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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

Relação amor ódio

No fim de semana ouvi a seguinte conversa:

- Quando for pai vou apagar todas as gravações dos meus filhos. - explicava o Leonardo ao Guilherme revoltado porque o pai apagou os milhares de episódios que tinham nas gravações da box.

- Ó Leonardo quando fores pai não podes fazer isso.

- Posso sim o pai fez o mesmo comigo.

- Mas Leonardo se fizeres isso os teus filhos vão odiar-te.

- Não faz mal eu também odeio o pai.

Não consegui deixar de rir depois de ouvir a conversa. A relação do Leonardo com o pai sempre foi uma relação de amor ódio e eu já nem me meto no assunto. Sei que o rapaz fica furioso quando o pai faz algo que contrário ao que ele quer e é frequente dizer que não gosta do pai ou que gostava de ter outro pai. A coisa é tão frequente que já nem ligamos.

Mais tarde o marido estava no sofá a ver os Simpson e o Leonardo correu a sentar-se ao pé do pai. Em vez de se limitar a sentar optou por aninhar agarrado ao pai e ouvi o marido gozar com a situação:

- Não como é Leonardo. Estás sempre a dizer que não gostas de mim mas depois passas a vida agarrado a mim.

- Agora já gosto um pouco de ti. - disse o rapaz para acabar com a conversa

Eu fico de fora a ver estas cenas entre os dois e acho imensa piada. Andam sempre às turras mas não se largam.

 

Virei os olhos por um segundo

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Estávamos no quintal a brincar. Estava a ajudar o Salvador a descer do trampolim quando o Santiago chamou por mim. Dou com o rapaz enterrado em lama como se se tratasse de areia movediça. Quanto mais se mexia mais se enterrava. Eu não sabia se o deveria ir ajudar ou simplesmente ficar a rir da cena. Acabei por o ir salvar e nem queiram saber o estado em que estava. Fica a imagem do sapato para imaginarem.

Crescem igual a ervas daninhas

O Verão passou e finalmente deu lugar ao Outono. Chegou a altura de começarmos a vestir as roupas mais quentes que estiveram guardadas durante os últimos meses. Cá em casa estes momentos têm sido um ciclo de surpresas. Ainda no outro dia dizia ao marido que precisávamos de comprar robes para os pequenos. Entretanto fui buscar os os dos mais velhos e percebi que os do Leonardo estavam bons para os gémeos e os do Guilherme estão perfeitos para o Leonardo. Percebi então que quem precisa de facto de um robe é o Guilherme mas com o tamanho que está já teremos que comprar um na secção de adulto.

O verão fez com que crescessem iguais a ervas daninhas. No dia a dia não percebi mas agora vejo perfeitamente na roupa. O Guilherme está tão grande que já tive que lhe ir comprar roupa à pressa e penso que ainda precisa de mais. O Leonardo deu um pulo tal que a roupa que deixa de servir ao mais velho lhe serve logo. Anteriormente a roupa do Gui ficava um ano no roupeiro até servir ao Leo agora nem descansa. 

Quanto aos pequenos nem sei o que dizer. Roupa que guardei porque lhes estava muito grande e tinha a certeza que ia servir não serve. Roupa que me deram para esta estação que me pareceu tão grande e afinal está no ponto. Olho para a roupa quando estou a passar a ferro e penso como é possível que aquela determinada peça já lhes sirva? Olho para o cumprimento de perna e questiono-me como é que cresceram tanto?

Todos os anos é esta surpresa depois do verão. O sol, o tempo quente, o ar livre, o ar da praia fazem milagres nas nossas crianças. 

Animais de estimação no campo

Sete e meia da tarde e a campainha da porta toca. Estranhei o facto porque não estava à espera de ninguém. Fui à porta e lá  estava um rapaz com uns onze, doze anos.

- Boa noite vizinha queria saber se não viu o meu galinho por aí.

- O teu galo?

- Sim, o meu galinho de estimação. Ele fugiu e uma das vizinhas disse que o tinha visto por aqui.

- Não , não o vi. Não está no meu quintal mas se o vir digo-te.

Lá foi o rapaz triste por não saber do seu amigo.  Eu fiquei a pensar que as crianças por aqui têm animais de estimação diferentes do habitual.

Não é só em tempo de seca que se deve poupar água

A situação no País está feia. A seca está cada vez mais acentuada e a tão prometida chuva tarda em chegar. A comunicação social explora a situação sem limites e as pessoas começam a falarem poupar água. É triste que só em caso de necessidade é que se façam mudanças. Agora está tudo preocupado em poupar mas estou certa que quando a situação for normalizada depressa a poupança será esquecida.

É importante que as pessoas percebam que a água é o nosso bem mais precioso e deve ser poupada o ano todo. Por vezes os gestos mais simples fazem toda a diferença. Fechar as torneiras quando estamos a escovar os dentes. Tomar duche e fechar a água sempre que não está a ser utilizada. Reduzir a quantidade de água da descarga do autoclismo. Aproveitar a água inicial dos banhos para um balde. Por norma a água demora um pouco a aquecer e essa água pode ser aproveitada para depois lavar um chão, regar plantas ou para uma descarga na sanita.

É importante também só colocar as máquinas da loiça e da roupa para lavar com a carga máxima. Não deixar torneiras a pingar.  Até as águas que normalmente desperdiçamos na cozinha podem ser utilizadas. Se deixar arrefecer a água da cozedura de massas ou de legumes estas podem ser utilizadas na rega das plantas.

Sei que parece pouco mas se pouparmos meio litro agora, mais meio litro daqui a pouco, depressa esses valores de transformam em centenas de litros num mês.

O ambiente agradece a poupança e a nossa carteira também.

 

Resentimento

Neste domingo, tal como em todos os outros, passei a manhã a passar a ferro. Não é uma tarefa de eu desgoste, aliás gosto bastante de o fazer mas ultimamente sinto que me rouba demasiado tempo.

Neste particular domingo estava a passar enquanto o marido e os filhos brincavam todos no quintal. Pela janela vi os rapazes a jogar à bola. Vi os miúdos a fazer corridas de bicicletas e trotinetas. Ouvi as suas gargalhadas. Ouvi as suas conversas. Numa determinada altura deixei de os ver, apenas ouvias as gargalhadas intensas. Fui espreitar e estavam os cinco a saltar no trampolim. Todos de mãos dadas a formar uma roda e a saltar ao mesmo tempo. Como estavam felizes. A mim só me apeteceu largar tudo e correr para me juntar à festa. Depois olhei para o monte de roupa e lembrei-me que ele não se ia passar sozinho.

Resignei-me e voltei ao trabalho mas confesso que o fiz ressentida. Ultimamente sinto que não faço mais nada do que trabalhar. Passo o dia a trabalhar no emprego e depois venho para casa fazer tarefas. Começo cada vez mais a pensar em arranjar alguém para nos ajudar. Não é que não goste de limpar porque é coisa que eu adoro fazer. Não é que não o consigamos fazer porque temos tudo em ordem. É sim pelo tempo que nos rouba. Sempre pensei que ter alguém umas horas por semana era um luxo e que não precisávamos. Neste momento já não acho que seja um luxo mas sim uma necessidade. Quero mais tempo. Mais tempo para brincar com os meus filhos. Mais tempo para os poder ajudar nos estudos. Mais tempo para poder ver filmes com eles. Mais tempo para lhes ler livros.

 

Sinais que não estamos a falhar como pais

- Mãe acho que já não quero o beyblade para o Natal.

- Já mudaste de ideias?

- É que eu estou indeciso.

- Então.

- Já sei! Quero o beyblade para o Natal!

- Então já está resolvido? Depois não podes mudar de ideias.

- Sim. Depois para o meu aniversário em Dezembro de 2018 quero o novo livro do diário do Banana. Sabes os meus colegas dizem que já saiu o numero 12.

Podia ter pedido as duas coisas. Podia ter pedido o livro sem que fosse uma prenda. Em vez disso preferiu escolher a prenda que vai receber dentro de um ano. Sabe bem as regras da casa e estava bem feliz na escolha que fez.