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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Andamos sempre a correr e, por vezes, nem vemos a beleza do que nos rodeia

Ao fim do dia sou sempre eu que levo os gémeos para casa. Vou sempre com pressa para ir fazer o jantar, ajudar o marido nos banhos e, por vezes, ajudar os mais velhos nos trabalhos. Neste dia especifico não foi excepção, apressei-me a caminho de casa, estacionei o carro, fechei o portão e tirei os gémeos do carro. Abri a porta de casa e disse aos rapazes para entrarem. Eles por norma costumam dar umas corridas rápidas e entrar em casa mas desta vez estavam parados. Chamei-os mais uma vez para que entrassem porque estava frio na rua e o Santiago disse-me:

- Espera mãe. Estamos a ver as estrelas. Olha são muitas.

Acabei por me juntar a eles e olhar para cima. A verdade é que o céu estava simplesmente lindo, repleto de pequenos pontos luminosos. Acabei por me deixar ficar ali um pouco com eles a apreciar aquele céu. Demoramos tanto que o marido estranhou e veio à porta saber de nós. Quando perguntou o que se passava respondemos que estávamos a ver as estrelas. 

O facto é que andamos numa correria tal que podemos passar pela paisagem mais bela do mundo e nem nos apercebemos. Estamos tão focados nos milhões de coisas que temos que fazer que nos esquecemos de apreciar as coisas simples que nos rodeiam. Eu, felizmente, tenho os rapazes que me chamam à razão e me alertam para as coisas que estou a perder. Agora, todos os dias, tiro um minuto para contemplar o céu e a verdade é que nunca é igual.

Vaca, vaca, vaca

Estávamos em casa. Eu preparava a máquina de roupa para lavar e o marido estava a distribuir o jantar pelos pratos dos pequenos. O Santiago andava a passear pela cozinha e começa a dizer:

- Vaca, vaca, vaca.

- Então Santiago!- exclamamos eu e o marido em conjunto.

- Mas é uma vaca. Olha uma vaca, uma vaca, uma vaca. São três vacas.

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Afinal foi um falso alarme. O rapaz não estava a ofender ninguém 😂.

O Leonardo explica porque acredita no Pai Natal

- Leonardo és tão totó. O Pai Natal não existe. É tudo uma farsa. Os pais compram as prendas e fingem que foi o Pai Natal que as trouxe.

- Achas mesmo Guilherme?

- Claro que sim.

- Tu achas mesmo que todo o mundo ia pactuar com essa farsa? Achas que todos os pais iam gastar dinheiro em prendas só para fingir que o Pai Natal existe? Isso tem alguma lógica?

- Eu continuo a dizer que não existe.

- Pensa bem Guilherme. Achas mesmo que era possível haver uma farsa tão grande?

Não sei se convenceu o mais velho ou não, mas pelo menos, deve ter semeado alguma duvida na cabeça do irmão porque, no fim, escreveu uma carta ao Pai Natal.

As coisas que me pedem

- Mãe olha aqui!

- Salvador a mãe agora está a conduzir não pode olhar.

- Tens que cortar mãe.

- Tenho que cortar o quê?

- O meu dedo mãe!

- Tenho que cortar o teu dedo?

- Sim!

- A mãe já vê e já corta.

- Não mãe!!!!- grita o Santiago - Mano se a mãe corta teu dedo pois ficas sem dedo.

Lá seguimos o resto da viagem com o Santiago a contar os dedos e a mostrar ao irmão com quantos ficava se eu lhe cortasse um dedo.

 

 

Animais de estimação no campo

Sete e meia da tarde e a campainha da porta toca. Estranhei o facto porque não estava à espera de ninguém. Fui à porta e lá  estava um rapaz com uns onze, doze anos.

- Boa noite vizinha queria saber se não viu o meu galinho por aí.

- O teu galo?

- Sim, o meu galinho de estimação. Ele fugiu e uma das vizinhas disse que o tinha visto por aqui.

- Não , não o vi. Não está no meu quintal mas se o vir digo-te.

Lá foi o rapaz triste por não saber do seu amigo.  Eu fiquei a pensar que as crianças por aqui têm animais de estimação diferentes do habitual.

O sapo foi invadido

Hoje abri o sapo e deparei-me com um ecrã cheio de morcego esvoaçantes. Não consegui deixar de sorrir porque é este mesmo o lema do Halloween. Brincadeira e diversão para todos. Daqui a pouco vou comprar um camião de doces e esperar que logo nos venham bater à porta as criaturas mais assustadoras.

Não sei porquê mas as crianças amanhecem estranhas neste dia. Cá casa acordaram assim...

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Coisas que me deixam indignada

Na semana passada tive reunião na creche dos gémeos. A reunião correu dentro dos parâmetros normais. Explicaram-nos as normas do estabelecimento. Depois indicaram as actividades que vão desenvolver com as crianças e os progresso que esperam ver alcançados no final do ano. No fim da reunião reservaram uns minutos para que os pais colocassem questões que colocasse pertinentes. Alguns pais colocaram questões interessantes mas existia um casal que estava mais interessado em contestar tudo. Não gostam que a associação aceite crianças com febre até três dias. Não gostam que deixem os pequenos ver televisão até ás 9 horas manhã, hora em que entram as educadoras. Resmungaram sobre mais um monte de coisas que já nem me recordo contudo à uma reclamação que não me sai da cabeça.

Aparentemente o filho do casal apanhou piolhos três vezes o ano passado e achavam ultrajante que de todas as vezes tivessem sido eles a perceber. Na opinião deles a educadora deveria ter alertado para esse facto. De nada serviu explicar que são muitos e que, por vezes, coçam a cabeça sem terem piolhos. Tão pouco serviu dizer que colocam avisos na porta que quando a sala tem visitantes e alertam os pais para o facto. Não nada disto demoveu o casal que continuava a insistir que deveriam vistoriar a cabeça das crianças. As educadoras e auxiliares já fazem pouco pelos nossos filhos ao longo do dia só faltava coloca-las a catar piolhos. Tem que haver um limite gente!