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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Fui às compras para mim

Uma pessoa sai de casa com o marido para comprar umas botas porque as que têm estão a precisar de reforma.

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Volta para casa com sapatos para os gémeos, para o Guilherme, para o Leonardo, para o pai e sem sapatos para a  mãe. Resumindo comprei tudo menos o que fazia realmente falta. Será possível que em tanta loja não vi nada que me enchesse o olho. Será que sou eu que ando armada em esquisita ou esta moda este ano deixa um pouco a desejar?

 

Este ano o dia dos namorados ficou por celebrar.

Este ano não houve almoço ou jantar romântico, sem crianças. Também não houve um almoço especial em casa. Não houve troca de prendas nem passeios a dois. Infelizmente, este ano tivemos um dia dos namorados triste, muito triste.

A noticia chegou na sexta-feira e atingiu-me como um murro no estômago. É certo que já todos estávamos a espera desde terça-feira mas mesmo assim não estávamos preparados. Talvez porque por esta altura no ano passado os médicos já quase tinham a certidão de óbito passada e o meu tio surpreendeu tudo e todos. Não só recuperou como aguentou mais um ano. Contudo desta vez foi diferente e ele acabou por falecer. Após receber a noticia percebi que a esperança é um bicho peganhento, por mais que a enxotemos e mandemos embora ela nunca desaparece totalmente. Fica sossegadinha num cantinho do nosso coração e engana-nos. Pensamos que desapareceu mas quando chegam as más noticias descobrimos que afinal nunca se foi embora. Descobri também que, ao contrário do que pensava, lidar com a morte não se torna mais fácil. Quer seja a primeira ou a milésima que enfrentemos dói da mesma maneira.

No sábado fui um pouco ao velório, depois viemos almoçar e fui surpreendida pelos mais velhos que me pediram para ir. Fiquei um pouco receosa e sem saber o que fazer. Afinal quando é a altura certa para lidar com a morte? Acabei por aceder a leva-los lá brevemente porque todos os familiares me disseram ser pior eles ficarem a matutar em como seria. O Guilherme entrou logo e quando dei por mim já estavam a destapar o meu tio porque ele queria ver. O Leonardo estava cá fora com uns primos, eu sai mais o Guilherme. Comecei a dizer que íamos embora mas o Leonardo disse-me que ainda não tinha visto. Acabei por assomar à porta do velório sem o deixar mostrei-lhe brevemente e saímos. Fiquei cheia de medo que tivessem pesadelos, fiquei com medo de ter tomado uma má decisão mas esta é uma daquelas situações em que ninguém deve saber qual é a melhor coisa a fazer. Felizmente já passaram duas noites e não tivemos problemas, vamos ver se assim continua.

No Domingo, de manhã, deixamos os meninos com a madrinha dos gémeos e fomos ao funeral. A dada altura estava a observar todos os meus tios juntos, coisa que parece que só acontece nestas alturas e apercebi-me de como estão mudados. Percebi que as imagens mentais que tenho de todos eles não correspondem à realidade actual. Lembro-me deles mais jovem, com mais vida. Lembro-me dos passeios que fazíamos, das brincadeiras. Lembro-me de como se picavam uns aos outros, de como se embebedavam em conjunto, das partidas que faziam. Hoje em dia estão mais grisalhos, mais magros, têm mais rugas e menos saúde.

Regressei do fim-de-semana um pouco em baixo não só pela morte do meu tio que tinha um cantinho muito especial no meu coração mas também porque mais uma vez me apercebi que a vida está a avançar muito rapidamente.