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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Neonatologia

O Santiago nasceu com 2,015kg e o Salvador com 1,575kg. Ao contrario do que seria de esperar o Santiago portou-se pior que o Salvador. Após nascer esteve um pouco apático durante uns minutos e só ficou melhor quando o irmão chegou ao pé dele. Este laço que os gémeos partilham... O pai foi logo vê-los, veio  embora todo babado é cheio de fotos. Eu só consegui ir vê-los no dia seguinte, ainda pensei ir por volta das 22h hora em que me podia levantar mas não consegui, as minhas pernas pareciam gelatina. No dia seguinte logo de manhã subi a neo para os ver, eu estava de rastos ( depois de cinco meses praticamente acamada é natural). Uma das enfermeiras disse-me que eu estava muito bem, mas eu sentia-me como se tivesse sido atropelada por um camião, respondi que se me tivesse visto depois dos partos dos meus outros filhos aí sim estava bem, até parecia que ainda tinha energia para correr a maratona. Namorei um pouco com os meus meninos lindos e depois fui descansar para o quarto. Depois de almoço subi com o marido para ver os meninos. Entrei nos cuidados intermédios mas só vi o Salvador, gelei e não consigo descrever o que me passou pela cabeça naqueles milésimos de segundos. Uma das mães apercebeu-se da minha aflição e disse-me para ir falar com a enfermeira mas as minhas pernas não se mexiam. Finalmente a enfermeira veio ter comigo e disse-me que o meu bebé estava nos cuidados intensivos. Fomos falar com a médica que nos explicou que o menino tinha uma infecção e já estava a antibiótico mas, devido à infecção,estava com dificuldade respiratória e teve de ser ligado ao cpap com o oxigénio no máximo. No dia seguinte foram pesados, o Salvador tinha perdido 75g e o Santiago 110g. O Santiago continuava ligado ao cpap se bem que a pouco e pouco iam diminuindo a intensidade do oxigénio.

No domingo tive alta, custou tanto deixar os meus bebés. ainda por cima quando os fui ver antes de me ir embora uma das enfermeiras deixou-me pegar no Salvador enquanto comia pela sonda. Era leve como uma pena, a cabeça cabia perfeitamente na minha mão e eu tenho umas mãos pequenas, mal chegava ao meu cotovelo de cumprimento ( com as pernas encolhidas, claro). Assim que mo colocaram nos braços fiquei com as lágrimas nos olhos, completamente enamorada por aquele ser. Passados dois dias já tinham recuperado o peso com que nasceram, o Santiago voltou para ao pé do irmão nos cuidados intermédios estava a recuperar bem. estavam a fazer tratamento para a Icterícia. Três dias depois entro nos cuidados intermédios e não vi o Santiago, perguntei imediatamente a enfermeira pelo meu filho. Ela respondeu-me que estava no mesmo sítio. No lugar da incubadora estava um berço com o nome do meu bebe. Destapei o berço ( as incubadoras e os berços estão tapados com um pano para reduzir a luminosidade e ajudar os bebés a descansar), espreitei lá para dentro e não é que lá estava o meu menino. A partir do momento em que vão para o berço passam a ser as mães que lhes tem que dar banho. Eu claro andava felicíssima pois podia interagir mais com ele. Cinco dias depois foi a vez do Salvador passar para o berço, mais uma vitória para nós. Deixaram de comer por bomba e passaram a comer por gravidade. Ligávamos seringa cheia de leite à sonda, retirávamos a peça interior da seringa e a gravidade empurrava o leite para o estômago dos meninos. O objectivo era comerem cada vez mais rápido. Passados mais cinco dias começamos a tentar o biberão, eles mamavam uns 5 ml e depois cansavam-se. Continuamos a tentar, umas vezes mamavam um pouco, outras estavam muito cansados e não mamavam nada. Entretanto fizeram as 36 semanas ( sexta-feira) e as médicas diziam que já era tempo mamarem tudo mas não pareciam interessados. O Santiago mamava um pouco melhor que o irmão, entretanto arrancou a sonda pela milésima vez e a enfermeira não lha colocou a ver o que acontecia. Quando regressei no sábado  de manha descobri que tinha mamado os biberões todos sozinho. Falaram-me que na segunda-feira deveria ir para casa. Fiquei feliz mas triste ao mesmo tempo pois não queria levar um e deixar o outro. Como que a adivinhar a separação eis que o Salvador começou a mamar tudo também. Na segunda feira quando chegaram as médicas ambos mamavam tudo há mais de 24 horas, assim tiveram alta e pudemos trazer os nossos meninos para casa. Ao todo estiveram 24 dias na neonatologia de Santa Maria e só posso dizer que foram uns meninos muito mimados. A equipa é espetacular e só podemos agradecer pois é graças a eles que temos estes dois bebés.

Um dia daqueles

Hoje foi mais um dia daqueles, mil e uma coisas para fazer e o dia sem horas suficientes. Levantei-me bem cedo pois tinha que ir a segurança social. Vesti os meninos, troquei fraldas, dei comer e lá fomos nós. Cheguei a segurança social mesmo ao abrir tratei do que tinha a tratar e corri com os pequenos para o carro. Apresei-me a Deixa-los um pouco com a avó enquanto fui a escola falar com a psicóloga que tem estado a acompanhar o Leonardo. Fiquei estupefacta quando está me disse que o Leonardo se portou lindamente com ela. Nada de birras, nem mesmo quando contrariado... Vá se lá perceber. Recebi alguns concelhos que talvez dêem resultados. De seguida tornei a ir buscar os pequenos e fui com eles ao hospital pois a maldita pieira que começou em Janeiro não há meio de passar. Foram observados, mais uma vez confirma-se a falta de ar. Receitam Ventilan, mais Ventilan não tem feito outra coisa ainda no sábado acabaram o último tratamento. Nunca mais vem o tempo bom. Deixo os meninos novamente com a avó e vou trabalhar. Chego por volta das 13:30h e apresso-me a tentar compensar o tempo perdido. Saio as 16:50h meto-me na auto-estrada para fazer os 30 km que me separam dos miúdos. Chego as 17:20h subo o quarto andar a buscar os gémeos e o Leonardo. Vou buscar o Guilherme a escola. Todos metidos dentro do carro? Sim então seguimos para casa. Chegados a casa deixou os quatro um pouco com o pai enquanto corro até a farmácia. Quando volto os pequenos já tomaram banho. Corrijo os trabalhos ao Guilherme e aqueço lasanha para o jantar. Depois de comermos dou sopa ao bebés. Ainda nem são nove horas e eu já estou de rastos. Olho para o aquário e penso que preciso mesmo de o limpar parece uma selva. Será que ainda existem peixes ou foram comidos pelas plantas?

O parto

Cheguei ao bloco de partos por volta das 12:30H encaminharam-me para um quarto de uma cama. Colocaram-me o soro, o CTG e fizeram-me mil e uma perguntas enquanto escreviam o meu processo. Depois deixaram entrar o meu marido e disseram-me que a doutora já me viria ver. Entretanto entraram duas anestesistas que queriam colocar-me a epidural referi que não tinha dores pelo que ainda não queria qualquer anestésico. Fui conversando com o marido para acalmar a ânsia. Afinal os meninos só tinham 33 semanas e apesar de os médicos disseram que o parto era necessário fica sempre uma duvida. Por volta das 13:30H veio a médica, mandou o marido sair e fez-me o toque, estava de 4/5 dedos. Não fiquei admirada afinal as contracções nunca tinham parado. Disse-me que viria um enfermeira colocar-me oxitocina para ajudar a dilatar.

O marido voltou a entrar e continuamos na conversa, cerca de 15 minutos mais tarde entrou a enfermeira e colocou-me o dito medicamento. Por volta das duas e pouco apareceu o medico que me seguiu no internamento ( chefe do departamento de obstetrícia), queria saber se eu estava bem e tranquilizar-me pois  iria entrar ao serviço no turno seguinte e seria a equipa dele a fazer-me o parto. De repente olhou para mim e saiu a falar alto do quarto. Voltou segundos depois acompanhado pelas anestesistas exigindo saber porque motivo não tinha eu o acesso da epidural. As doutoras referiram que eu não queria e eu argumentei que ainda não tinha dores pelo que não havia necessidade. Por fim lá saíram todos e deixaram-me a sós com o marido que estava morto de fome. Disse-lhe que fosse comer até porque estava quase na hora da mudança de turno e teria de sair de qualquer forma. Assim fiquei sozinha mas não durante muito tempo pois passados alguns minutos entraram no quarto algumas enfermeiras, estavam a passar o turno e iam de quarto a quarto explicar tudo. Fiquei novamente sozinha e as contracções ficaram um pouco mais fortes, ainda não tinha dores mas sentia uns apertões fortes na barriga. Num desses apertões rebentaram-me as aguas, fiquei toda encharcada. Toquei a chamar a enfermeira mas como estavam na mudança de turno demoraram um pouco. Passados cinco minutos lá apareceu a enfermeira que ao ver como eu estava foi chamar ajuda. De repente fiquei com o quarto cheio de gente. Eram 15:25H, as enfermeiras tentavam mudar a cama comigo lá em cima, entretanto uma lembrou-se de me perguntar se eu queria epidural eu respondi que já não devia ir a tempo. Outra enfermeira dizia que não sabia se me havia de fazer o toque ou não, finalmente decidiu fazer e estava com 8 dedos. Apressaram-se a ir chamar os médicos. A anestesista entrou no quarto e ainda me disse para me deitar de lado para me dar a anestesia mas eu já não conseguia. Estava em pânico sentia que os meninos iam nascer mas ainda não estava nada preparado, não bastava serem prematuros ainda iam nascer sem um médico presente. De repente entram os médicos completamente à civil, o doutor diz-me para ter calma e não fazer força. Eu juro que não fiz força, acho que nem abri as pernas e de repente sai um dos meninos disparado. Uma das médicas ainda o tentou agarrar mas não conseguiu. Eu só vi um bebe gordinho em cima da cama, o doutor olhou para o menino e disse-me:" Que grande bebé." Eram 15:40H, cortaram o cordão e apressaram-se a levar o meu Santiago embora. "Agora podemos respirar um pouco" disse uma da médicas enquanto vestiam as batas descartáveis que nem tinham tido tempo de vestir.  Uma das enfermeiras apareceu a correr com um ecografo para terem a certeza que o Salvador não teria dado a volta impossibilitando o parto normal. Felizmente estava pronto a nascer apareceram uns ferros para colocar as pernas, nem sei bem de onde, e disseram-me para fazer força. Às 15:54H nasceu o Salvador a doutora mostrou-mo e entregou-o a outra que saiu apressadamente com ele. Vi imediatamente que era bem mais pequeno que o irmão, afinal os doutores estavam certos. Esperamos um pouco para que saísse a placenta, entretanto vieram dizer-me que os meninos estavam bem e que a neonatologia viria falar connosco pais. Deram-me uma anestesia para me cozer mas acho que não fez efeito. No meio disto tudo a anestesista veio dar-me os parabéns por ter tido gémeos sem anestesia e uma das enfermeiras veio pedir-me desculpa por não terem chamado o pai dos bebes mas não tinha dado tempo. Eu respondi que não havia problemas afinal ele dizia que não sabia se queria assistir a dois a nascerem assim ao menos não teve que dar parte fraca, tem sempre a desculpa que não chegou a tempo. Eu pedi desculpa as enfermeiras pela confusão. Finalmente depois de estar toda arranjada chamaram o marido que vinha branco ( ainda bem que não assistiu ao parto). A primeira coisa que faz é dar-me um raspanete que quase o matava do coração. Afinal ele tinha chegado para entrar mas ainda estavam na mudança pelo que o mandaram esperar, no mesmo instante começa a aperceber-se de um grande alvoroço. Disse que os médicos estavam a entrar no bloco ( passaram por ele que estava a porta) e que assim que abriram a porta ouviu as enfermeiras a gritarem para eu aguentar. Disse que só se acalmou quando uma das enfermeiras lhe foi dizer que estava tudo bem. Homens.... Passado um pouco veio uma médica da neonatologia dizer que os meninos estavam bem, iam ficar em incubadora nos cuidados intermédios. Saiu-nos um peso de cima mas ainda não podíamos respirar descansados. Foi uma sexta-feira diferente no hospital de Santa Maria. Ainda hoje por vezes quando me perguntam onde nasceram e eu digo que nasceram lá em Julho, dizem-me não me diga que foram uns gémeos que nasceram numa sexta-feira. Eu aceno com a cabeça e recebo um grande sorriso de volta.

Internamento

Fui para o internamento mas fui informada que a qualquer momento poderia ser levada para o bloco de parto. Passou um dia, dois, três e estava tudo espantado por ainda nos estarmos aguentar.  Os médicos vinham fazer as rondas e explicavam a cada grávida que exames iam fazer e mais ou menos quando iam para casa, a mim só me diziam para ver se os gémeos aguentavam mais uns dias. Passou-se uma semana e continuava tudo na mesma. Passava os dias deitada na cama só me levantava para comer e ir à casa de banho. Pelo menos, tive a sorte de ir tendo umas boas companheiras de quarto o que ajudava a passar o tempo, mas já começava a ficar aborrecida. Fazia CTG uma vez por semana e todos os dias às enfermeiras vinham ouvir os bebés 3 vezes. Os meus meninos não tinham espaço para  se mexer pelo que nem tínhamos que procurar o coração para ouvir. Eu já indicava as enfermeiras onde colocar o aparelho. Finalmente o médico disse-me que se aguentasse as 34 semanas ia para casa estava a fazer as 32 pelo que estava quase. Os dias continuaram a passar e eu dizia a toda a gente que ia para casa as 34, já estava a fazer planos, uma enfermeira disse-me que agora até acreditava que eu ia aguentar. As 32 semanas e 3 dias fui fazer uma eco e os fluxos estavam todos alterados. Voltei para o internamento e disseram-me que iria repetir a eco nos dia seguinte. Repeti as injecções de maturação pulmunar pois as primeiras já tinham perdido o efeito. No dia seguinte por volta das duas da tarde fui repetir a eco. A médica que fez a eco disse que não via nada de mal com os bebés, e pediu-me para esperar fora da sala na cadeira de rodas pela auxiliar. Fora da sala ouvia ligar para o bloco de partos e para a neonatologia a avisar que afinal não iam fazer o meu parto. Fiquei um pouco pensativa afinal os fluxos deviam estar muito mal para já terem tudo preparado para o parto. Voltei para o internamento onde passei mais dois dias. Na sexta-feira disseram me que tinha que ir repetir a eco. Lá fui eu fazer um novo passeio de cadeira de rodas pelo hospital. O Dr. demorou imenso tempo a fazer a eco e quando terminou disse-me que os fluxos estavam muito mal e estava preocupado com os bebés . Fiquei à espera enquanto foi em busca do chefe da obstetrícia. Voltaram os dois para me perguntar se estava pronta para subir para o bloco de partos. Estava com 33 semanas e não estava de forma alguma pronta, afinal os bebês seriam prematuros mas se eles achavam que estavam em perigo quem era eu para duvidar. Desci ao internamento para arrumar as minhas coisas, liguei ao marido e a mais meia dúzia de pessoas a dizer que os meninos iam nascer e fui encaminhada para o bloco de partos.

Gravida de gémeos

Esta gravidez custou-me muito, foram sete meses sempre com o coração nas mãos. Começou logo nas primeiras semanas, estava sempre a perder um pouco de sangue. Havia dias em que a quantidade era maior, ia à urgência faziam-me uma eco e estava tudo bem com os meninos. Os médicos não me sabiam explicar porque motivo sangrava. Ás doze semanas  e 4 dias acordei a meio da noite e sangrava imenso, dirigi-me imediatamente às urgências. A eco acusou descolamento da placenta e fiquei internada. De manhã já não perdia sangue, fiz outra eco num ecografo melhor que confirmou o descolamento da placenta, em dois sítios. Deram-me baixa de alto risco e mandaram-me para casa em repouso absoluto.

Foram dias horríveis, com muitas dores. Assim que me punha em pé, só para ir a casa de banho, tinha dores e sangrava. Comprei um banco para me sentar no banho pois nem conseguia estar em pé. Finalmente com o passar dos dias o sangue foi ficando mais escasso. Fiz nova eco as 15 semanas e 3 dias e já não havia descolamento da placenta, mas um dos bebes estava significativamente mais pequeno que o outro. O cordão deste bebe só tinha um vaso enquanto que o do outro tinha dois, logo um recebia mais comida que o outro. O fémur do primeiro bebe estava muito abaixo do normal, isto aliado a ausência de um vaso de alimentação poderia significar problemas nos cromossomas. Fui encaminhada para a consulta de genética.

Na consulta de genética a medica explicou-me que deveria fazer amniocentese para perceber se havia ou não problemas com o bebe. Explicaram-me que se houvesse problema com um dos bebes esperaríamos até as 26 semanas para fazer a interrupção da gravidez do gémeo com problemas. Existem muitos casos em que o parto do segundo gémeo é desencadeado após o procedimento, por este motivo esperam pelas 26 semanas, assim o bebe tem mais hipóteses de sobrevivência. Eu que ainda não estava recuperada da ameaça de aborto e com a certeza que não poderia fazer nada antes das 26 semanas resolvi adiar decisão por uns dias. Acordei com a medica esperar pela nova eco, marcada para as 18 semanas, para ver se os valores se mantinha e então decidir. Entretanto na semana a seguir fui novamente chamada à genética, a médica explicou-me que não se tinha apercebido que eram  monocoriônicos e que neste caso se houvesse problemas seria com os dois bebes e teríamos que interromper a gravidez. 

Não sei porque, mas eu tinha a certeza que os bebes estavam bem e disse à medica que não ia arriscar fazer a amniocentese,cujo risco é mais acrescido no caso de gémeos, antes de fazer outra eco.

Fiz nova eco as 18 semanas e o valor do fémur do bebe continuava pequeno se bem que tinha passado de percentil negativo para percentil 5. O Dr.. da eco questionou-me sobre a amniocentese, disse-me que tinham discutido o meu caso e que era possível só um dos bebes ter problemas. Fiquei ainda mais confusa primeiro era só um, depois tinham que ser os dois agora podia ser só um novamente? Disse-lhes que como o valor do fémur estava a crescer iria esperar pela eco da semana seguinte e tomaria uma decisão.

As 19 semanas mais 4 dias fiz nova eco e surpresa das surpresas o valor do fémur estava normal. Já não havia necessidade de fazer a amniocentese e eu estava radiante. No entanto a felicidade durou pouco, existia uma grande discrepância de liquido amniótico entre os bebes, um mexia-se muito e o outro não. Estavam em risco de sindroma transfusão feto-fetal severo. Falaram-me que se se comprovasse teria que fazer tratamento endoscópico laser fora de Portugal.

Repeti eco as 20+4, 21+5, 22+3, 24, 25 e estava tudo na mesma, os fluxos estavam sempre alterados. Entretanto as 25 semanas+6 dias dei entrada na urgência cheia de contracções. Fui internada, colocaram-me a soro para hidratar ( estava desidratada devido aos vómitos que nunca tinham desaparecido e que por vezes eram tão intensos que nem agua eu conseguia aguentar no estômago) e iniciarei a indução da maturação pulmonar. No dia seguinte fiz eco os fluxos estavam mais ou menos mas o colo tinha diminuído de 42mm para 20mm. Continuei internada mais 4 dias e depois tive alta mas sempre com recomendações de repouso absoluto. Ás vezes apetecia-me perguntar como é que conseguia fazer repouso absoluto se passava a vida em eco, consultas e analises...

As 28 nova eco continuava tudo na mesma. Na semana seguinte acordei cheia de contracções, tinha 29 semanas + 3 dias, não me mexi o dia todo mas não quis ir ao médico. Por fim as contracções abrandaram. Passados 4 dias fui a consulta das 30 Semanas estava tudo bem até me fazerem o toque. O Dr.. ficou com duvidas chamou a chefe que me mandou fazer uma eco. O colo do útero tinha desaparecido e tinha três dedos de dilatação. Mandaram-me para a urgência fazer o internamento. Esperei 4 horas na urgência os médicos ficaram retidos num parto complicado e eu que deveria estar de repouso estava ali à espera. Por fim lá apareceram os médicos mas não sabiam se me enviavam para o bloco de partos ou para o internamento de grávidas.  Finalmente entenderam que eu devia ficar internada para ver se adiávamos o parto o mais possível. 

O internamento fica para outro dia.

 

Este ano quero uma clone

Para quem não sabe, hoje é o meu aniversário. Estive a pensar qual seria a melhor prenda de aniversário que poderia receber e cheguei à conclusão que o melhor presente do mundo seria um clone de mim própria. Porque? Porque devido ao meu feito tão particular ninguém faz as coisas como eu. Acabo por fazer tudo sozinha porque nunca fico satisfeita com o que os outros fazem. Se o marido apanha e dobra a roupa eu vou dobra-la à minha maneira. Se ele estende a roupa eu vou por trás dar o meu jeito. Claro que ele ele fica chateado, então de forma a evitar discussões, quando me pergunta se preciso de ajuda respondo sempre que não. Sei que faço mal mas não consigo evitar. Por vezes tento ser menos obsessiva pois sei que não é bom nem para mim nem para os meninos. Quando os vejo voltar a trás para ajeitar um tapete que ficou torto ou quando estão a arrumar os brinquedos tão meticulosamente sempre no mesmo sitio penso que a culpa é minha, mas o que ei-de fazer não é defeito é feitio.

Eu também cresci com uma mãe completamente maníaca, que limpava a casa todos os dias da semana e não morri. Os únicos dias em que ela não limpava a casa era quando saiamos para casa da minha avó. Quando eu e o meu irmão éramos pequenos comíamos na cozinha, fazíamos os trabalhos de casa na cozinha, víamos televisão na cozinha, brincávamos na cozinha. O quarto era só para dormir e mesmo assim era limpo todos os dias. Agora a mãe está muito melhor, até já deixa os netinhos fazer migalhas por todo o lado. Hoje quando nos juntamos gozamos com a mãe, pois agora os meninos podem fazer tudo. Enfim acho que a idade muda as pessoas.

Espero que me mude também! Quem sabe daqui por uns anos serei capaz de deixar o marido estender a roupa, não passar a ferro, era uma loucura.

Mas até lá preciso de uma clone minha capaz de acatar ordens e muda por favor. Acho que o marido não aguente outra refilona como eu. Fico à espera!

Passo a vida nas compras

Isto de ter seis pessoas em casa é um pouco difícil, ainda por cima neste momento  em que temos que fazer duas alimentações diferente. Tenho que fazer jantar para os mais crescidos e sopa para os mais novos. Dia sim dia sim vou às compras e falta sempre qualquer coisa. Ora é o leite, ora as papas, ora não tenho fruta...

Faço listas intermináveis e mesmo assim nunca consigo comprar tudo. Por vezes esqueço de acrescentar certos artigos à lista ou então esqueço-me deles no supermercado. Mesmo as coisas que me lembro de comprar desaparecem a um ritmo alucinante. Faço dois bolos, por norma faço sempre dois para aproveitar o forno, sábado à hora de almoço ao final do dia já comemos um e durante a manhã de domingo vai o outro. Isto é valido para fruta, iogurtes, pão, bolachas.

Passo a vida à caça de promoções mas mesmo assim é necessário fazer malabarismo para sustentar esta malta toda. Para ajudar nunca tive leite para dar de mamar, logo até isto tenho que comprar. Não fazem ideia as latas de leite, pacotes de fraldas e papas que compro durante o mês, só com isto quase que vamos à falência. Uma ajuda preciosa que tenho é a minha bimby já um pouco velhinha mas vou conseguindo poupar tempo, porque tempo também é dinheiro, e dinheiro.

Estou a pensar comprar acções dum hipermercado assim pode ser que tenha algum retorno do capital gasto. O que recomendam?

 

Espetáculo ambulante

As vezes penso que poderia montar um circo e cobrar bilhetes. Cada vez que saímos a rua somos a atracção principal até parecemos famosos, bem somos bem famosos nos sítios que frequentamos habitualmente. Cada vez que saímos a rua toda a gente olha e cochicha, primeiro porque toda a gente repara em gémeos, depois porque vem que são quatro filhos e por último todos rapazes. Não há um dia em que não tenha que responder a perguntas. Ainda hoje recebi um cliente no trabalho (voltei a pouco mais de quinze dias) que já não via a mais de um ano, desde que fui de baixa. Assim que me viu perguntou "então Catarina como é isso de ter quatro filhos? Eu já não tenho coragem de tentar o terceiro". Claro que a minha resposta é que está tudo bem, os meninos são calminhos, comem bem,dormem bem, não nos podemos queixar. O cliente insiste com mais algumas perguntas a que já estamos habituados. Depois desta situação ainda tive uma melhor. Fui buscar os quatros meninos. Vimos eu, a minha mãe, os quatro miúdos e o carrinho dos gémeos no meu monovolume de sete lugares. Claro que um dos lugares está ocupado pelo carrinho, o Leonardo vai no lugar mais atrás, os gémeos vão no bancos laterais atrás e o Guilherme, como já não usa cadeirinha, vem espremido entre os gémeos no lugar do meio. De repente, a minha mãe chama-me a atenção para uma camioneta que se colocou ao meu lado na via rápida só para os ocupantes espreitarem estes miúdos todos. Afastaram-se depois a rir às gargalhadas, provavelmente a pensar que éramos uns doidos. Por estes motivos penso que poderia montar um espectáculo e cobrar bilhete, assim pelo menos tinha uma ajuda para sustentar esta família!

Fascínio por gémeos

Pergunto-me qual é este fascínio que temos pelos gémeos? Eu confesso que sempre quis ter gémeos. Quando engravidei pela primeira vez estava tão esperançosa mas afinal era só um. Claro que amei logo aquele menino com todo o meu coração. Quando fiquei grávida pela segunda vez tive esperanças, infelizmente as coisas não correram bem e acabei por abortar. Passado quatro meses estava grávida novamente e só queria que viesse com saúde. Passaram quatro anos e resolvemos ter um terceiro filho. Mais uma vez fiquei logo grávida e com uma grande surpresa. Estavam em promoção leve 2 pague 1.

Claro que não sou a única que é fascinada com gémeos. Recordo-me que quando fui fazer a primeira ecografia o doutor que me estava a ver estava com algumas duvidas e chamou um colega com mais experiencia. O segundo doutor assim que viu que eram gémeos monocorionicos ficou eufórico, mais parecia uma menino na manhã de Natal. Correu com o outro do ecografo e ficou quase uma hora deliciado de volta da minha barriga. Depois de confirmar que estava tudo bem marcou-me imensas ecografias todas para ele. Seguiu-me durante toda a gravidez e posso dizer que foi incansável. Lembro-me de me pedirem para deixar os alunos assistirem pois estes gémeos são dos mais raros.

O fascínio continua na rua, na escola, no posto medico, nos hospitais, no supermercado... Toda a gente repara em nós. Toda a gente pergunta por nós. O marido chega e diz que uma colega, um vizinho ou até um amigo lhe perguntou pelos meninos. Os mais velhos chegam da escola e dizem que a professora ou uma auxiliar lhe perguntou pelos manos. Se vou a escola dos mais velhos os miúdos parecem abelhas de volta do carrinho, há mãos saídas de todos os lados para fazer festas nos pequenos. 

Chego à conclusão que quase todos nós temos um fascínio pelos gémeos, claro que nem todos se sentem aptos a serem pais de uns mas todos gostam de os ver. Eu como mãe agradeço pois sei que infelizmente existem muitas mulheres que não conseguem ser mãe e eu felizmente sou abençoada com quatro.

Tanta coisa nova

Quem diria que num terceiro e quarto filho iríamos aprender tanta coisa. Começou logo pelo internamento na neonatologia, incubadoras, sondas, máquinas e mais máquinas, tanta coisa nova. Depois vieram os percentis minúsculos, eu habituada a bebés de percentil 75 de repente tenho dois micro seres com percentil 3. De seguida, as doenças...a pieira, a falta de ar. As máquinas de Aerosoles, as câmaras de expansão. Nos que nunca tínhamos precisado de nada de isto. De repente usamos Ventilan, Rosilan, Atrovent, FLuxotaide tudo coisas desconhecidas. Quando pensamos em ter um terceiro filho pensamos que seria mais fácil, já tínhamos experiência de dois. Embarcamos nesta aventura mas o destino pregou-nos a partida dos gémeos e então tudo mudou.

 A única coisa que tenho a dizer é que mesmo assim ainda conseguimos aplicar algum dos conhecimentos dos mais velhos neste meninos. Acho que quem tem gémeos numa primeira gravidez ainda devem passar mais dificuldades que nós. Para nós existem muitas coisas novas mas para pais de primeira viagem é tudo novo. Os pais de gémeos são uns seres muito corajosos.