinheiro para fotos de natal
  • Copos, talheres e pratos de plástico, bebidas e comer para a festa de Natal
  • dinheiro para mais um passeio
  • dinheiro para uma gramática
  • flautas
  • sapatilhas
  • dinheiro para as fotos de carnaval
  • dinheiro para as prendas do dia do pai e da mãe

Provavelmente ainda me esqueci de alguma coisa. Tenho estranhado um pouco porque na escola onde andavam nunca nos pediam dinheiro para nada. Claro que fiquei contente de receber as fotos deles, é uma recordação bonita com que ficamos e é coisa que não tenho dos outros anos. Claro que gosto que vão a passeios, é bom para eles e apreendem coisas. Claro que gosto de lhes proporcionar tudo e mais alguma coisa, dentro das nossas possibilidades mas ainda não me habituei a este pedir constante.

Será que é assim por todo o lado? Como é na escola dos vossos pequenos, também estão constantemente a pedir ou não?

O maior defeito da escola dos meus filhos.

Como já referi anteriormente pensamos muito antes de escolher a escola que os mais velhos iriam frequentar. Pesamos todos os pós e os contras até chegarmos a uma decisão. De um modo geral estou satisfeita com a nossa escolha, é uma escola pequena onde todos se conhecem e brincam juntos. Os meus filhos adoram a escola, não houve um único dia em que me dissessem que preferiam ficar em casa. Vão todos satisfeitos e contente. Retornam da mesma forma.

No entanto existe um pormenor que nos escapou quando avaliávamos as escolas, talvez porque raramente passávamos por aquele sitio. A escola fica num género de vale e não tem praticamente nada em redor o que faz com que a temperatura seja sempre mais baixa. Ainda hoje quando fui deixar os mais velhos às 8:45H parei à porta da escola e tive pena dos meninos. O carro marcava 1º e só me apeteceu pegar neles e levá-los para casa. Lá os deixei na escola, ficaram todos encolhidos, sentados todos uns ao pé dos outro à espera para entrarem para as salas. O que vale é que quando for hora do recreio já deve estar muito mais agradável.

Hoje é um daqueles dia em que não me apetecia ter saido de casa.

Fui às compras para mim

Uma pessoa sai de casa com o marido para comprar umas botas porque as que têm estão a precisar de reforma.

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Volta para casa com sapatos para os gémeos, para o Guilherme, para o Leonardo, para o pai e sem sapatos para a  mãe. Resumindo comprei tudo menos o que fazia realmente falta. Será possível que em tanta loja não vi nada que me enchesse o olho. Será que sou eu que ando armada em esquisita ou esta moda este ano deixa um pouco a desejar?

 

Este ano o dia dos namorados ficou por celebrar.

Este ano não houve almoço ou jantar romântico, sem crianças. Também não houve um almoço especial em casa. Não houve troca de prendas nem passeios a dois. Infelizmente, este ano tivemos um dia dos namorados triste, muito triste.

A noticia chegou na sexta-feira e atingiu-me como um murro no estômago. É certo que já todos estávamos a espera desde terça-feira mas mesmo assim não estávamos preparados. Talvez porque por esta altura no ano passado os médicos já quase tinham a certidão de óbito passada e o meu tio surpreendeu tudo e todos. Não só recuperou como aguentou mais um ano. Contudo desta vez foi diferente e ele acabou por falecer. Após receber a noticia percebi que a esperança é um bicho peganhento, por mais que a enxotemos e mandemos embora ela nunca desaparece totalmente. Fica sossegadinha num cantinho do nosso coração e engana-nos. Pensamos que desapareceu mas quando chegam as más noticias descobrimos que afinal nunca se foi embora. Descobri também que, ao contrário do que pensava, lidar com a morte não se torna mais fácil. Quer seja a primeira ou a milésima que enfrentemos dói da mesma maneira.

No sábado fui um pouco ao velório, depois viemos almoçar e fui surpreendida pelos mais velhos que me pediram para ir. Fiquei um pouco receosa e sem saber o que fazer. Afinal quando é a altura certa para lidar com a morte? Acabei por aceder a leva-los lá brevemente porque todos os familiares me disseram ser pior eles ficarem a matutar em como seria. O Guilherme entrou logo e quando dei por mim já estavam a destapar o meu tio porque ele queria ver. O Leonardo estava cá fora com uns primos, eu sai mais o Guilherme. Comecei a dizer que íamos embora mas o Leonardo disse-me que ainda não tinha visto. Acabei por assomar à porta do velório sem o deixar mostrei-lhe brevemente e saímos. Fiquei cheia de medo que tivessem pesadelos, fiquei com medo de ter tomado uma má decisão mas esta é uma daquelas situações em que ninguém deve saber qual é a melhor coisa a fazer. Felizmente já passaram duas noites e não tivemos problemas, vamos ver se assim continua.

No Domingo, de manhã, deixamos os meninos com a madrinha dos gémeos e fomos ao funeral. A dada altura estava a observar todos os meus tios juntos, coisa que parece que só acontece nestas alturas e apercebi-me de como estão mudados. Percebi que as imagens mentais que tenho de todos eles não correspondem à realidade actual. Lembro-me deles mais jovem, com mais vida. Lembro-me dos passeios que fazíamos, das brincadeiras. Lembro-me de como se picavam uns aos outros, de como se embebedavam em conjunto, das partidas que faziam. Hoje em dia estão mais grisalhos, mais magros, têm mais rugas e menos saúde.

Regressei do fim-de-semana um pouco em baixo não só pela morte do meu tio que tinha um cantinho muito especial no meu coração mas também porque mais uma vez me apercebi que a vida está a avançar muito rapidamente.