Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Coisas que não consigo compreender.

Na sexta-feira, quando estávamos nas compras, veio uma senhora meter-se com os gémeos.

- Tão bonitos! São gémeos? - perguntou

- Sim são. - respondi

- São dois meninos ou um casal?

- São dois meninos.

Entretanto, chegou a nossa vez e aproximei-me do balcão fazer o pedido. A senhora continuou na conversa com a minha mãe e eu ouvi-a perguntar:

 - São dois meninos ou um casal?

Pensei logo que a senhora deveria ter Alzheimer ou outra doença da mesma família. Quando regressei tive a confirmação. O marido já tinha estado a conversar com a minha mãe a dizer que também tinha um bebé para tomar conta. O meu coração ficou derretido por ver nele tanta dedicação à esposa.

É bom saber que o senhor ainda tem disposição para brincar com o assunto porque estas doenças são muito pesadas para a família. Vivemos de perto com várias pessoas que lidam com estas doenças diariamente e não é nada fácil. Não é nada fácil manter a calma quando temos alguém que nos pergunta o mesmo de cinco em cinco minutos. Não é fácil manter a calma quando uma mãe não reconhece um filho ou um neto. Não é nada fácil quando as pessoas gritam porque não reconhecem a pessoa que está com elas. Acima de tudo não é fácil arranjar apoios para a família que passa a viver em função do doente.

O doente não pode ser deixado sozinho porque há o risco de fuga. Não pode ser deixado sozinho porque se esquecem de coisas básicas como de comer ou utilizar a casa de banho. Podem, por exemplo, ver a medicação e toma-la toda de uma vez. Podem pegar numa faca e magoarem-se a sério. E isto pode acontecer num abrir ou piscar de olhos. Pode acontecer enquanto pensamos que estão a dormir ou enquanto tomamos banho.

Infelizmente, o numero de pessoas que sofre deste tipo de doenças tem vindo a aumentar ao contrário dos apoios.  É extremamente difícil arranjar um lar que aceite um doente destes. Quando se encontra um a mensalidade é de um valor tal que não pode ser pago. Se se tenta arranjar alguém para vir a casa ajudar também não é tarefa fácil. Existe muita gente disponível mas, poucas que tenha estofo para lidar com estes tipo de doenças. Assim estas pessoas acabam por ficar ao encargo da família, que embora tente prestar os melhores cuidados possível tem falta de conhecimentos especializados que seriam muito úteis nestes casos.

Existe dinheiro para tanta coisa, mas não existe dinheiro para dar algum apoio a estas famílias, que sofrem em silêncio, devido a estas doenças.

 

 

Uma dia muito comprido.

Na sexta-feira, depois de sairmos da médica, aproveitámos para ir às compras. Os gémeos divertiram-se muito nos carrinhos das compras.

20151030_140608.jpg

20151030_140620.jpg

20151030_140634.jpg

 Encheram a barriga de pão e línguas de gato. Depois fomos para casa. Fui para a ginástica e levei os mais velhos para a piscina. Quando voltei a casa o marido estava a tentar dar-lhe de comer mas não queriam. Resolvi tentar eu e lá jantaram. Comecei a soltar o Salvador e quando me voltei para tratar do Santiago.

20151031_191902.jpg

 Já esta a dormir .

 

Afinal ele está pior que eu :)

Ontem, depois de adormecermos os miúdos, o marido disse-me:

- Liguei-te duas vezes e nem me atendes-te, nem me ligas-te de volta.

- Ligas-te para mim? Para que telemóvel?

- Liguei para o teu pessoal.

- Não ligas-te nada. Ainda agora estive com o telefone na mão e não tenho chamada nenhuma não atendida.

- Liguei sim. Se calhar desmarcas-te a chamada.

Levantei-me e fui buscar o telemóvel porque já sabem que eu tenho sempre razão.

- Podes ver que nas chamadas de hoje não está nenhuma tua.

Ele olha para o telemóvel e começa a rir às gargalhadas. Eu fiquei a olhar para ele com um ponto de interrogação  a pairar sobre a cabeça e a pensar que tinha endoidecido de vez. Quando conseguiu parar de rir explicou-me:

- Quando entrei no escritório o meu colega disse-me que o meu telemóvel pessoal tinha estado a tocar e que a chamada era de empresa. Já tinham andado a questionar quem queria falar comigo mas não tinham descoberto. Eu andei o resto da tarde a perguntar às pessoas quem é que me tinha ligado e não consegui descobrir. Agora percebo o que se passou. Em vez de ligar para ti, liguei para mim.

Fartámos-nos de rir com a história, mas eu fiquei preocupada. Acho que ele vai à minha frente para o hospício, só espero que guarde lugar para mim.