Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Preciso, preciso, preciso

- Mãe preciso de um caderno A5 para Inglês e um caderno para musica.- diz o Leonardo

- Eu também preciso de um caderno para musica.- diz o Guilherme

A mãe vai às compras e compro os cadernos pedidos.

 

- Mãe preciso de levar mais um lanche para comer no intervalo da música.- Explica o Guilherme.

A mãe começa a preparar mais um lanche.

 

- Mãe preciso de uma capa para por as folhas de música.- pede o Gui

A mãe vai procura uma capa e entrega-lhe.

- Não é destas! É azul ou vermelha e dá para por muitas folhas lá dentro.

- Igual aquela que usas para a caderneta?

- Não tem muitos plásticos por dentro onde podemos por as folhas.

A mãe lá chegou à conclusão que são daquelas capas que tem um género de micas no interior e tratou de comprar.

 

- Mãe tens que me comprar um Xilofone para ensaiar.-pede o Gui

- Um xilofone? Mas tu não estas a aprender tambor?

- Sim, mas preciso de um xilofone.

- Eu vejo se te arranjo um num chinês.-respondo

- Não pode ser no chinês tem que ser um igual a este.

Por mais que explique acho que ainda não perceberam que o dinheiro não nasce das árvores.

Cumplicidade entre gémeos

Toda a vida ouvi falar da cumplicidade entre os gémeos, todo este burburinho me deixava com a pulga atrás da orelha.

Quando descobri que ia ser mãe de gémeos fiquei feliz e por um lado até aliviada. Os mais velhos sempre foram unha e carne, eu tinha receio que esta proximidade entre os dois e a diferença de idades, impedisse a junção de uma nova criança a esta relação. Ora quando descobri que seriam dois fiquei feliz porque teriam sempre um ao outro.

Entretanto os gémeos nasceram e começaram a crescer. Confesso que fiquei desiludida porque durante muito tempo não vi nenhuma relação especial entre eles. De facto, o único sentimento que pareciam apresentar um pelo outro era o ciúme, bastava pegar num que o outro também queria. De resto parecia que nem sabiam que o outro existia.

O tempo foi passando, o ciúme foi diminuindo e começou a nascer uma relação. Começou como uma planta que cresce e dá origem a um pequeno botão, que depois floresce numa linda e maravilhosa flor. Começaram a rir-se um para o outro, começaram a acordar-se um ao outro, começaram a seguir-se um ao outro.

Hoje em dia, já não passam um sem o outro. Riem-se que nem perdidos a brincares às escondidas nos cortinados. Choram os dois mesmo quando só ralhamos com um. Choram os dois mesmo que só um se tenha aleijado. Se um se deita no chão o outro corre a deitar-se em cima.  Dão gargalhadas enormes quando se salpicam um ao outro no banho. Se solto um, depois de comer, este fica à espera que eu limpe e solte o irmão. Assim que o irmão coloca os pés no chão o outro faz-lhe sinal como quem diz "Segue-me" e lá vão os dois juntos explorar alguma coisa.

Sinto-me uma mãe orgulhosa de ver esta cumplicidade a crescer. Aos poucos vão apreendendo a trabalhar em conjunto como quando querem empurrar a mesa da sala. Podiam colocar-se um de cada a lado a tentar mas não. Juntam-se os dois no mesmo canto e empurram em conjunto até conseguirem chegar à televisão. Acho fantástico que sendo tão pequeninos já trabalhem tão bem em conjunto. Resta-me esperar que nunca se esqueçam que juntos serão sempre mais fortes e que esta cumplicidade continue a crescer.