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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

A coragem não veio

Em Outubro deste ano os rapazes voltaram à natação. Os gémeos voltaram a ter aulas com a professora inicial que retornou de licença de maternidade. Digamos que a coisa não começou muito bem. A professora é exigente e aperta com eles. O Salvador só fim de uns dias já adorava as aulas. Com o Santiago a coisa foi totalmente diferente. Chorou todas as aulas durante mais de um mês. Tinha medo de mergulhar na parte mais funda da piscina. Batia o pé e não fazia metade dos exercícios.

Em casa fomos conversando com ele. Falei sobre coragem e desafios.

Os dias foram passando entre choro e conversas até que um dia deixou de chorar. Agora faz quase tudo o que a professora quer. No outro dia estava a todo animado, no caminho, a dizer que ia saltar para a parte funda da piscina dos crescidos. Eu estranhei mas mantive a mente aberta. Assim que viu a professora disse-lhe:

- Professora hoje não trouxe a minha coragem.

As pessoas em redor riram do discurso dele, eu senti o receio inerente .

Vamos continuar a trabalhar para que o medo vai ficando cada vez mais pequeno, e havemos de o superar. 

Temas difíceis

- Mãe porque é que os pais de alguns amigos não vivem juntos?

- Às vezes isso acontece. Os pais deixam de se amar e vai cada um para sua casa.

- Alguns amigos têm duas casas. Dois quartos diferentes, e muitos brinquedos em cada casa.

- Pois quando os pais se separam as crianças costumam ter um quarto em casa da mãe e outro em casa do pai. Uns dias dormem num e noutros dormem no outro.

- O nosso amigo A passa o sábado e o domingo com o pai... Mãe? 

- Sim filho. 

- Tu algum dia vais deixar de gostar do pai. 

- Não sei filho. Acho que não mas nunca se sabe. 

- Eu não quero ter dois quartos. É muito mais giro estarmos todos juntos. 

 

 

Problemas no trânsito

- Oh, tão fofos. - digo enquanto paro o carro.

- Mãe porque é que não andas. 

- Porque estão a atravessar a estrada. 

- Mas eu não vejo nunhuma pessoa. 

- Não é uma pessoa. 

-Então o que é. 

- Olhem para a janela do lado esquerdo. Que já saíram da estrada. - digo enquanto abro o vidro e avanço ligeiramente o carro. 

- MÃEEEEE são pintainhos! 

- NÃO MANO SÃO PATINHOS!!! 

- Pois são. A mãe pata é os seu patinhos. 

- Oh tão fofinhos. 

Fica os ali um pouco, com olhos enternecidos, até a pata branca desaparecer de vista com os seus patinhos amarelos. Assim é a vida no campo

A cama das vizinhas

- Mãe hoje não quero dormir na minha cama.

- Não queres dormir na tua cama?

- Não. Posso ir dormir para a cama das vizinhas?

- Queres ir dormir para onde? - pergunto eu

- Rapaz ainda és muito novo para andares nessa vida... - comenta o pai em tom de brincadeira

- Na cama das vizinhas é tão confortável.

- Como é que tu sabes que a cama das vizinhas é confortável.

- Porque quando a avó dormiu lá eu fui um bocadinho e era confortável.

- A avó dormiu em casa da vizinha?

- Não dormiu no outro quarto na cama...

-  Na cama das visitas.

-... Sim é isso. Cama das visitas não é das vizinhas.

 

Desafio de escrita dos pássaros #17

Luz e sombra é o tema desta semana e não podia ser mais apropriado.

Escrevo o último texto deste desafio com muito orgulho. Orgulho de termos conseguido. De termos feito textos fantásticos. Da interacção que fizemos despoletar.

Sou invadida por uma luz ao ver a meta final.

Mas a luz é logo ofuscada por uma sombra que se avista ao fundo. Uma sombra de quem pensa e agora? O que é que eu faço à sexta-feira até à próxima edição? Será que o grupo será o mesmo? Sangue novo? Seremos capazes de manter o espírito, a união, a cumplicidade.

Teremos que esperar para ver. 

Já sem pontos

Ontem fui com o Guilherme ao hospital para tirar os pontos. As enfermeiras foram espetaculares, aliás todo o pessoal hospital o foi. Desde o internamento às consultas temos estado rodeados de profissionais atencioso e preocupados.

O rapaz estava um pouco nervoso mas não queria deixar transparecer. Não ajudou ouvir os gritos de outra criança na sala de tratamento. Quando se deitou na marquesa estava todo contraído da ansiedade. 

A enfermeira tirou o primeiro ponto e ele relaxou imediatamente. Os outros três pontos foram retirados num ambiente muito mais leve.

A médica ficou satisfeita com a cicatrização. Não pode fazer educação física até ao fim do mês. Depois recomeça tudo normalmente. 

 

Hoje não quero ir à escola

- Meninos são horas de acordar.

- OH...

- Tem de ser.

- Eu não quero ir à escola! - diz o Santiago

- Eu tenho que ir trabalhar.

- Mas eu quero dormir mais um bocadinho.

- Não pode ser.  Salvador não te mexes?

- Estou tão aconchegadinho aqui na minha caminha. Quero ficar aqui o dia todo.

No fundo a ideia até não era má. Entrava na cama deles e ficávamos ali e riscados no quentinho. Aproveitava o momento para sentir o calor do corpo deles.

No entanto não podia mesmo ser. Lá saímos para este dia gelado e enevoado.