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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

O cadeirão do avô

O avô têm um cadeirão especial onde se gosta de sentar, é o território dele e ninguém o deveria ocupar. Acontece que os rapazes adoram o cadeirão especial dele e não perdem uma oportunidade para o ocuparem. Não é raro ver os quatro todos amontoados lá em cima a brincarem com o comando do cadeirão, adoram subir e descer o apoio dos pés. Ontem apanhei apenas três, todos contentes lá sentados a brincar com um cobertor. O cadeirão deve ter algo mágico porque nunca o largam.

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A mãe e os parque infantis

A mãe continua a ter uma criança dentro dela. Adora andar de baloiço e não diz que não ao escorrega. A mãe aproveita o facto de os pequenos estarem a passar a fase do medo do escorrega e escorrega em comboio com eles, só para lhes tirar o medo nunca para diversão.

A mãe gosta de procurar parque infantis vazios para poder ensinar o mais velho a fazer cambalhotas nos ferros sem que os outros pais olhem para ela de uma forma estranha. A mãe gosta de se divertir e brincar com os rapazes mas certas pessoas não vêm isto com bons olhos.

A mãe é tão criança que a primeira coisa que faz quando chega a um parque de areia é...

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Tirar os sapatos e andar descalça o tempo todo. Depois não quer que as outras pessoas a olhem de lado.

O dinheiro não nasce das árvores.

Embora seja feito de papel o dinheiro não nasce das árvores, nós consideramos muito importante que os nosso filhos percebam isso e não perdemos uma oportunidade de os ensinar.

Em Fevereiro o Guilherme foi a uma festa na Kidzania e veio de lá encantado. Assim que saiu disse que queria que a sua festa fosse lá. Todos os anos pode escolher entre uma boa prenda ou uma festa para o seu aniversário, escolhe sempre a festa e este ano não foi excepção.

Fui então saber os preços para a kidzania e ia caindo para o lado. Percebi que a festa deste ano iria custar o dobro do que é habitual. Não é que o preço fosse muito descabido porque afinal passam lá o dia todo e não 2/3 horas como nos outros sítios. Mas mesmo assim pesa na carteira principalmente quando temos tido despesas extra atrás de despesas extra desde o inicio do ano.

Tentamos explicar ao rapaz que a festa era demasiado cara mas ele ficou de coração partido. Aceitou mas vimos que tinha ficado mesmo triste. Preparamos então um plano e perguntámos se ele estava de acordo. Sugerimos que este ano pedisse dinheiro aos avós em vez de brinquedos que têm imensos. Informamos que todo o dinheiro que recebesse de amigos e familiares como prenda seria utilizado para ajudar a pagar a festa. O rapaz concordou logo e assim conseguimos dar-lhe a festa que tanto queria.

No sábado lá estávamos ás 11h e passamos um dia em grande. Os amigos dele são fantásticos, uns excelente miúdos muito bem educados. Foi uma diversão até as 19h quando todos já se queixavam de dores nos pés.

Voltamos a casa exaustos mas com a certeza de termos tomado a opção certa, o rapaz vinha tão feliz. Considero que lhe mostrámos uma vez mais que o dinheiro custa a ganhar. No entanto ficou a perceber também que pode e deve fazer sacrifícios e poupar para ter as coisas que quer.

Às vezes o universo é nosso amigo

Depois de dias cheia de trabalho e sem conseguir para para nada eis que tive uma pequena bolha de ar. Fui trabalhar ontem sabendo que ia ter um dia muito difícil. Sabia de antemão que tinha coisas importantes que tinham que estar prontas ate ao final do dia. Ia mentalizada para mais um dia de maratona, em que ando quilómetros e quilómetros para a frente e para trás, a tentar fazer o meu e ajudar os outros. A meio da manhã comecei a ficar nervosa porque tinha algo que tinha que estar pronto ao inicio da tarde e ainda não tinha chegado.

Fui escrever um email para reclamar o atraso e descubro que a data foi alterada. Respirei de alivio porque é menos uma coisa para me chatear. Voltei para ao pé dos colegas para ajudar quando uma das colegas me liga a informar que o cliente tinha informado que o que estávamos a fazer não precisava estar terminado ontem.

Eu fiquei felicíssima consegui despachar o resto tudo e sair a horas. Corri para casa e fiz dois bolinhos de aniversário para o meu rapaz levar para a escola. Já tinha planos de os fazer mas assim não tive na cozinha até de madrugada.

Decididamente, por vezes, existe algo que sorri para nós.

10 anos

Meu filho nem acredito que hoje fazes dez anos. como é possível? quem te deu permissão para crescer tão depressa? Ainda ontem eras um bebe que eu podia proteger de tudo, hoje estás da minha altura e começas a querer alguma independência.

Perdoa-me mas eu não estou preparada para isto. Ainda não acredito que dentro de poucos meses vais para a escola básica Vais sair daquele ambiente pequeno e controlado em que tens vivido e descobrir todo um mundo novo. O meu coração está dividido entre o nervosismo do que está para vir e o orgulho da pessoa em que te estás a tornar.

Vejo-te hoje um jovem com um coração do tamanho do mundo. Sempre calmo e meigo com todos. Adoro a forma como consegues brincar com qualquer criança por mais pequena que seja. Adoro o facto de começares a demonstrar interesse em ver certos filmes connosco. Olho para ti a conseguir acompanhar as legendas e penso em todas as batalhas que travamos para que isso acontece-se. Foi uma guerra intensa em que lutas-te e lutas-te. Quando vi a tua pauta de notas este período senti que afinal estava certa em não acatar o que os médicos sempre quiseram. Vi aqueles Bons a tudo e para mim é como se fossem Muito Bons. A verdade é que são ainda melhores que muito bons. Foi tudo conquistado através de muito trabalho. Não só estudo. É o resultado de anos de terapias, de consultas, de psicologia. É o resultado de anos de incertezas sobre o facto de termos recusado medicar-te.

Hoje vejo em ti pequenos indícios de uma adolescência. Aos poucos começas a passar de criança a jovem e gosto do que vejo.

Parabéns meu filho neste dia tão especial. Espero que tenha um dia especial junto dos teus amigos e família. Já sabes que todos nós te amamos imensamente.

Dias de loucos

Três dias de trabalho e parece que já trabalhei um mês inteiro. Trabalho, trabalho e trabalho para onde quer que olhe. Por mais que corra está sempre tanto para fazer. As oito horas transformaram-se em dez, onze, doze e mesmo assim ainda à tanto para fazer.

Regresso a casa cansada, exausta sem vontade para nada. Se pudesse chegava tomava banho e enfiava-me na cama. Não para dormir porque o meu cérebro anda a funcionar em excesso e não me têm deixado dormir muito bem, mas para descansar o corpo. Contudo os rapazes precisam de atenção e sentem a minha falta. Desde que chego a casa já só me querem a mim. Querem vir para o meu colo, querem que seja eu a dar água, querem que seja eu a brincar com eles...

Pensamento positivo. Já só faltam mais dois dias.

Poderia ter sido um mau dia.

No sábado o Guilherme teve uma festa de anos. Desafiei o Leonardo a vir comigo à biblioteca, o plano era deixar o Guilherme e passar as 3 horas da festa entre livros. Paramos para deixar o Guilherme e o Leonardo foi convidado a ficar. Ele olhos para os outras crianças, para os insufláveis e afirmou que preferia ir à biblioteca.

Rumamos então ao local entusiasmados para encontrar algo novo para requisitar, infelizmente não tivemos essa sorte porque estava fechada devido à tolerância de ponto. Vi na cara do meu rapaz que tinha ficado desiludido, tive medo que amuasse o resto do dia ou que ficasse zangado como só ele sabe ficar.

Perguntei-lhe se queria que o fosse por à festa ou se queria passear comigo. Disse-me logo que queria estar comigo, sei que me adora e faz tudo para passar tempo comigo. Optamos então por dar um passeio ali mesmo à beira rio, andamos um pouco e depois fomos ao parque infantil onde ficou mais de meia hora só a andar no baloiço. Acho que teve a saborear o facto de não estar sempre nenhum dos irmãos a atravessar-se à frente ou a pedir a vez.

De seguida passamos no supermercado a fazer umas compras. Comemos um gelado e fomos buscar o Guilherme. 

A caminho de casa perguntei-lhe se tinha sido um dia muito aborrecido e ele respondeu que até se tinha divertido muito. O rapaz é cá dos meus, sabe que interessa mais com quem estamos do que o que fazemos. Eu adorei ter umas horas só com ele. Claro que adoro a azáfama da minha família numerosa mas também sabe bem algum tempo individualizado com cada um dos meus filhos.

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Sem querer criei um pequeno monstro

No inicio destas férias da pascoa o Leonardo andava muito aborrecido. Passava o tempo todo a dizer que não havia nada para fazer e eu propus-lhe que lesse um livro do Diário do Banana. Queixou-se que era enorme, que não era capaz de ler tantas páginas e nem queria tentar. Eu expliquei-lhe que era suposto ler um pouco de cada vez e assim ia lendo o livro ao longo de uns dias. Tornou a insistir que não conseguia e eu tentei outra estratégia. Disse-lhe que se queira jogar um pouco de vídeo jogos teria que ler dez páginas primeiro. Ele amuou e pegou no livro porque já sabia que eu não iria voltar atrás.

Passado um pouco veio ter comigo e disse-me:

- Mãe estava tão distraído a ler que li logo quinze páginas.

- Tão rápido? Afinal não é assim tão difícil.

- Não até é muito giro.

Depois de jogar um pouco agarrou-se outra vez ao livro. Acabou o primeiro, o segundo e o terceiro volume. Na quinta feira antes da Pascoa fui à pressa comprar o numero quatro para o rapaz. Depois fomos dar um passeio e visitamos o planetário. Assim que chegamos ao carro pegou no livro novo comprado e começou a ler. Nessa noite só saiu do quarto para jantar e no dia seguinte logo pela manhã já tinha acabado o livro. 

o marido reclama que criei um pequeno monstro e que não temos dinheiro para comprar livros todos os dias. Eu sei que tem razão e tentei ir à biblioteca municipal mas bati com o nariz na porta. Tenho que voltar outro dia para ver se têm o resto da colecção porque o rapaz não para de me pedir o numero cinco para ler.