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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Perco anos de vida

Ontem, depois do jantar, ouvimos um estrondo. Logo de seguida o Guilherme correu no andar de cima, abriu uma porta e disse:

- Que se passa? Estás bem?

A resposta foi um gemido.

- ESTÁS BEM? - questinou o Guilherme já ansioso

Quando a resposta tornou a ser uma espécie de gemido eu e o marido corremos escada a cima.

O marido chegou primeiro e perguntou :

- O que aconteceu?

- Eu só me queria deitar sossegado.- disse o Salvador 

- Euuuuu caaíííí! - chorava o Santiago. 

- Caíste de onde? O que é que os beliches fazem afastados um do outro? - perguntava o marido

Silêncio como resposta. 

Eu percebi logo o que se passava. 

- Vocês não estavam a saltar de um beliche para o outro? Pois não? 

- Sim - respondeu o Salvador com um ar vitorioso 

- Eu caí e bati com a perna no poste. - chorava o Santiago 

Claro que se seguiu uma enorme repreensão em conjunto com ameaças de castigos eternos. 

Assim que me vi longe deles desatei a rir e o marido olhava para mim incrédulo. Apanhámos um grande susto mas só consigo pensar na imaginação que estes rapazes têm para ocupar o tempo. São aventureiros de natureza, traquinas, safados, alegres. Sem dúvida são o sal e a pimenta da nossa vida se bem que nos roubam anos de vida diáriamente 🙄😂

 

Aos olhos dos outros

A percepção que os outros têm de nós é uma coisa que me tem dado que pensar. Ainda no outro dia, uma colega me dizia que eu era tão organizada que deveria dar concelhos e dicas a outros.

Eu ouvi o comentário e fiquei a remoer no assunto. Afinal não é a primeira vez, nem a segunda vez, que pessoas me dizem que sou muito organizada e que gostariam de ser como eu. Já ouvi pessoas  a referir que sou perfeita.

Estes comentários colocam um peso enorme em cima dos meus ombros. Primeiro, porque não sou perfeita, nem estou perto de o ser, não acredito que tal possa ser alcançado por um ser humano. Segundo, porque não me sinto assim tão organizada. É verdade que os meus filhos tem uma casa sempre limpa, refeições caseiras na mesa, roupa lavada, afecto, carinho e mimos... Mas tudo isto é conseguido com imenso esforço. Grande parte dos dias tenho de me esquecer de mim para conseguir fazer tudo. E claro que não o faço sozinha, principalmente desde que voltei a trabalhar, o marido tem dado um apoio fantástico. Mesmo com todo o apoio sinto-me impotente com o que não posso controlar no dia a dia.

Em certas alturas parece que estou a nadar num mar imenso onde, por mais que me esforce, não saio do mesmo lugar.

Outros dias, em que as tarefas se  acomulam e os dias não são infinitos, sinto que estou a falhar.

Claro que também temos dias bons em que tudo colabora e conseguimos voltar aos eixos.i

Fica a verdade,  estou longe de alcançar a perfeição. Somos humanos, erramos e seguimos em frente, erramos noutras situações e aprendemos coisas novas.

Não tirem conclusões apenas pelo que é visível. Não falo só porque muitos são os que vivem de fachada, mas também porque "quem vê caras não vê corações".

É muito fácil falar e deduzir coisas sobre a vida dos outros. Deduções estas que, quase sempre, serão erradas.

Deixemos de buscar a perfeição. Ser feliz e realizado é tudo o que importa. 

Semana louca

Não sei como é com vocês mas nas nossas profissões um feriado significa fazer em quatro dias o trabalhador que deveria ser feito em cinco. 

Como tal os dias têm sido longos, muito longos. 

Um destes dias, depois de muitas horas de um lado para o outro, regressei a casa e comecei a responder a emails.

O Guilherme desceu as escadas e encontrou o pai a equilibrar o telemóvel entre o ombro e a orelha enquanto escrevia no teclado do portátil. Eu, por minha vez, estava a teclar como se não existisse amanhã. O rapaz parou, observou e pronunciou:

-Vocês trabalham demais.

Posto isto subiu as escadas e nós ficamos a pensar na imensa verdade que ficou no ar

-Vais mesmo bater no pai?

Ontem estava a passar a ferro e, por breves momentos, a caldeira deixou de fazer vapor. Já tinha detectado um barulho diferente e temi que tivesse avariada. Logo voltou a funcionar e eu respirei de alivio.

Um pouco mais tarde, após colocar uma camisa no cabide, o temido aconteceu. Quando me preparava para iniciar outra peça de roupa a caldeira deixou de funcionar. Soltei imediatamente um lamento e depressa a cozinha estava cheia de seres humanos.

- O que foi.

- A caldeira morreu. Já não sai vapor! - exclamei em desespero já a ver euros a sair da caldeira.

- Já tem uns bons anos. - afirmava o marido

- Como é que não funciona? - perguntava o Salvador

- E agora? Nem vou conseguir passar a roupa. Emprestei o ferro à minha mãe...Vou desligar. Agora que estou a ver nem a luz acende. Pifou mesmo de vez.

Quando rodei o corpo para desligar o fio da tomada encontrei o telemóvel do marido à carga e a caldeira desligada. O marido percebeu logo desligou o carregador e fugiu a correr.

- Salvador leva o teu pai daqui ou eu vou bater nele. Já estava a chorar a caldeira e a culpa é toda dele.

Meia hora depois o Salvador vem ter comigo à cozinha.

- Mãe tu não vais mesmo bater no pai. Pois não?

- Achas que ele não merece? - perguntei a brincar

- Ah... Ah... Eu não me vou meter nesses vossos assuntos.

😂😂

Com grande pesar

Com grande pesar meu as nossas manhãs sem pressa vão ter que terminar. 

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Apesar de adorar estes breves momentos, esta meia hora condiciona todo o meu dia. Apanho mais trânsito na deslocação para o emprego. Chego tarde irritada com a demora e com o trabalho que tenho pendente.

Por isso vão passar a entrar um pouco mais cedo, esperamos assim que tudo se torne mais fácil nestas novas rotinas. 

Sempre os mesmos

- Rodrigo não sei o que se passa! Tentei abrir o correio mas a minha chave não entra na fechadura.

- Deves ter estragado a chave.

- Ainda ontem funcionou e não fiz nada com ela para que ficasse danificada.

- Foi o Salvador.

- Diz Santiago.

- O Salvador enfiou um pau na fechadura para tentar abrir o correio e ficou um bocado lá dentro.

🙄 Nunca param de me surpreender. Agora não recebemos correio 😂

Muita coisa mudou

Tenho andado um pouco esquecida deste meu cantinho. Primeiro por causa das férias, depois devido a uma necessidade de reflexão sobre um caminho a escolher e por último pela preparação do regresso às aulas.

Assim os dias vão passando entre um novo desafio profissional (tenho de escrever sobre isso) e a tentativa de encontrar rotinas que não prejudiquem nenhum membro da família. Este ano temos pela frente um nono, sétimo e dois segundos anos. Os rapazes reagem de maneira muito diferente. Um está indiferente, outro ansioso, outro entusiasmo e o último triste. É um misto de emoções, o voltar a reencontrar os colegas ou conhecer novos, o estar mais tempo longe de casa.

Juntos vamos conseguir!

 

Um ano difícil

Estaria a mentir se vos disser que este tem sido um ano fácil. Todo o stress associado a esta situação de pandemia, aulas ora em casa ora na escola. Todas as medidas de segurança e restrições de movimentação. A espera pelas vacinas...

Juntando a isto muitas semanas sozinha com os miúdos. O marido não tem parado. Ou tem que assegurar o trabalho de alguém da sua equipa que vai de férias ou está semanas a trabalhar nas obras da nossa ruína.

Eu vou tentando ser pai e mãe nestas semanas em que quase não o vemos.

Ele anda de rastos e eu sinto que estou presa por um fio. O cansaço começa a tomar conta de nós. Eu ando sem paciência, rabugenta e ansiosa. Conto os dias para a escola acabar e poder abrandar os horários, talvez respirar um pouco. 

No entanto, apesar de todo o panorama existem coisas que nos dão ânimo. Este fim de semana rumamos os dois à nossa casinha. Trabalhamos sábado e domingo intensamente mas os resultados visível fizeram crescer um orgulho em nós. Poder dizer que fui em que fiz esta parede, que coloquei todas as tomadas e interruptores. Que instalei a sanita, o lavatório, a cabine de duche, etc. 

A meta está quase à vista, só temos que aguentar mais umas semanas e talvez tenhamos uma casinha para as nossas próximas férias. 

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