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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Vida de mãe de gémeos

A vida de uma mãe de gémeos é difícil. É certo que os rapazes estão a crescer e seria de esperar que estivessem mais atinados mas não é bem assim. Ainda ontem subi para tomar banho e deixei os rapazes com o pai. Optei por não trancar a porta porque fico doida com os murros e pontapés que lhe dão a tentar entrar. Pouco depois, estava a esfregar o cabelo e ouvi-os entrar. Primeiro choraram porque queriam tomar banho comigo apesar de já terem tomado banho. Depois calaram-se e isso nunca é bom sinal. Tentei espreitar entre a espuma do shampoo que me corria pela cara e o que vejo eu? Um  estava entretido a desenrolar o rolo de papel higiénico com uma rapidez impressionante. O outro estava de costas pelo que não conseguia ver bem o que estava a fazer. Mexeu-se um pouco e vi uma substância azul na ponta do dedo indicador. Vi a tampa da sanita levantada e percebi que o rapaz se preparava para comer o WC pato.

O marido estava no andar de baixo a falar ao telemóvel. Eu estava cheia de espuma e não sabia bem como parar o rapaz. Fui buscar o tom de voz mais ameaçador que conheço e gritei-lhe:

- TU NÃO TE ATREVAS A POR ESSA MÃO NA BOCA! ANDA CÁ IMEDIATAMENTE LAVAR AS MÃOS!

Felizmente a coisa resultou e o rapaz veio com um olhar assustado ter comigo. Percebi que falei com um tom um pouco ameaçador demais quando o marido apareceu na casa de banho. Acho que o homem pensou que eu estava a surtar de vez.

Uma sensação estranha

Os mais velhos foram passar uma semana fora com os avós e nós não somos os mesmos sem eles. O som da casa é diferente. Os risos são menores, os banhos mais rápidos, a pilha de roupa suja é menor e as camas são menos para fazer. Sinto falta do meu Guilherme que anda sempre a dar-me abraços e a dizer que me adora. Sinto falta da forma como demora uma eternidade a explicar a coisa mais simples. Sinto falta de olhar para ele e sentir que está quase da minha altura. De olhar para a forma como o seu corpo está a mudar.

Sinto falta do meu Leonardo e da sua voz histérica. Sinto falta das suas gargalhadas que se ouvem até ao fim da rua. Sinto falta de ouvir o ruído de fundo que faz o dia todo. Passo a vida a pedir-lhe pare de andar sempre a melodiar pela casa mas até desse hábito irritante sinto falta.

Dou por mim a fazer compras para seis, comer para seis e depois somos apenas quatro para o comer. Os pequenos também sentem a falta dos irmãos. Perguntam por eles o dia todo. Quando vão comer perguntam se os irmãos estão a comer. No banho perguntam se os manos estão a tomar banho. À noite perguntam se também estão a dormir.

Uma parte de mim agradece esta ausência. Estou cheia de trabalho, tenho trabalhado mais horas que o habitual. Já ouve dias em que o marido teve que sair para ir buscar os pequenos e tratar deles porque eu nem os conseguia ir buscar a tempo. Agradeço o facto de ter apenas dois para tratar o que torna tudo mais fácil mas sinto falta deles na mesma.

Agradeço também o facto de poderem ter este tipo de relação com os avós. Gosto do facto de poderem criar laços mais fortes. Lembro-me das férias que passei com os meus avós, do quanto me diverti e de como quero o mesmo para os meus filhos. Não quero de forma alguma ser uma mãe que não os deixa viver, que os mantém sempre debaixo das asas mas é difícil abdicar do controle. É tão difícil que não consegui deixar ir os mais novos apesar de os avós os querem levar a todos. Acabamos por chegar a um meio termo, foram dois ficaram dois. Pode ser que para o ano tenha coragem de os deixar ir a todos. Os pequenos já estarão mais crescidos e deve ser mais fácil tomar conta de todos. Se assim for a casa vai ficar ainda mais vazia.

Não vale a pena sofrer por antecedência. Por agora limito-me a sentir falta dos mais velhos e a contar os dias para os ter de volta em casa.

Sim tenho cabelos brancos. Qual é o problema?

Ultimamente tenho me deparado com uma série de situações e comentários que me fazem pensar no que nos tornamos. Já há alguns anos que comecei a ter cabelos brancos mas como eram poucos  a coisa passava despercebida. Aos poucos foram aparecendo mais e agora estão mais visíveis. Não tenho muitos, tenho um aqui outro acolá, tenho sim um género de madeixa atrás onde são um pouco mais concentrados. Não me incomodam são parte de mim. Contudo parece que incomodam muita gente. Nem imaginam a quantidade de pessoas que me alertou para o facto de ter cabelos brancos, muitos foram os que me disseram que tenho que começar a pintar o cabelo e ouve ainda quem me arrancasse um cabelo da cabeça.

Vou escrever aqui o que já disse pessoalmente a todas essas pessoas. Eu sei que tenho cabelos brancos e, espantem-se, gosto deles. Para mim são um símbolo de crescimento e amadurecimento. Não tenho vergonha nenhuma de os exibir e vou continuar a faze-lo enquanto me sentir bem com eles. Não sou extremista ao ponto de dizer que nuca vou pintar o cabelo e que vou usar os brancos sempre mas, de momento não me incomodam e enquanto não me incomodarem não vou fazer nada para os esconder. Que eu saiba não existe nenhuma lei que obrigue as pessoas a pintarem o cabelo por isso parem de me dizer para o fazer. Somos todos seres livres de fazer e viver como quisermos. Se nos preocupássemos tanto com coisas importantes como nos preocupamos com estas futilidades vivíamos num mundo bem melhor.

O ar do campo abrem o apetite

Já suspeitava que o ar do campo nos dá um pouco mais de fome. Quando em pequenos íamos para a terra do meu pai passávamos o dia a comer e parecia que mesmo assim tínhamos sempre um fome.

Agora tenho a certeza e começo a pensar se esta troca de casa foi uma boa ideia. Desde que mudamos para cá os pequenos estão rotos e eu suspeito que vamos à falência ainda antes de o ano terminar. Vou deixar aqui o exemplo do que acontece nas manhãs dos dias de férias e, ou fins de semana. Como são dias de descanso não existem horários pelo que os deixo descansar e acordar ao próprio ritmo. Os gémeos são os primeiros a acordar, ainda estão a descer as escadas com ar sonâmbulo e já vêm a pedir comer. Exigem leite com cereais e eu dou-lhes uma tigela a cada um. Depois de comer senta-se a ver bonecos. Pouco depois aparece o Leonardo que quer iogurte e torradas. Assim que menciona comer os outros dois vêm logo sentar-se a mesa a pedir o mesmo menu. Seria de esperar que pedissem e não comessem porque já o tinham feito mas não. Bebem um iogurte e comem pão. Minutos depois aparece o Guilherme para comer cerelac e claro que os pequenos também querem. Saem três pratos de cerelac se bem que os dos gémeos levam um pouco menos de quantidade. Quando o pai acorda desce e tenta comer alguma coisa às escondidas. A coisa não costuma resultar e por norma têm que partilhar os iogurtes com os rapazes. Digo iogurtes porque o homem limita-se a ir tirando do frigorífico na esperança de comer um mas nunca consegue. 

Depois disto tudo por volta do meio dia já andam a chorar por comer e é assim o resto do dia.

Dá gosto vê-los comer mas a minha carteira não gosta muito

Temos inquilinos

No sábado o marido comentou que estava um pássaro no pinheiro que não parava de piar. Eu fui espreitar na janela e ouvi não um mas vários piares. Procurei sem sucesso ver de onde vinha o barulho. O pinheiro têm uma copa tão frondosa que não deixa ver o que se passa no alto. O certo é que passei o resto do sábado atenta e o piar volta e meia voltava. Comecei a suspeitar que seria um ninho.

No domingo tive a confirmação. Não vi o ninho porque deve estar muito bem escondido na copa da árvore mas vi os pais que não largam a árvore. Os pequenos pássaros piam imenso quando os pais chegam exigindo comer. Depois os pais partem em busca de mais alimento e faz-se silêncio no ninho. 

Estou tão contente com os nossos novos inquilinos, só me apetece montar guarda ao pinheiro para garantir que nada de mal lhes acontece.

E o Agosto está ao virar da esquina

Não sei bem como mas já estamos em Agosto. Não é um mês que eu adore particularmente. É um mês em que para mim é impensável tirar férias. Ao contrário da maioria das profissões na minha área o Agosto é um dos meses mais fortes e por isso não há hipóteses de férias. Vou ser sincera e responder que nem me importo. Os preços das estadias são astronómicos e mesmo assim está tudo cheio. Resumindo pagamos imenso para estarmos igual a sardinha em lata na praia. Não, não é para mim.

Prefiro de longe trabalhar nesta altura. Gosto de aproveitar estes dias em que o transito é quase inexistente. Em que não há filas nos supermercados. Em que chegamos a casa mais depressa do que o habitual. 

Acabo de perceber que até gosto do Agosto. Gosto da paz que trás a quem fica para trás. Gosto dos dias e noites quentes que convidam a passeios nas ruas quase desertas. Vamos aproveitar este mês ao máximo porque em Setembro tudo muda. Começam as escolas e voltamos todos à correria.