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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Bipolaridades

Estava a trabalhar e o segurança ligou-me porque tinha um transportador com uma caixa de um cliente para me entregar. Dei instruções para que o motorista viesse ter comigo a um cais e fui abrir o portão. Dois colegas vieram ter comigo pensando que precisava de ajuda.

Abrimos o portão e estava um sol maravilhoso. Era perto do meio dia pelo que estava bastante quente. O motorista sai da carrinha de manga curta e olha para nós todos com várias camadas de roupa e ainda com um blusão vestido.

- Já vi que isso está fresco ai dentro.- brincou

- Sim nós trabalhamos no Polo Norte.- comentei eu

- Nota-se o ar que vêm ai de dentro é gelado.

Não conseguimos deixar de brincar com a situação, afinal como é possível estar uma temperatura tão diferente quando a única coisa que nos separava era uma parede.

 

O frio veio para ficar

O calor da cama fica mais convidativo. Noto que os rapazes dormem mais e é mais difícil acorda-los. Agora ainda é de dia quando acordamos mas dentro de dias a história vai mudar. Não basta sair do trabalho já com a noite cerrada e o frio a apertar. A única coisa que apetece é enroscar no sofá assim que entramos em casa. 

De manhã os rapazes queixam-se que está frio quando saltam da cama e reclamam por terem que vestir mais roupa. A antecipação do natal começa a sentir-se. Existem enfeites por todo o lado. Os canais de televisão já passam mais tempo a passar reclames de brinquedos do que a própria programação. Eu sinto-me cansada. Olho para o calendário e vejo o mês de Dezembro quase a chegar. Olho para todos aqueles fins de semana prolongados e para a semana de férias que vou gozar e sinto-me logo com mais força.

Mais uns dias de frio e vamos ficar todos juntos. Vamos poder passear e brincar. Até lá vamos vivendo um dia de cada vez.

Eu gosto é do Verão

Estou farta dos dias pequenos e escuros. Estou farta do frio e da chuva. Estou farta do monte de roupa que vestimos diariamente. Principalmente estou farta das doenças.

Este frio trás doenças atrás de doenças e eu estou cansada delas. Todas as semanas aparece uma diferente, uma otite, uma bronquiolite, uma amigdalite. Depois existem aquelas que nem tem direito a nome, são chamadas de um vírus e temos que esperar que passe. Como mãe custa-me horrores. Ver os nossos pequenos doentes e não poder fazer nada sem ser dar colo enquanto espero que passe. Custa-me o facto de chorarem a cada dez minutos quando sei que são crianças tão risonhas. Custa-me as noites em claro não tanto por mim mas por eles, ver que têm sono, que querem dormir mas não conseguem.

O pior, o pior de tudo é quando estão os dois doentes ao mesmo tempo como foi o caso destes últimos dias. Na doença não querem mais ninguém que a mãe e é tão difícil acudir dois. Eu tento sentar-me no sofá e sentar um em cada perna mas eles não querem. Estão doentes, carentes pelo que querem um colo exclusivo deles. Empurram-se mutuamente para ver se um desiste para que o outro fique com o prémio. O pai tenta ajudar, dá abraços e colo a um mas ele fica no colo do pai a chorar pela mãe. É o que mais me custa nisto de ser mãe de dois.

É por isso que peço que a chuva pare. Que o frio se vá e leve estas doenças com ele. Que venham os dias bons e quentes para podermos andar de bicicleta e jogar à bola. Dias quentes para que possamos brincar na rua sem medo das constipações. Cada vez gosto mais do Verão.

Coisas que me fazer sentir ainda mais frio

Uma pessoa sai do quentinho da cama e fica logo enregelada. Veste meia dúzia de camisolas e começa a sentir que afinal não está assim tanto frio. Acorda os pequenos e uma das primeiras coisas que perguntam é:

- Praia?

- PRAIA!? Não está muito frio para ir para a praia.

- Praia! Castelos de areia..

- A praia está fechada. – afirmo enquanto me sinto arrefecer perante a imagem mental do vento das ondas

Despacho os rapazes e na azáfama para sair de casa até aqueço um pouco. Chego ao trabalho que fica numa zona prima do pólo norte. Encho-me de coragem para sair do carro porque sei o que me espera lá fora. Corro para dentro das instalações toda encolhida dentro do casaco e oiço:

- Bom dia.

Olho para o colega que me saúda todo contente de manga curta e sinto-me

 

Preocupações de uma mãe perante o frio

Estou aqui sentada na secretária cheia de frio e não consigo deixar de pensar nos rapazes.

 

Será que estão bem?

Será que têm frio?

Será que lhes mandei roupa suficiente?

Será que vestiram o casaco para brinca no recreio?

Será que colocaram os gorros e as luvas?

 

Levantei-me três vezes de noite para verificar se estavam tapados. Ouvi o Leonardo espirra pelo que lhe mandei um casaco ainda mais quente. Saíram do carro com aparência de quem engordou dez quilos durante a noite mas mesmo assim estou inquieta. Entraram na escola e foram encaminhados para a sala para fugirem ao frio mas nos intervalos devem tê-los deixado sair para a rua. Sinceramente espero que não, a escola está ali numa zona tão fria. Fica um pouco isolada e desabrigada o que faz com que o frio seja maior. Sai de casa com cinco graus que desceram até ao zero no portão do estabelecimento. Vou continuar aqui, preocupada até os ter todos no quente da nossa casa.

 

Parece que fomos picados pelo bicho do sono.

Não sei bem o que é que se passa cá em casa mas andamos todos cheios de sono. Os gémeos andam rabugentos, os mais velhos andam moles, a mãe adormece assim que se senta no sofá e o pai não anda melhor.

De manhã é difícil sair da cama. O despertador toca e eu penso só mais cinco minutos. Passado o tempo ele toca novamente e eu decido que fico mais cinco minutos. Ao fim de quinze a vinte minutos nisto lá acabo por sair apressadamente da cama porque já estou atrasada. Acendo as luzes aos rapazes para irem acordando mas nada. Tenho que os chamar várias vezes, por vezes olham para mim, respondem-me e voltam a dormir assim que viro costas. Visto-me e percebo que ele continuam a dormir pelo que tenho que os chamar novamente. Oiço:

- Estou tão cansado!

- Tenho tanto sono!

- Hoje vão para  a cama mais cedo para amanhã não terem sono. – respondo-lhes

A verdade é que mesmo que os mande para a cama mais cedo acabam por demorar a adormecer e de manhã é sempre a mesma coisa. Sigo para tratar dos pequenos e é outro suplicio. Agora aprenderam a resmungar e ninguém os cala:

- Não que bestir! – diz o Santiago

- Vá filho para ires ver o Blaze.

- Não que o laze, que domir!

- Não pode ser. Vais comer para irmos à rua.

- Que dormir.- diz mais uma vez enquanto se tapa todo debaixo do dos lençóis.

A muito custo lá o consigo vestir com ele sempre a choramingar. Despacho um, tenho outro para tratar e a lengalenga é a mesma.

- Não que tirar zola.

- Tens que tirar a camisola do pijama para vestires a roupa.

- Não que a zola! Não quer a meia! Não que a calça!

Custa-me tanto ouvi-los chorar que querem dormir, que não se querem levantar. Penso no frio que está na rua, no frio que vamos apanhar e sinto o meu coração apertado. Sei que os meus filhos até são privilegiados, saem de casa por volta das oito e meia mas mesmo assim custa.

Confesso que muitas são as vezes que me apetece simplesmente tornar a enfiar na cama e dormir com eles até nos apetecer levantar.

 

O tempo frio também têm coisas boas

A nossa cama torna-se mais convidativa, o despertador toca e não nos apetece sair daquele lugar quentinho. Dormimos melhor porque não acordamos dez vezes todos suados por causa do calor.

Cá em casa isso reflecte-se em todas as gerações. OS pequenos têm dormido melhor, acordam menos durante a noite e em algumas nem sequer acordam. Para além de dormirem melhor têm dormido também mais tempo. No sábado passado acordaram perto das nove horas e porque fizemos barulho a arranjar o Guilherme para a bola. Nos dias de semana tenho conseguido arranjar tudo antes deles acordarem e é um castigo para os tirar da cama.

Acordam mas deixam-se ficar deitados a aproveitar os últimos minutos. Entretanto os mais velhos descem, enfiam-se ao pé dos irmãos e é só beijinhos e abraços. Tenho que os subornar com o pequeno almoço para se levantarem mas não me vou queixar disso. O fim de semana está mesmo ai e eu estou com esperanças de poder dormir, dormir e dormir....