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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Até quando conseguiremos fugir

Ontem foi dia de consulta de desenvolvimento do Guilherme. Foi uma consulta rápida porque neste momento ainda estamos numa fase de habituação há escola. O Guilherme está completamente integrado na escola, quer com os professores quer com os colegas. Contudo os resultados das fichas intercalares não foram os melhores. Estávamos habituados a que tivesse bons e muito bons e desta vez ficou-se pelo satisfaz. Confesso que fiquei preocupada e falei com a professora que me descansou dizendo que os resultados das fichas não coincidem com o que ele sabe e com o seu desempenho na sala de aulas. A professora disse-me que lhe deveríamos dar tempo para se adaptar e que falávamos novamente após os testes do final de período.

Mesmo depois desta conversa não fiquei descansada e ontem referi à médica as notas que ele tinha tido. Primeiro a médica perguntou-me se a escola era mais rigorosa ao que eu respondi que pensava que não. Claro que fiquei a pensar sobre o assunto e se calhar até é um pouco mais rigorosa, pelo menos a nível dos trabalhos de casa trás o dobro do que trazia o ano passado. Mas mais rigorosa ou não sei que ele é uma criança capaz de atingir outro tipo de notas. 

Depois a médica disse-me que já deveríamos estar à espera que as notas começassem a descer. Eu expliquei que ele sabe as coisas mas faz tudo a correr e de cabeça no ar. Muitas são as vezes em que a pergunta é o que é o X e ele responde o que é o Z. Mais uma vez, a doutora explicou-me que tudo isso são sintomas do défice de atenção. Ele começa a ler a pergunta mas farta-se e deita-se a adivinhar o fim da mesma. Explicaram-me também que este tipo de problemas são muito mais difíceis de detectar do que por exemplo a hiperactividade. Porquê? Uma criança hiperactiva, por norma, perturba a sala, logo o professor queixa-se muito mais cedo da dita criança. No nosso caso a hiperactividade está superada ou pelo menos muito reduzida, o que faz com que ele se porte bem na sala.O único sintoma é, por vezes, estar desatento o que os professores não estranham porque é normal numa criança.

A médica disse-me, mais uma vez, que deveríamos passar para a medicação. A tão famosa medicação da qual andamos a fugir à quatro anos.

Saímos da consulta com nova marcação para Janeiro. Em Janeiro reavaliaremos a situação, consoante foram os resultados dos conners e dos testes, decidiremos se começamos ou não a medicação. Nem perguntei em que é que consistirá a mesma. Se calhar deveria ter perguntado de forma a poder pesquisar os seus efeitos mas acho que ainda estou em fase de negação.

A verdade é que não quero medicar o meu filho e vimos a lutar contra este sistema à vários anos. Mas também é verdade  que quero o melhor para ele e o melhor para ele não será ter um bom aproveitamento escolar? Como é que vai ser um adulto de sucesso se não tiver estudos? Como é que vai progredir nos estudos se não aprender agora bem as bases?

Devo dizer que estou muito confusa sobre o assunto. Já pensei em coloca-lo num centro de estudos para o ajudarem a subir os resultados. Eu e o marido falamos em coloca-lo lá umas horas ao sábado, único dia em que o menino tem disponibilidade, mas depois perguntámos-nos quando é que ele vai ter tempo para brincar? Entre escola, piscina, musica e explicações quando terá tempo para ser criança?

Acho que vou ter que deixar de pensar sobre o assunto e simplesmente deixar o tempo seguir o seu rumo. Vou tentar ajudá-lo mais, vou tentar prepará-lo melhor para os testes que se avizinham e, quem sabe, talvez consigamos subir as notas. Fiquem a torcer por nós.

Coisas que só nos acontecem a nós nº 16

Estava a ler o post de hoje da Chic'Ana e lembrei-me de mais uma daquelas que só nos acontecem a nós.

 

Todos os anos temos por habito ir à neve na Serra da Estrela. Esta tradição começou quando eu e o meu irmão éramos pequenos e ainda a mantemos até hoje. Numa das idas em questão levamos o filho de uma amigo do meu pai connosco. Paramos numa zona mas a meio da serra onde brincavam meia dúzia de miúdos, sem grandes confusões. Ora ao fim de alguns anos de idas à neve, começamos a pensar que já somos experts no assunto e eu não sou diferente. Resolvi trepar para uma parte mais alta da neve para poder brincar à vontade. Ora a neve naquele local estava a começar a derreter, cada vez que eu metia um pé enterrava-me até aos joelhos. Claro que não desisti e consegui chegar ao topo seguida do amigo que levávamos connosco.

O meu irmão viu-nos e queria ir para ao pé de nós. O meu pai ( que não é uma pessoa nada brincalhona) indica-lhe que fosse subir pelo exacto sitio onde eu me tinha enterrado até aos joelhos. O meu irmão assim o fez, meteu um pé e enterrou-se, meteu o outro e ficou preso. Eu e o amigo tentamos sem sucesso tirá-lo mas sem sucesso, um dos sapatos estava preso e não conseguíamos fazer angulo para o tirar. As pessoas à volta começaram a olhar para o meu pai que nada fazia sobre o assunto. O meu pai olhava para ele e para os sapatos como que avaliar a situação. Nós continuávamos a tentar ajudar o meu irmão, até que sentimos o meu pai ao pé de nós e começamos a ouvir risos e gritos. Finalmente o pai conseguiu tirar o irmão do buraco e então reparei que estava uma multidão a rir e a olhar para nós. Olhei para nós a tentar perceber o motivo da risota e deparo-me com o meu pai descalço na neve.

Aparentemente decidiu que não queria molhar os sapatos novos, então tirou os sapatos e as meias e lá foi ele para cima da neve.

Até estou com frio só de me lembrar .