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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Coisas que só nos acontecem a nós nº 17

Vou confessar que já fiquei trancada dentro de casa, não uma mas sim duas vezes.

A primeira de todas foi fácil de resolver. O marido, namorado na altura, trancou a porta da rua e eu quando fui para sair apercebi-me que não tinha chave. Como vivíamos num primeiro andar duma moradia, saltei para o patamar da porta e desci ao quintal. O que me valeu é que os meus padrinhos estavam em casa de folga porque, caso contrário, nunca conseguiria saltar o portão de dois metros. Assim pode sair  pelo portão, ir buscar a chave ao carro e voltar a trás para trancar a  janela pela qual saltei.

Da segunda vez já não foi assim tão fácil. Cheguei a casa vinda do trabalho e o marido estava de saída para ir jogar à bola. Despedi-me dele e fui tomar banho. Saiu do banho, arranjo-me e vou, toda contente, em direcção da cozinha para comer alguma coisa porque estava cheia de fome. Tento abrir a porta do hall e esta não se mexe. Tento novamente e nada. Enquanto estava a luta para abrir a porta no meu cérebro passavam mil e uma possibilidades para a porta não abrir. Será que a fechadura se estragou? Espreito pela lateral da porta a ver se o trinco mexia e este mexia-se mas reparo que está outra coisa por baixo. Percebo que o marido trancou a porta quando a fechou para o cão não ir atrás dele.

Deixei-me estar, durante uns minutos, a pensar o que fazer. Estava furiosa, estava faminta, o facto de estar faminta deixava-me ainda mais furiosa. Não podia ligar ao marido porque o telemóvel estava do outro lado da porta. Não podia arrombar a porta porque, para além da minha fraca estatura, estava do lado contrário ao da abertura da porta. Eis que me surge a ideia luminosa de passar da varanda do quarto para a janela da cozinha. Vou até à varanda pronta para tentar passar para a janela mas olho lá para o chão tão longe e fico com medo de cair do quarto andar a baixo. Volto para dentro e dou mais uns encontrões na porta à espera que ela se abra magicamente. Decido com toda a convicção que tenho que passar pela varanda e não vale a pena ter medo. Novamente na varanda coloco á perna de fora mas não consigo deixar de pensar o quão estúpido seria a noticia de: "mulher morre a tentar escapar de assoalhada onde estava trancada."

Escusado dizer que voltei para dentro. Fui ao escritório, peguei numa folha de papel, um clip e na chave da porta do mesmo. Meti a folha de papel debaixo da porta, coloquei a chave do lado de dentro e fui forçando a outra a sair, com a ajuda do clip fui direccionando a chave até que esta caiu direitinha em cima da folha. Puxei a folha com todo o cuidado enquanto pedia para que a chave passa-se debaixo da porta e não é que passou.

Abri a porta e a primeira coisa que fiz foi ligar 15 vezes para o marido para lhe azucrinar o juízo, claro que ele a jogar nem ouviu o telefone. De seguida passei revista às portas todas e tirei todas as chaves para que mais ninguém ficasse trancado numa assoalhada

Sempre no supermercado

Na segunda-feira passei no supermercado antes de ir para a consulta do Guilherme. Eram 9 horas, em ponto, e lá estávamos nós a comprar uma meia dúzia de coisas que nos faltavam. Na charcutaria pedi queijo, fiambre, presunto e mortadela de peru sem azeitonas ( é o que recheia as sandes do Leonardo todos os dias e por isso nunca pode faltar). Fui buscar fruta e outras coisas, sempre à pressa para não nos atrasarmos para a consulta. Paguei as coisas e fomos embora.

Depois da consulta passei em casa a deixar as coisas e apercebi-me que me tinha esquecido de comprar algumas coisas, só para variar. Corri tudo à procura da mortadela mas não a encontrei. Lembro-me da senhora a ter fatiado por isso tenho a certeza que a pedi. Mas a verdade é que não a paguei nem tão pouco chegou a casa. Conclui que a senhora não deve ter colocado a mortadela no saco que me entregou com todos os produtos.

Aproveitei a hora de almoço e fui novamente ao supermercado comprar o que me tinha esquecido. Mais uma vez fui à pressa e pressa é amiga da perfeição. Resultado, trouxe a mortadela mas esqueci-me dos ovos e do comer para os peixes.

Na terça-feira fui a dois supermercados à hora de almoço, afinal com tanta boca a comer temos que aproveitar as promoções. Comprei tudo o que me lembrei e outras coisas que achei que devia comprar. Lembrei-me dos ovos mas esqueci-me do comer dos peixes. Resolvi voltar ao supermercado às 18H porque os peixes já não comiam à 3 dias e corria o risco de se comerem uns aos outros.

Lá fui eu depois do trabalho. Entrei, comprei só o comer que me faltava e rumei a casa toda contente por não ter tudo o que precisava. Chego à garagem e o marido estava a chegar com os miúdos. O marido quer levar os sacos das compras e diz para eu levar os miúdos. Metemos-nos dentro do elevador e subimos. Chegamos ao nosso andar, o marido sai para abrir a porta de casa e eu fico a segurar o elevador para os pequenos saírem. Sai o Leonardo, o Santiago, o Salvador  e depois saiu eu. Ao sair do elevador grito ao mesmo tempo que corro:

-Os ovos!

Tarde de mais... O Santiago tratou de tirar a embalagem dos ovos do saco das compras, a embalagem abriu-se e eis que temos 12 ovos no meio do chão.O Leonardo começa a chorar que gosta muito de ovos e não os vai poder comer, os gémeos vêm uma poça e só querem chapinhar nela.Que confusão. Lá os conseguimos por todos dentro de casa e eu fiquei a limpar.

Sabem o quanto é difícil limpar tanto ovo? Que trabalheira e o pior de tudo é que hoje tenho que voltar ao supermercado para comprar ovos

Festa do dia da prematuridade

Ora no sábado fomos ao Hospital de Santa Maria festejar o dia da prematuridade. Foi um evento simples direccionado mais para o convívio. Os mais pequenos podiam brincar com balões, fazer desenhos e pinturas faciais. Os adultos aproveitaram para rever enfermeiras, médicas e outros pais que conheceram durante a estadia na Neonatologia. Claro que nós não tivemos muito tempo para o convívio porque os gémeos ainda não se entretêm com nada. O Salvador ainda esteve um pouco, sentado junto dos meninos mais crescidos, a fazer rabiscos numa folha de papel mas era mais o tempo que estava com o lápis na boca do que a pintar, pelo que acabámos por o tirar de lá.

Entretanto recebemos uns pins de identificação e uns sacos com um lanche.

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De seguida fomos convidados a entrar no auditório para visualizarmos um filme sobres os prematuros. A equipa fez um filme lindíssimo com fotos de todos os nosso meninos. Foi muito giro ver fotos de como eles nasceram e como estão actualmente. O filme serviu para demonstrar a luta de todas estas crianças. E devo dizer que existem crianças com uma força fenomenal. Confesso que quando estava a ver o filme me senti uma penetra. Depois de ver imagens de bebes de 500g, de bebés de 24 semanas as nossas 33 semanas pareceram insignificante. Depois de ver uma foto de o primeiro aniversário festejado durante o internamento na neonatologia não pode deixar de pensar na sorte que tivemos. Já imaginaram o que é ter uma filho internado durante um ano inteiro, um filho que ainda não conhece a sua casa, um filho que nunca dormiu no berço que compramos para ele, um filho que nunca tivemos só para nós.

Fiquei de facto maravilhada com o trabalho daqueles profissionais mas sobretudo com a coragem daqueles bébes e pais.

Entretanto os gémeos não paravam quietos. Procurei nos sacos do lanche e descobri que cada um tinha uma maçã. Dei-lhe para a mão para eles brincarem e quando dou por eles estavam todos contente a comer as maçãs.

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Olhei para o marido que, ainda no outro dia lhes tinha tentado dar maçã partida aos bocados, a qual eles não comeram. E chegamos à conclusão que eles já gostam de roer a fruta.

Agora em casa tratamos de lhes dar a fruta para a mão e eles que se desenrasquem. O mais chato é depois de comerem temos que limpar o chiqueiro que eles fazem.

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Estão cada vez mais crescidos.