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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Um buraco vazio

Cresci a ouvir a minha avó a falar sobre os dois filhos que tinha perdido. Eu era uma miúda e isso fazia-me confusão. Não percebia o motivo de ela com sete filhos vivos e com saúde estar constantemente a relembrar os que tinham falecido. Ouvi as mesmas histórias vezes sem conta de como tinham falecido por doenças com muitos poucos dias de vida. Mesmo assim a minha avó lembrava-se deles, do dia em que tinham nascido, do seu cheiro, do seu choro.

Anos mais tarde, quis o destino que eu também perdesse um bebé. Um bebé que para os médicos ainda não era um bebé. Um bebé que nunca conheci, que nunca abracei, que nunca ouvi o choro mas que já amava com todo o meu coração.

Já passaram sete anos, tive três filhos depois mas o vazio daquela perda continua no meu coração. Pensei que o Leonardo iria preencher aquele buraco que cá ficou, mas isso não aconteceu. Seguiram-se os gémeos e eu pensei que iria ficar com o coração cheio mas a verdade é que aquele canto continua cá. Já me conformei que será sempre um espaço vazio, que nunca ficará cheio de recordações e lembranças.  È um espaço que foi guardado para alguém que nunca teve hipótese de o preencher. Um espaço no qual nunca guardarei aquele primeiro sorriso, os primeiros passos, as primeiras palavras.

Agora percebo porque a minha avó falava tanto nos filhos que perdeu. No fundo nunca nos esquecemos e nunca deixamos de os amar.

Só para rir

- Leonardo, posso dormir contigo? - pergunta o Guilherme, que detesta dormir sozinho.

- Lamento mas já estou eu, o banana e o maçã, não há espaço para mais ninguém.

 

- Mãe queres ver os meus trabalhos.

- Mostra lá meu amor. Que letras pequenas tão bonitas.

- Mãe são letras manuscritas.

- E já estás a prender o ai, ei,oi. Muito bem.

- Chamam-se ditongos mãe.

 

- Olá Leonardo! - grita uma menina à porta da escola

- Ah, olá. - responde o meu filho num misto de vergonha ou desdém (não consegui perceber bem).

A menina corre para ele e abraça-o com toda a força. Ele fica como uma estátua e eu segredo-lhe:

- É tua namorada?

- É só minha amiga! É só minha amiga! - explica muito aflito