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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Gosto de...

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Gosto de levantar-me cedo, estender a minha roupa e sentar-me um pouco no quintal. Gosto de sentir a brisa fresca do amanhecer. De ver a luz do sol a começar a aparecer. Gosto de sentir a calma e tranquilidade bem como o alvoroço. Gosto de sentir a tranquilidade resultante da falta de ruído humano. Adoro ouvir o alvoroço da natureza ao amanhecer.

Oiço o galo a dar os bons dias à vizinhança, do outro lado o burro zurra como que a dizer que já acordou. Os pássaros estão a despertar, oiço um chilrear imenso à medida em que abandonam as árvores onde passaram a noite.Com sorte oiço ainda o grasnar de patos ao longe, deixo-me estar aqui a saborear este ambiente que me rodeia até os rapazes acordarem e começam o rebuliço do nosso dia. Este quintal tornou-se o meu pequeno refugio, uma espécie de espaço Zen.

Saudades da mãezinha

Os mais velhos regressaram na terça e foi a loucura cá em casa. Estávamos todos cheios de saudades uns dos outros e os rapazes passaram a tarde toda atrás de mim a dar-me abraços. Ao fim da noite sentei-me no sofá, os rapazes foram chegando e sentando-se ao pé de mim. Ás tantas estava entalada entre quatro meninos que queriam estar ao pé de mim e ao pé uns dos outros ao mesmo tempo.

Quando fui deitar os pequenos tive que dividir a cama com o Leonardo também que estava louco por dormir com a mãe. Deitei-me então um pouco com os três, não foi tarefa fácil porque todos querem ficar ao pé da mãe e a mãe só consegue ficar no meio de dois. Lá acabaram por adormecer depois de muitas voltas e cambalhotas uns por cima dos outros em buscar de ganhar o maravilhoso lugar ao pé da mãe.

No dia seguinte as saudades da mãe continuaram com os rapazes a solicitarem uma série de pratos que têm saudades de comer. Já estão a fazer a ementa dos próximos dias com pratos como almôndegas, carbonara, arroz de frango... Estava cheia de saudades deles mas agora percebo que estou tramada.

Uma sensação estranha

Os mais velhos foram passar uma semana fora com os avós e nós não somos os mesmos sem eles. O som da casa é diferente. Os risos são menores, os banhos mais rápidos, a pilha de roupa suja é menor e as camas são menos para fazer. Sinto falta do meu Guilherme que anda sempre a dar-me abraços e a dizer que me adora. Sinto falta da forma como demora uma eternidade a explicar a coisa mais simples. Sinto falta de olhar para ele e sentir que está quase da minha altura. De olhar para a forma como o seu corpo está a mudar.

Sinto falta do meu Leonardo e da sua voz histérica. Sinto falta das suas gargalhadas que se ouvem até ao fim da rua. Sinto falta de ouvir o ruído de fundo que faz o dia todo. Passo a vida a pedir-lhe pare de andar sempre a melodiar pela casa mas até desse hábito irritante sinto falta.

Dou por mim a fazer compras para seis, comer para seis e depois somos apenas quatro para o comer. Os pequenos também sentem a falta dos irmãos. Perguntam por eles o dia todo. Quando vão comer perguntam se os irmãos estão a comer. No banho perguntam se os manos estão a tomar banho. À noite perguntam se também estão a dormir.

Uma parte de mim agradece esta ausência. Estou cheia de trabalho, tenho trabalhado mais horas que o habitual. Já ouve dias em que o marido teve que sair para ir buscar os pequenos e tratar deles porque eu nem os conseguia ir buscar a tempo. Agradeço o facto de ter apenas dois para tratar o que torna tudo mais fácil mas sinto falta deles na mesma.

Agradeço também o facto de poderem ter este tipo de relação com os avós. Gosto do facto de poderem criar laços mais fortes. Lembro-me das férias que passei com os meus avós, do quanto me diverti e de como quero o mesmo para os meus filhos. Não quero de forma alguma ser uma mãe que não os deixa viver, que os mantém sempre debaixo das asas mas é difícil abdicar do controle. É tão difícil que não consegui deixar ir os mais novos apesar de os avós os querem levar a todos. Acabamos por chegar a um meio termo, foram dois ficaram dois. Pode ser que para o ano tenha coragem de os deixar ir a todos. Os pequenos já estarão mais crescidos e deve ser mais fácil tomar conta de todos. Se assim for a casa vai ficar ainda mais vazia.

Não vale a pena sofrer por antecedência. Por agora limito-me a sentir falta dos mais velhos e a contar os dias para os ter de volta em casa.

O ar do campo abrem o apetite

Já suspeitava que o ar do campo nos dá um pouco mais de fome. Quando em pequenos íamos para a terra do meu pai passávamos o dia a comer e parecia que mesmo assim tínhamos sempre um fome.

Agora tenho a certeza e começo a pensar se esta troca de casa foi uma boa ideia. Desde que mudamos para cá os pequenos estão rotos e eu suspeito que vamos à falência ainda antes de o ano terminar. Vou deixar aqui o exemplo do que acontece nas manhãs dos dias de férias e, ou fins de semana. Como são dias de descanso não existem horários pelo que os deixo descansar e acordar ao próprio ritmo. Os gémeos são os primeiros a acordar, ainda estão a descer as escadas com ar sonâmbulo e já vêm a pedir comer. Exigem leite com cereais e eu dou-lhes uma tigela a cada um. Depois de comer senta-se a ver bonecos. Pouco depois aparece o Leonardo que quer iogurte e torradas. Assim que menciona comer os outros dois vêm logo sentar-se a mesa a pedir o mesmo menu. Seria de esperar que pedissem e não comessem porque já o tinham feito mas não. Bebem um iogurte e comem pão. Minutos depois aparece o Guilherme para comer cerelac e claro que os pequenos também querem. Saem três pratos de cerelac se bem que os dos gémeos levam um pouco menos de quantidade. Quando o pai acorda desce e tenta comer alguma coisa às escondidas. A coisa não costuma resultar e por norma têm que partilhar os iogurtes com os rapazes. Digo iogurtes porque o homem limita-se a ir tirando do frigorífico na esperança de comer um mas nunca consegue. 

Depois disto tudo por volta do meio dia já andam a chorar por comer e é assim o resto do dia.

Dá gosto vê-los comer mas a minha carteira não gosta muito

Coisas de gémeos

Eu e o marido estávamos na cozinha quando um dos gémeos entra a correr perseguido pelo outro. 

- Para mano!- grita o de trás

- O que? - pergunta o outro enquanto para

- Mano, bla, bla, bla, bla, bla, bla.

- Ok! - exclama o segundo antes de seguir o outro

O marido olha para mim e diz:

- Não percebi nada! E tu?

Eu aceno que não com a cabeça.

- Mas eles perceberam.- dizemos em conjunto

Este tipo de situações confirma que de facto os gémeos criam uma linguagem própria.

Novos apoios na educação

Ontem fui finalizar as inscrições dos rapazes na escola e fui informada que existem novos apoios na educação. Eu desconhecia totalmente estas novas medidas aliás tudo começou porque nem levei o papel do escalão do abono. A funcionária perguntou por ele e eu brinquei que nem o tinha impresso porque não tinha direito a nada devido a estar no 3º escalão. Fui surpreendida quando me explicaram que existia um pequeno apoio para o terceiro escalão também, aparentemente é um despacho que acabou de sair ( despacho n.º 5296/2017 de 16 de Junho). Percebi então que o Guilherme vai ter direito a 29,50 € para a ajuda de livros o que não é muito mas todos os cêntimos contam. Para além disso a câmara ainda lhe paga o passe, esta medida é uma escolha do município. 

O Leonardo terá os manuais de graça, uma vez que, o estado empresta os livros e a câmara dá os manuais de exercícios. Os gémeos terão desconto no valor do prolongamento também devido ao escalão.

Tudo somado ainda dá uma ajuda jeitosa principalmente para famílias numerosas como a nossa. Bem sei que não é a ideal e ainda há muito a fazer no campo da educação mas aos poucos vamos avançando no bom caminho. Talvez um dia o ensino gratuito seja mesmo gratuito.

O que muda depois de uma mudança de casa?

Quando mudamos de casa esperamos que as coisas mudem para melhor. Mudamos de casa porque necessitamos e esperamos que essa mudança nos traga coisas boas. Mudamos porque queremos ficar mais perto do trabalho e assim gastar menos tempo e dinheiro em deslocações. Porque precisamos de mais e assim vamos conseguir funcionar melhor. Porque precisamos de menos espaço e assim vamos ter menos para limpar e arrumar. Mudamos porque queremos viver perto da praia, perto do campo, no centro da cidade. A verdade é que podemos mudar por mim e uma coisas mas o objectivo final é sempre melhorar.

Por aqui contamos com quase dois meses desde a mudança e já se notam muitas diferenças na nossa vida. Posso afirmar que me custou a adaptar a algumas coisas. A principal foi o facto de não ter o comércio tão à mão. Não é que não esteja perto de supermercados, aliás até tenho mais aqui na redondeza do que tinha na outra zona onde vivíamos. Contudo tinha um supermercado tão próximo de casa que ia sempre a pé às compras. Neste momento também posso ir a pé vou é demorar muito mais tempo para lá e não deve ser agradável fazer o caminho de volta carregada.

No entanto tudo o resto superou as minhas expectativas. Os rapazes adoram a casa, a liberdade, o espaço. Nós adoramos a tranquilidade e o silencio da zona. Adoro ouvir os grilos à noite e os pássaros de manhã. Desde que mudamos notei que reduzimos muito as horas que passávamos a ver televisão, principalmente os rapazes. Hoje todos os quatro têm que partilhar uma e a programação nem sempre agrada a todos. Se os mais velhos estão a ver algo que gostam os pequenos brincam. Se for o contrário os mais velhos aproveitam para ler. Por vezes à noite deixam os mais novos a ver televisão e vêm para ao pé de nós. Sentam-se a ver os mesmos programas que nós, começo a notar um certo interesse para certas séries e programas. Conversam sobre o assunto, expressam opiniões, fazem perguntas.

Noto que tudo isto nos faz crescer enquanto família. Passamos mais tempo juntos, fazemos mais coisas juntos. Se vamos apanhar folhas para o jardim todos ajudam. Se vamos limpar todos arrumam. Aos poucos vamos criando novas rotinas mas cada vez mais estou certa que mudamos para melhor.