Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

O meu irmão

Em Setembro o Leonardo começou a frequentar o quinto ano. Voltou a estar na mesma escola do irmão mais velho e nós notámos uma grande diferença nos dois. 

A primeira melhoria foi o facto do Guilherme ter deixado de dizer que não gosta da escola e que não queria ir. Agora acorda animado, até empolgado. Conseguem estar prontos a horas e saímos de casa sem correrias, nem chatices. Está mais empenhado nas disciplinas e no estudo. 

O Leonardo anda radiante, não só está com todos os colegas como se encontra com o irmão algumas vezes. 

Esta semana o Guilherme faltou um dia pois tinha consulta. O Leonardo já não queria ir porque ia ficar sozinho. Eu argumentei que eles mal se cruzam durante o dia. Os intervalos são pequenos, nem sempre almoçam à mesma hora, quase nunca saem ao mesmo tempo. Argumentei tudo isto e a resposta foi.

- Mas eu sei que ele está lá!

E a verdade é mesmo essa. Um irmão trás uma sensação de aconchego que não é possivel colocar em palavras. Podem discutir, guerrear, brigar mas estarão sempre lá uns para os outros. 

Pijama ou pesadelo

Hoje é dia do pijama pelo que a maioria das crianças são desafiadas a passarem o dia de pijama. É um dia que elas costumam adorar. Passam o dia com a vestimenta mais confortável e aconchegante. Quem é que não adora vestir o seu pijama, seja graúdo ou criança?

Escolhi dois pijamas fantásticos para os rapazes levarem para a escola. O Salvador vestiu o seu sem problemas e encheu o peito de orgulho porque ia ser o polícia da sala.

O Santiago olhou para o dele e disse que não. Afirmou que o pijama do homem aranha não servia para a ocasião. Tentei compreender e deixei a escolha a cargo dele. Vinte minutos depois tinha experimentado todos e não queria nenhum. Um tinha um urso e não podia ser. O outro era azul, claro que não. Um estava excluído por ter naves espaciais.

Respirei fundo e sugeri que fossemos ver se o Leonardo tinha algum que ele gostasse. O único que não lhe ficava gigante tinha caveiras. Primeiro disse que sim mas depois de vestido já não quis. 

Claro que a minha paciência esgotou. Vestiu o que eu quis. Chorou grande parte do caminho. 

Chegamos à escola, os colegas estavam vestidos com pijamas do batman, super homem e afins.

- Afinal podia ter vestido o homem aranha.

😒Nesse momento percebi que não tive uma gaja mas tenho um gajo com feitio de gaja. Deus me de paciência... 

Desafio de escrita dos pássaros #10

Um pai e uma mãe tem a magnifica ideia de fazer um passeio de carro com os seus pequenos. Na sua cabeça idealizam uma viagem épica, daquelas que ficam na nossa memória para todo o sempre. Os pais anseiam por tempo de qualidade em família e estão certos que a viagem será óptima para este propósito.  O dia chega finalmente. O pai faz malabarismos para enfiar as três malas, duas mochilas, um saco de calçado, um caso de brinquedos, jogos de tabuleiro, o carrinho, chapéus de chuva, capas para a chuva na bagageira. Finalmente consegue mas sabe que terá que ter cuidado na hora de abrir o porta bagagem para não ficar soterrado. 

Começa a colocar os rapazes nos carro enquanto a mãe tenta partilhar o seu lugar no carro com sacos e sacos de comida. Finalmente estão todos dentro do carro, com cintos postos e iniciam a viagem da sua vida. Dez minutos depois:

- Ainda falta muito?

- Ainda agora saímos de casa. Vamos demorar um pouco.

- Ainda falta muito? - diz passados mais uns cinco minutos

- Eu disse que ia demorar muito.

- Tenho fome.

- Toma uma banana.

- Eu também quero.

- Eu também.

- Continuo com fome.

- Tenho pão.

- Eu quero - dizem todos ao mesmo tempo

- Posso comer mais alguma coisa.

- Agora não.

- Ainda falta muito.

- SIM - dizem os pais 

- A que horas vamos chegar.

- Ainda faltam mais de duas horas. 

- Duas horas!!!! Isso é muito tempo.

- Vamos jogar ao jogo do silêncio.

- Não isso é uma seca.

- Então vamos procurar carros.

- Eu escolho vermelho.

- Eu preto. Está ali um, e outro...

- O mano está a ganhar... - choraminga um

- Acabou o jogo. Que tal tentarem dormir.

- Estamos quase?

- NÃO! Durmam um pouco e chegamos num instante.

- O mano encostou a cabeça na minha.

- Não, não.

- Sim, sim.

- Não, não.

- SILÊNCIO. Se eu oiço mais um pio ficam de castigo até terem barba.

Silêncio durante dez minutos. A mãe olha para trás e vê que os rapazes adormeceram. Suspira de alivio sabendo que o resto da viagem será calma.

- Mãe já chegamos?

- Não.

-Mas tu disseste que se eu dormisse chegávamos.

- Isso era se tivesses dormido mais tempo.

- Tenho fome.

- Eu preciso de uma casa de banho.

- A sério?

- Estou aflito. Já chegamos.

- Aguenta um pouco.

- Ainda falta muito. Estou mesmo aflito.

- Eu também.

- Eu tenho muita fome.

Pai e mãe trocam olhares e prometem nunca mais tentar tamanha façanha.

 

Clausura

Estou fechada em casa desde sábado. Saí ontem, por breves momentos, para ir ao médico com os rapazes. Este apenas confirmou o meu diagnóstico de varicela.

Os próximos dias prometem. Os rapazes passam o dia a mostrar-me cada borbulha nova que descobrem. Não sossegam dois minutos e cada vez que um toca no outro oiço:

- Mano cuidado com a minha varicela. MÃE o mano tocou numa das minhas varicelas!!!!

Rezem por mim🤪

Desafio de escrita dos pássaros #9

O barulho das ondas penetrou no meu sonho e fez-me despertar. Tentei abrir os olhos mas eles não quiseram colaborar comigo. Senti a boca cheia de algo. Tentei de novo abrir os olhos e um deles reagiu. Vi um imenso amarelo desfocado. Pestanejei e consegui abrir os dois. Continuei a ver um imenso amarelo e algum azul ao fundo. Fui tomando consciência e percebi que estava numa espécie de praia. Tinha a cara quase enterrada na areia. Os grãos invadiram a minha língua e os dentes. Tentei não trincar a areia enquanto arranjava forças para me mexer. Onde raio estava eu?

 

A custo consegui sentar-me com a cabeça a latejar. Arrastei-me até ao mar e troquei a areia na boca pelo gosto do mar. Do sitio onde estava analisei a paisagem geral. Areia, mar e nada mais. Resolvi explorar em busca de ajuda e foi quando percebi que estava tal como quando vim ao mundo. Nem uma única peça de roupa e nada ao alcance da vista que me pudesse socorrer.

 

Era imperativo procurar ajuda mas como iria eu abordar alguém completamente nu. Outras questão imperativa era o facto de não me recordar de nada. Quando digo nada é mesmo nada. Não sabia o meu nome, onde morava, como tinha ido ali parar.

 

O mar trouxe algumas algas que apanhei para pelo menos me cobrir o sexo. Caminhei na areia molhada até perceber que nada mais existia além de mim. Que sorte a minha, acordar nu numa ilha deserta sem qualquer memória.

 

Deixei-me cair na areia. Sentia os raios solares a tostar a minha pele mas não existia onde me abrigar. Olhei para o céu e rezei por auxilio. O sol subiu e começou a descer e eu fiquei no mesmo lugar. A minha boca ansiava por água potável. O meu estomago roncava por comida.

 

Chegou a noite e eu batia o dente. Sentia um frio imenso, tão intenso que mais parecia que estava sentado numa pedra de gelo. Comecei a entrar em pânico. A minha respiração começou a ficar acelerada mas por mais que inspirasse nada chegava aos pulmões. Tentei acalmar mas em vez disso só consegui ficar com mais e mais falta de ar. Senti que ia perder os sentidos e rebolei na areia para tal não acontecer. Senti uma pontada nas costas.

 

- Ó homem que se passa contigo hoje que não deixar dormir ninguém.

 

Levantei-me estrambelhado e vi que afinal tudo não passara dum sonho.

Como começou o nosso dia #2

IMG_20191108_074942.jpg

Uma camisola gira e dois rapazes.

Pensei que ambos iriam querer a camisola e que iria ter chatices. Claro que acabei por ter chatices, mas não pelo motivo que idealizei. 

Acreditam que tive guerra porque nenhum quis vestir a camisola. Vou deixar o motivo tal como o ouvi.

- Essa camisola é para bebés de três anos. Já sou crescido e não quero camisolas com ursos totós!

Anda uma mãe a criar filhos para isto.

 

 

Não se ensina a amar

Quando percebi que iria ter quatro rapazes em casa o meu maior receio era que se dessem mal. Sei que a convivência entre irmãos nem sempre é fácil. Eu com quatro acreditei que não seria pera doce. Sei que podemos educar as crianças em muita coisa mas a capacidade de amar e criar empatia tem que nascer connosco. 

O tempo passou e tudo correu muito melhor do que eu pensava, neste campo. Não vou dizer que é tudo óptimo porque tal não é verdade. Os meus filhos discutem e bulham, apenas não com muita frequência.

Em geral são muito unidos e tive uma grande prova disso esta semana. O Leonardo tinha uma consulta logo de manhã à uma hora em era de todo impossível eu conseguir ir. Ou faltava tudo à escola para irmos com o Leonardo ao médico, impossível porque o Guilherme até tinha um teste, ou faltava à consulta. A alternativa foi deixar o rapaz a dormir em casa dos avós que depois o acompanharam ao hospital. Nessa noite a casa esteve mais triste. Os gémeos passaram o tempo todo a perguntar quando é que o irmão chegava. Foram dormir contrariados a chamar pelo elemento em falta. De manhã não queriam ir para a creche só diziam que tínhamos que ir buscar o Nardo ao médico.

O Guilherme passou os intervalos da escola a ligar para a avó para saber se estava tudo bem com o irmão, se já tinha ido à consulta, se o médico tinha dito que estava tudo bem. 

No fim do dia foi uma alegria quando se viram todos reunidos de volta. Eu assisti a tudo isto com uma lágrima no canto do olho. São momentos incapazes de se traduzir em palavras e só posso agradecer por fazer parte deles.