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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Vida de mãe de gémeos

A vida de uma mãe de gémeos é difícil. É certo que os rapazes estão a crescer e seria de esperar que estivessem mais atinados mas não é bem assim. Ainda ontem subi para tomar banho e deixei os rapazes com o pai. Optei por não trancar a porta porque fico doida com os murros e pontapés que lhe dão a tentar entrar. Pouco depois, estava a esfregar o cabelo e ouvi-os entrar. Primeiro choraram porque queriam tomar banho comigo apesar de já terem tomado banho. Depois calaram-se e isso nunca é bom sinal. Tentei espreitar entre a espuma do shampoo que me corria pela cara e o que vejo eu? Um  estava entretido a desenrolar o rolo de papel higiénico com uma rapidez impressionante. O outro estava de costas pelo que não conseguia ver bem o que estava a fazer. Mexeu-se um pouco e vi uma substância azul na ponta do dedo indicador. Vi a tampa da sanita levantada e percebi que o rapaz se preparava para comer o WC pato.

O marido estava no andar de baixo a falar ao telemóvel. Eu estava cheia de espuma e não sabia bem como parar o rapaz. Fui buscar o tom de voz mais ameaçador que conheço e gritei-lhe:

- TU NÃO TE ATREVAS A POR ESSA MÃO NA BOCA! ANDA CÁ IMEDIATAMENTE LAVAR AS MÃOS!

Felizmente a coisa resultou e o rapaz veio com um olhar assustado ter comigo. Percebi que falei com um tom um pouco ameaçador demais quando o marido apareceu na casa de banho. Acho que o homem pensou que eu estava a surtar de vez.

Coisas de gémeos

Eu e o marido estávamos na cozinha quando um dos gémeos entra a correr perseguido pelo outro. 

- Para mano!- grita o de trás

- O que? - pergunta o outro enquanto para

- Mano, bla, bla, bla, bla, bla, bla.

- Ok! - exclama o segundo antes de seguir o outro

O marido olha para mim e diz:

- Não percebi nada! E tu?

Eu aceno que não com a cabeça.

- Mas eles perceberam.- dizemos em conjunto

Este tipo de situações confirma que de facto os gémeos criam uma linguagem própria.

Insólitos no Jardim Zoológico

- Olha Santiago um hipopótamo.

- Boo, cheira mal. 

 

- Salvador já viste os leões.

- Sim, cheira mal.

 

- Meninos estão ali os rinocerontes. Já viram aquele na água, vai sair de lá dentro.

- Mãe o que é aquilo? Ele está a fazer cocó para dentro da água?- Pergunta o Leonardo

- Sim está filho.

- Que nojo! Agora a água está podre.

 

- Esta é a zona da quinta. Estão ali póneis vamos ver.

- Cheira muito mal. O que é aquela coisa castanha ali no chão? - quer saber o Guilherme

-O Pónei deve estar de diarreia!- responde um rapaz que estava ao lado

 

- Estão a gostar de andar no teleférico.

- Sim!

- Agora vamos passar por cima dos leões.

O Leonardo deita a mão ao boné e diz:

- Meu querido chapéu agora não podes cair se não eles dão cabo de ti.

- Pronto já passamos os leões agora é só passar os rinocerontes e chegamos ao fim.

- Meu deus! Aquela água está toda suja!

- Pois está mesmo castanha e cheira muito mal!

- Só espero não cair lá dentro.

- Estamos quase a passar. Já estamos quase a chegar. Ufa, estamos safos!

 

Resumindo e concluindo os rapazes saíram a pensar que todos os animais são porcos e mal cheirosos. Todos excepto os golfinhos

Paredes de destaque

Muito se ouve falar em paredes de destaque no mundo da decoração. Uns usam tinta de cor diferente, outros aplicam papel de parede, existe ainda que faça combinações de ambos ou quem se atreva a fazer riscas e, ou desenhos.

Cá em casa, como gostamos de ser diferentes, resolvemos fazer algo diferente. Ainda está no começo mas digam lá que não é uma parede de destaque.

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Situações embaraçosas

Ontem contei sobre os enganos do Santiago que me deixaram em situações um pouco estranhas contudo este tipo de situações embaraçosas começaram à muito tempo atrás.

A primeira que me lembro era o Guilherme ainda pequeno. O rapaz teria uns três anos e tinha começado a falar à muito pouco tempo. Devido aos problemas que teve a fala veio tarde e pouco explicita. Não me lembro onde tinha ido com o rapaz nesse dia, só me recordo que fui tratar de alguns assuntos o que nos fez andar bastante. Já no fim das coisas tratadas e na urgência de voltar para casa vi um elevador a parar e corri junto com o pequeno para entrar nele. Conseguimos entrar à justa num elevador lotado e quando as portas fecharam o rapaz diz em alto e bom som:

- Mãe estou tão cagado!

Fez se um silêncio absoluto dentro do elevador. Daqueles silêncios constrangedores e eu só pensava se seria possível o rapaz ter borrado as cuecas. Comecei a suar de nervosismo enquanto pensava como ia para casa com o rapaz naquele estado. O elevador parecia que não andava, juro que as pessoas retinham a respiração e eu só queria sair. Por fim as portas abriram-se e saímos apesar de nem ser o andar que pretendíamos. Agachei-me à altura do rapaz e perguntei:

- Guilherme fizeste cocó?

- Não.

- Mas tu disseste que estava cagado.

- Sim mãe estou cagado. Assim af, af,af - explicou imitando um cão a arfar

- Filho tu estás cansado?

- Sim mãe!

O que uma simples palavra pode fazer. Se acham que está é má leiam a que contei aqui.

Já nem fico envergonhada

Ontem ao sair da escola o Santiago desatou a correr de braços abertos enquanto gritava pai. Eu segui o rapaz com o olhar sabendo que o meu marido não estava nem por perto. Vi-o então correr para um homem que nem sequer era parecido com o marido. O senhor parou com ar surpreso perante a criança que corria para ele, depois olhou para mim e o eu olhar dizia: "não sei o que andas-te a dizer ao rapaz mas eu nunca te vi na vida". Eu limitei-me  abaixar o olhar para o pequeno, peguei-lhe na mão e disse-lhe que o pai estava em casa.

Continuamos o percurso até ao  carro. Estava a ajudar o Salvador a entrar quando oiço:

- Guilherme estás aqui.

Levanto os olhos e vejo que o Santiago se prepara para abraçar um miúdo que também não era o irmão. O rapaz e a mãe olhavam de forma confusa para o pequeno. Eu tive que intervir dizendo ao rapaz que estava enganado e não era o irmão.

O rapaz estava especialmente confuso ontem e cheguei a pensar se deveria voltar com ele ao oftalmologista. Seria de esperar que ficasse envergonhada com o assunto mas já nem ligo. Digamos que ao fim de quatro já passei tantas vergonhas que fiquei imune.