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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Tentem não rir

Os quatro rapazes estavam sentados à mesa e nós colocávamos o comer nos pratos.

- Oh Salvador! 

- O que foi? - pergunta o pai

Olhamos e estava o Guilherme a limpar a mesa com um guardanapo.

- Entornou água outra vez?

- Foi só um pouco. 

- Possa Salvador todos os dias é a mesma coisa! Todos os dias entornas o raio do copo de água.

- Não pai. Não é todos os dias é todas as noites.

42 meses

De amor. De alegria. De gargalhadas. De confusão. De loucura. De gritos.

42 meses de noites mal dormidas. De doenças. De hospitais. 

42 meses de colo. De beijos. De abraços. De orgulho.

42 meses desde que passamos de 4 a 6. De convívio. De partilha.  De família.

42 meses difíceis mas muito recompensadores. Na verdade já nem me recordo como era a vida antes.

42 meses que espero que dupliquem, tripliquem e cujo número continue a crescer. Que venham mais dias de loucura porque com eles vem um amor que não se consegue medir.

Seis meses de mudança

Pensámos que a mudança de casa nos traria um maior sossego. Almejamos por mais tempo disponível, por serões mais tranquilos, por mais liberdade para os rapazes. Sim almejamos por muita coisa mas a verdade é que ainda não estamos nesse ponto. Por vezes a vida tem uma forma de nos pregar rasteiras, rasteiras estas que nos podem fazer cair ou abrandar dependendo da nossa reacção. Por aqui não caímos totalmente mas abrandamos.

A verdade é que não posso dizer que foi a mudança de casa que nos trouxe todos os problemas, provavelmente se estivéssemos onde estávamos, hoje em dia, teríamos os mesmos desafios. É o primeiro ano que lidamos com três estabelecimentos de ensino diferentes. É a primeira vez que lidamos com com um quinto ano e com todas as mudanças que isso trás.

Passaram pouco mais de seis meses desde a mudança, seis meses de aprendizagem constante. Foi necessário recomeçar ao mais ínfimo pormenor. Experimentar várias padarias da zona para perceber que pão nos agrada mais. Visitar todas as farmácias e ainda não me decidi qual é a minha favorita. Perceber onde existe uma retrosaria, uma churrasqueira,uma florista, um fotografo. Procurar pelo posto dos CTT, pela biblioteca e pela esquadra da policia.

Existe ainda imensa coisa para aprender e muita coisa a que temos que nos adaptar. Felizmente existe outras a que já nos habituamos muito bem. Adoro a calma da zona, a ausência de barulho. Adoro a proximidade do meio rural. Adoro acordar com o cantar do galo. Adoro ver as galinhas da vizinha a fazer malabarismo nos muros da casa. Adoro ver os cavalos e os póneis nos campos. Descobri uma imensidão de pássaros diferentes, deixo-me estar a observa-los nas árvores do quintal e, todos os dias, vejo espécies que nunca tinha visto. Outra coisa que adoro são os cheiros , o cheiro a lareira, o cheiro a fruta mais concretamente os citrinos, nesta época do ano. Estou apaixonada pela nossa laranjeira cujas laranjas são divinais, há anos que não comia laranjas tão boas.

Resumindo tudo muito resumido existem coisas boas e coisas menos boas mas não existe nenhuma péssima o que já é bom. Continuamos em processo de adaptação mas estou certa que mais uns tempos e teremos limadas estas arestas que ainda faltam limar.

Andamos sempre a correr e, por vezes, nem vemos a beleza do que nos rodeia

Ao fim do dia sou sempre eu que levo os gémeos para casa. Vou sempre com pressa para ir fazer o jantar, ajudar o marido nos banhos e, por vezes, ajudar os mais velhos nos trabalhos. Neste dia especifico não foi excepção, apressei-me a caminho de casa, estacionei o carro, fechei o portão e tirei os gémeos do carro. Abri a porta de casa e disse aos rapazes para entrarem. Eles por norma costumam dar umas corridas rápidas e entrar em casa mas desta vez estavam parados. Chamei-os mais uma vez para que entrassem porque estava frio na rua e o Santiago disse-me:

- Espera mãe. Estamos a ver as estrelas. Olha são muitas.

Acabei por me juntar a eles e olhar para cima. A verdade é que o céu estava simplesmente lindo, repleto de pequenos pontos luminosos. Acabei por me deixar ficar ali um pouco com eles a apreciar aquele céu. Demoramos tanto que o marido estranhou e veio à porta saber de nós. Quando perguntou o que se passava respondemos que estávamos a ver as estrelas. 

O facto é que andamos numa correria tal que podemos passar pela paisagem mais bela do mundo e nem nos apercebemos. Estamos tão focados nos milhões de coisas que temos que fazer que nos esquecemos de apreciar as coisas simples que nos rodeiam. Eu, felizmente, tenho os rapazes que me chamam à razão e me alertam para as coisas que estou a perder. Agora, todos os dias, tiro um minuto para contemplar o céu e a verdade é que nunca é igual.

Não é a melhor das fases

Entramos numa nova fase de crescimento dos rapazes mas confesso que não é a melhor das fase. Deixaram de dormir a sesta ao fim de semana. A excitação de estar em casa, a saudade dos pais e irmãos, as brincadeiras que não foram feitas nos dias de semana. Todo isto e mais alguma coisa faz com que os rapazes não queiram dormir no fim de semana. Eu bem tentei mas nos últimos tempos estava quase uma hora para os adormecer e passado meia hora no máximo já estavam em pé. Acabei por me resignar e deixar de os obrigar a dormir. Dormem durante a semana na creche pelo que não há grande mal.

Não há grande mal para eles mas a nossa cabeça não concorda. Neste últimos fins de semana tenho chegado ao fim do dia com uma dor de cabeça imensa e o marido queixa-se do mesmo. O barulho imenso que fazem o dia todo, os gritos, as correrias, as birras e guerras tudo pesa e, no fim, traduz-se numa intensa dor de cabeça. Tudo isto é agravado pelo facto de ficarem mais irritados da parte da tarde. Não querem dormir mas começam a sentir cansaço o que faz com que chorem mais do que o normal. Implicam mais um com o outro e qualquer desentendimento parece que é o fim do mundo.

Nós vamos tentando ter paciência mas não é fácil. Depois temos ainda o senão que às sete da noite estão com tanto sono que, ou adormecem antes do jantar, ou não comem nada de jeito com o sono. Noto também que nestas noites dormem pior. Mexem-se mais, sonham mais. Acordo com eles a falarem ou a terem pesadelos.

Tudo era mais fácil quando dormiam. Por vezes eu dormia também e deixem que vos diga que sabia lindamente. Outras vezes podia ficar sossegada no sofá a ver um filme com o marido sem ter que me levantar a cada cinco minutos. O melhor de tudo é que a minha cabeça tinha entre hora e meia a duas horas de descanso.

Como o que é bom sempre acaba apenas nos resta aprender a lidar com esta nova fase. Esperar que eles entrem no ritmo de conseguirem saltar a sesta sem ficarem afectados. Tenho a certeza que dentro em breve vão deixar de ficar tão rabugentos e tudo vai correr melhor.

Hoje à grave dos professores e o que raio faço eu aos miúdos?

Não sou de forma alguma contra a greve nem sou contra quem se serve deste direito. Acho muito bem que as pessoas lutem pelos seus direitos porque se nós não lutarmos por nós ninguém o fará. Contudo acho toda esta política do secretismo da greve muito sem nexo. Se as pessoas têm direito à greve também deveriam ter direito a poder dizer a alto e bom som se vão ou não gozar desse direito antes do dia em questão. Eu cá e de certo muitos outros pais agradeceríamos esse facto que nos iria livrar de muitas dores de cabeça.

Contudo isso não acontece e ninguém diz abertamente se vão ou não fazer greve, se vão ou não ter aulas, se a escola vai sequer abrir. Assim aqui estou eu nesta manhã a pensar o que raio vou eu fazer aos miúdos? 

Posso escolher ter uma manhã igual às outras mas tenho que pensar onde pode haver falhas. Posso mandar o mais velho para o autocarro como de costume, mas não sei se vai passar afinal é um autocarro escolar pelo que os motoristas também podem ter aderido. Se o autocarro passar o rapaz pode chegar à escola e não ter aulas o que implica que eu o tenha que ir buscar. Se o autocarro não passar vou ter que o levar eu à escola e provavelmente vamos chegar atrasados caso tenha aulas, ou vamos dar com o nariz no portão caso não tenha. Dá-se ainda outro problema que é o facto de o Guilherme já ter vários professores o que significa que se existirem auxiliares suficiente terei que o deixar na escola porque um professor pode faltar mas outro não.

Depois temos o Leonardo que está num barco um pouco diferente mas igual ao mesmo tempo. Posso deixa-lo na escola antes das nove como é costume desde que estejam auxiliares mas nada me garante que a professora apareça pelo que vou ter que esperar para ver se vai ter ou não aulas. Se não tiver vou ter que o levar comigo para o trabalho o que só me vai dificultar o dia.

Existe ainda outra opção que é presumir que não vão existir aulas e deixar os mais velhos em casa. É a opção menos stressante mas se os professores não fizerem greve os rapazes perdem matéria.

Mais uma vez não sou contra a greve mas se nos informassem se vai ou não ser gozada facilitava-me muito a vida e evitava que eu estivesse agora aqui quase a arrancar cabelos a pensar o que raio faço eu aos miúdos?

Todas as manhãs a mesma coisa

À medida que o tempo passa e eles vão crescendo vou vendo as manhãs a ficarem mais difíceis. Bem sei que as pessoas pensam que os bebes é que dão trabalho mas eu dou por mim com saudades do tempo que só os tinha que vestir, dar um biberão e colocar no ovo. Era tudo muito mais simples.

Agora uns saltam da cama com as galinhas enquanto que os mais velhos ficam na cama até ao ultimo minuto. Depois andam numa correria desenfreada comigo a dizer ao Guilherme que vai perder o autocarro enquanto tento despachar os outros três. O pequeno almoço é para esquecer não porque não comam mas porque comem demais. Pedem cereais com leite mas também querem iogurte e pão. Depois eu começo a ficar enervada porque vejo o tempo a passar e eles ainda estão a comer. O Gui despacha-se num instante, corre a lavar os dentes e prepara-se para sair. Quando está à porta lembra-se sempre de alguma coisa que ficou esquecida no piso de cima e lá vou eu a correr para que não perca o autocarro. Despacho-me igual a um foguete abro a porta para o rapaz sair e começa um pi pi pi. Os rapazes já sabem que o alarme vai tocar pelo que colocam os dedos nos ouvidos enquanto eu tento  desligar a coisa dentro do tempo de segurança. Quando não consigo tenho que lidar com um telefonema em que me pedem uns códigos com os quais não consigo atinar nem por nada o que me atrasa ainda mais.

Despachado o primeiro tenho que lidar com a birra dos pequenos porque o Guilherme foi embora e eles não foram dizer adeus. Perdem mais tempo a falar do que a comer e eu começo a dizer que estamos atrasados. Lá consigo levantar a mesa para sairmos. Calço os pequenos e oiço o Leonardo a cantar nas calmas na casa de banho enquanto escova os dentes. Pressa é coisa que não existe no dicionário deles e eu não me consigo habituar a isso. Vou colocando os pequenos no carro enquanto espero que o molenga se despache.

Finalmente aparece calçado e entra no carro. Preparo-me para arrancar e um dos gémeos lembra-se que não tem o seu panda ou carrinho de eleição. As alternativas passam na minha cabeça. Posso seguir viagem e aguentar com a birra durante os vinte minutos de percurso ou entrar de novo em casa e procurar a coisa. Por norma acabo por ir buscar o  objecto o que me faz atrasar ainda mais. 

Para mim é uma vitória quando consigo arrancar com o carro a caminho da escola. Quem mais se sente vitorioso todas as manhãs?

Andamos cegos ou não queremos ver

Ontem quando fui buscar os pequenos à creche aconteceu-me uma coisa esquisita. A educadora chamou os meus meninos que vieram logo a correr para mim. O primeiro a sair foi o Salvador e quando se chegou a mim nem o reconheci. Olhei para ele e ia jurar que aquele não era o menino que eu tinha deixado na instituição de manhã. Vi um rapaz, pequeno é certo mas um rapaz. Vi uma cara que demonstra que já não é bebe. Vi um corpo que perdeu as formas arredondadas dos primeiros anos de vida. 

Chegou o Santiago e estava igualmente diferente, já com cara e corpo de rapaz. Por momentos apeteceu-me chorar, abraçar aqueles rapazes e chorar. Não por estarem a crescer mas sim porque eu nem me estava a aperceber que eles estão a crescer. Senti-me má mãe. A verdade é que senti isto com todos os meus filhos. Aprendi a custo que eles crescem rápido de mais e nós na correria que vivemos andamos cegos. Ás vezes penso se andamos cegos ou não queremos ver, se calhar é um pouco dos dois. Estamos tão preocupados com o dia a dia que nem nos apercebemos que eles mudam um pouquinho todos os dias. Também é verdade que é difícil perceber este crescimento todos os dias, que é mais fácil para quem só os vê de dez em quando. Mas a verdade é que eu como mãe não quero perder pitada e pelos visto estou a perder.

Ao fim de quatro já devia estar mentalizada que isto ia acontecer mas acontece que estou sempre a prometer que desta vez vais ser diferente. Prometo a mim mesmo que é desta que vou dar conta de tudo nem que seja que lhe cresceu mais um cabelo na cabeça e depois desiludo-me. Sei que eles vão continuar a crescer e que nem sempre vou perceber logo as mudanças. Assim é a nossa vida, assim temos que continuar. Eu cá continuo a pedir para o tempo passar mais devagar mas ele nunca me dá ouvidos.

A hora de dormir

Cá em casa sofremos de um mal que eu penso que assiste em grande parte das famílias. Os pequenos estão todos felizes e contentes a brincar ou a ver televisão. Nós chegamos, dizemos que está na hora de ir dormir e começa o drama.

Um tem fome, outro quer água. Um lembra-se que ainda não preparou a mochila para o dia seguinte enquanto o outro afirma que tem que ir à casa de banho. Um deles lembra-se que ainda não lavou os dentes e o outro que tem um recado da escola. Entretanto o outro ouve a palavra recado e diz que tenho que lhe examinar a cabeça e assinar um papel por causa de piolhos na escola. O pequeno fica com vontade de fazer cocó e demora uma eternidade na casa de banho. Os mais velhos lembram-se de me dizer que lhes tenho que comprar artigos como sapatilhas ou papel de manteiga para o dia seguinte. Os pequenos choram porque querem os pandas para dormir. Depois choram porque querem ir dar beijinho ao pai. Depois querem que conte histórias.

Por norma só sossegam quando me mostro zangada e digo que quero silêncio absoluto. Quando se calam adormecem quase imediatamente mas até sossegarem é dose. Confirmem-me lá se é mau geral ou não inventarem coisas para não irem dormir.

Coisas que só uma mãe de muitos entende.

O regresso às aulas é sempre um desafio. Quando temos mais do que um filho a situação torna-se ainda mais difícil. Na semana passada liguei para a escola do Leonardo a saber quando começavam as aulas. Disseram-me que tinha que ir a uma reunião na sexta feira às 17:30. De seguida liguei para a escola dos gémeos e disseram-me que tinha reunião na sexta às 17:30. Enquanto apontava percebi que teria que estar em dois sítios diferentes à mesma hora. 

Estava a tentar perceber como é que iria conseguir tal proeza quando recebi uma chamada da escola antiga. Surpresa atendi o telefone e falei com a professora do Leonardo. Esta informou-me que a festa para atribuição do diploma de mérito era na sexta-feira às 16:30.

Assim passei a ter que estar em três sítios basicamente à mesma hora. Combinei com o marido que ele iria à entrega dos diplomas com os mais velhos e depois iria buscar os pequenos à creche enquanto que eu iria tentar ir às duas reuniões. Liguei para as escolas e ambas me disseram que a reunião era muito rápida pelo que iria conseguir ir ás duas. Deixei então recado para a professora do Leonardo que iria à outra reunião primeiro pelo que chegaria um pouco atrasada.

No fim a reunião demorou imenso, saí da escola às 19:20 e a reunião ainda não tinha acabado totalmente. Corri para a escola do Leonardo mas a professora já não estava. Provavelmente pensou que eu já não iria afinal já passavam duas horas desde o inicio da reunião. 

Acabei por ter que ligar no inicio da semana para falar com a professora e combinar um dia para falarmos um pouco. Vida de mãe é difícil e nem vos falei das apresentações dos gémeos e do Guilherme na mesma manhã