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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

-Não fui eu!

-Meninos, quem deixou a luz acesa?

-Não fui eu! - Gritam os dois ao mesmo tempo.

 

-Meninos quem é que deixou a televisão ligada?

-Não fui eu! -Afirmam os dois.

 

-Meninos quem deixou a porta da casa de banho aberta?

--Não fui eu! - respondem os dois em simultâneo

 

-Quem é que molhou o chão?

-Não fui eu! -protestam

 

Qualquer que seja a pergunta a resposta é igual. Com certeza que não foi nenhum deles a praticar tal acto. Eu já não os posso ouvir pelo que agora ando armada em detective a tentar descobrir o culpado. De vez em quando apanho-os.

-Quem é que espalhou o lego todo?

-Não fui eu! - é a resposta de ambos

-Leonardo, não estejas a dizer que não foste tu. Eu vi-te.

-Ups...

 

É compreensível, são duas crianças que andam sempre com a cabeça no mundo da lua. É natural que se esqueçam de algumas coisas do mundo real quando a cabeça está sempre naquele mundo imaginário.

Agora o que não é compreensível é vermos o mesmo tipo de atitudes de pessoas adultas. Claro que não dizem que não foram eles. Mas nunca viram nada, não fazem ideia, não sabem como. Diariamente dou de caras com algumas destas situações e fico fula.

No outro dia, apercebi-me que alguém bateu numa das traves da nossa estanteria. A pancada foi tal que a trave ficou totalmente inutilizada. Resolvi questionar quem foi. Claro que não foi ninguém, ninguém viu nada, ninguém ouviu nada.

Acaba-se o papel de fotocópia. Ninguém reparou que tirou as ultimas caixas.

Acaba-se o toner preto na impressora multifunções. Ninguém viu a mensagem que aparece no visor  a dizer que está sem toner.

Podia continuar a tarde toda com um testamento de situações similares. Não percebo esta falta de interesse ou relaxo total.

E vocês também tem o mesmo problema? Só com as crianças ou com os adultos também?

Não se desgrudam.

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 Por aqui os miúdos não se desgrudam. O Guilherme anda sempre a pegas neles e a brincar com eles.Não os larga um minuto. O Leonardo já é mais comedido, ainda tem alguma dificuldade em brincar com eles. Estava habituado às brincadeiras brutas que tinha com o Guilherme e agora tem dificuldade em ter brincadeiras mais calmas. Depois vê o irmão a pegar num dos gémeos e vai logo tentar pegar no outro. Claro que nós repreendemos-lo, primeiro porque pode deixar cair o bebé e depois porque é muito peso para a coluna dele. Fica logo amuado, no outro dia disse-me:

-Não quero ser mais um menino bonito. Isto de me portar bem é uma seca!

Ficamos um pouco sem saber o que fazer. Sei que ele tem ciúmes, não daqueles ciúmes maus mas acho que se sente um pouco posto de lado. Não nos podemos esquecer que até à um ano atrás o Guilherme era só dele. Agora tem que partilhar o irmão, o que é muito chato. Ainda por cima quando tenta brincar com os irmãos estes acabam sempre por chorar o que o leva a pensar que eles não gostam dele. É vê-lo com um sorriso nos lábios quando consegue arranjar uma brincadeira com os irmãos. No outro dia tiveram para ai uma hora a brincar, os mais novo mandavam a bola e ele ia busca-la, que felicidade.

Os mais novos adoram-nos e iam até ao fim do mundo com eles. Quando os mais velhos se fecham no quarto para brincar com legos, ou outras coisas com peças pequenas, os gémeos ficam à porta do quarto a bater à porta e a chorar. Isto até que os irmãos se fartam de os ouvir chorar, desistem da brincadeira e vem cá para fora brincar com eles.