Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

E quando o despertador pensa que é feriado?

Foi exactamente o que aconteceu ao meu hoje de manhã. Acho que era fim de semana grande e não tocou, isso ou, eu desliguei-o sem que me recorde. Acabei por acordar quase sobressaltada quase uma hora depois. Levantei-me danada com o raio do telemóvel, a tentar perceber como é que me iria despachar e aos quatro rapazes em quarenta minutos. Fiz tudo em tempo recorde, ajudou o facto de os mais velhos terem um passeio hoje o que os fez colaborarem porque não queriam perder o autocarro.

Saímos de casa à hora normal e chegamos a horas. Mesmo assim ainda sinto a minha cabeça esquisita e pressinto que não vai ser um bom dia para mim.

Será que sou a única que fica de mal humor o dia todo quando isto acontece?

 

É nisto que se tornou o Natal?

No sábado deixamos os pequenos com a avó e fomos tratar das prendas de Natal. Já sabíamos exactamente o que queríamos e onde encontraríamos os produtos escolhidos. Por norma, é assim que fazemos as nossas compras, chegamos e pegamos no que queremos e desta vez não foi excepção. Depois de pagarmos os volumes comprados fomos embrulhar os presentes.

Enquanto pela nossa vez comecei percebi que as pessoas que estavam a fazer os embrulhos eram voluntárias. Devo dizer que fiquei muito revoltada com o que vi.

Uma cadeia de lojas que factura imenso não pode empregar alguém para embrulhar presentes? É certo que não é o trabalho ideal mas acredito que muitos dos que não têm trabalho ficariam felicíssimos por uns dias remunerados. Aparentemente a empresa opta por ceder o espaço a voluntários de uma organização que embrulham os presentes enquanto pedem contributos para a sua causa.

Ora vejamos não temos pessoas a pedir para uma causa, temos pessoas a fazer um trabalho que pode não ter retorno nenhum. Para além disso como consumidora acho escandaloso, depois de ter gasto dinheiro na loja, ainda ter que levar com um discurso exaustivo sobre o que a associação faz.

Não é que não eu não seja solidária porque gosto bastante de contribuir. Contudo gosto de contribuir para as causas que escolho e não gosto de ser sujeita a pressões. A meu ver o facto de as pessoas estarem ali a fazer aquele serviço faz com que as pessoas se sintam obrigadas a colocar dinheiro na caixa que tão gentilmente está na mesa de embrulhos.

Já passaram alguns dias e quanto mais penso nisso mais desconsolada fico. Fico triste que os grandes retalhistas se aproveitem assim de associações que tentam fazer o bem. Acho que é errado e uma autêntica exploração. Não sei se a cadeia de supermercados vai ou não doar algo à causa, mas não vimos qualquer informação que isso iria acontecer. Resta-me presumir que o único beneficio que a associação vai ter é o facto da exposição directa a terceiros mas a meu ver não me parece o suficiente.

 

 

Vamos lá dizer as verdades

Toda a vida ouvi falar de como era difícil cuidar de um bebe. Como era mau passar noites sem dormir. Como era complicado gerir o tempo quando temos um ser que come de três em três horas.

Sim é verdade que não é fácil mas também é verdade que depois não fica mais fácil. Gostava que alguém me tivesse tido a decência de me explicar que as coisas não iam melhorar. Gostava que me tivessem alertado para o facto de as coisas se irem complicando à medida que crescem e não o contrário.

Porque a verdade é que ser mãe e educar uma criança é uma tarefa que nunca acaba e só se vai complicando com o passar do tempo. Ora vejamos:

  • Pensam que as noites mal dormidas serão só quando são bebés? Desenganem-se porque depois vêm as doenças, o desmame, o desfralde e tudo significa noites mal dormidas. Mais tarde vêm os medos, do escuro, da morte… e mais noites mal dormidas. Ainda mais tarde vêm as saídas nocturnas com os colegas e adivinhem? Mais noites mal dormidas. No fundo acho que nem depois de os vermos assentes e casados conseguimos dormir como deve de ser.
  • Queixam-se das costas por terem que andar com um bebé ao colo? Pois isso é que é vida porque assim que começam a andar nunca mais temos descanso. Eles dão trambolhões de meia noite. Andam sempre com galos negros. Julgam-se macacos e tentam trepar tudo. O nosso coração para demasiadas vezes. Não querem andar no carrinho e andar com eles na rua torna-se um martírio. Correm, fogem, saltam, desaparecem num piscar de olhos. Mais tarde esfolam-se todos para aprender a andar de bicicleta. Andam de joelhos todos feridos de tanto caírem a jogar à bola. Partem dentes, partem osso e sentimos imensa falta do tempo em que andavam protegidos ao nosso colo. Mais tarde ainda passam a andar de automóvel ou de moto, ainda não estou preparada para pensar nisso.
  • Temos uma vontade imensa para que digam as primeiras palavras. Pensamos que tudo vai ser mais fácil quando falarem mas não é bem assim. Os primeiros diálogos são ditos numa língua que desconhecemos e os pequenos ficam imensamente zangados quando não os percebemos. Levamos uma eternidade a dominar a língua estrangeira que utilizam e quando o fazemos já falam português. De seguida descobrem os musicais do panda e afins e passamos dias a ouvi-los cantar de manhã à noite. Giro? Sim durante os primeiros dois dias depois só nos apetece fugir. Depois vem a idade dos porquês. De seguidas a idade das duvidas existenciais.
  • Passam ainda pela fase do não se calarem um segundo. Uma fase em que nos contam tudo, mas mesmo tudo. Ficamos a saber as notas da turma toda. O que comeram a semana toda. Os lanches dos colegas todos… Claro que isto tudo é melhor que a fase que passam a seguir que é aquela mais conhecida com a do armário. Nesta fase quase que não falam com os pais, respondem só ao que lhes perguntamos e de forma brusca.
  • E o comer? É chato ter que fazer sopas e fruta completamente passadas todos os dias? É chato fazer um comer diferente só para o bebé? Tudo vai ser mais fácil quando comerem de tudo? Não, não e não. Pelo menos um bebé come praticamente tudo o que lhe colocamos à frente. Depois deixam de gostar de sopa. Passam a torcer o nariz às verduras. Fazem bolas com a carne e o peixe que colocam na boca e mastigam, mastigam sem conseguir engolir. Um bebé não olha para a comida que colocamos na mesa com ar de repulsa, depois de termos passado umas horas na cozinha. Um bebé não adora algo hoje e amanhã já não gosta. Um bebé não têm manias de agora vou ser vegetariano, vegan, agora só como bagas…

 

Enfim esqueçam a mentira que tudo fica mais fácil e preparem-se para o trabalhos mais exigente que alguém pode ter.

Agora é que me tramaram

Os pequenos andam famintos. Emagreceram um pouco depois de um mês sempre doentes mas entretanto acham que devem comer agora o que não comeram durante a doença. Ás vezes digo-lhes que não porque tenho medo que passem mal de tanto comer. Ainda ontem, jantaram bem depois dividiram uma manga enorme, de seguida comeram três tangerinas cada e depois ainda andaram a comer pão e bolachas.

Nós tentamos cortar um pouco, dizemos que não mas isso não é impedimentos para os rapazes. Afinal já sabem onde estão as coisas e nem o facto de estarem num sitio alto nos safa.

2016-12-06 06.46.58.jpg

2016-12-06 06.47.27.jpg

 

Nada que uma cadeira não resolva.

Resumindo agora atacam os armários pelo que só nos resta trancar a porta da cozinha para que não comam a despensa inteira.

 

Nem sempre os pais concordam um com o outro

No feriado de dia um o Guilherme tinha treino da bola às nove e meia da manhã. O pai foi chama-lo e voltaram os dois para a cozinha. O Guilherme sentou-se à mesa e o pai disse-me que o rapaz não queria ir ao treino.

Eu afirmei que tinha que ir e nada, enquanto resmungava com o marido por pactuar com o rapaz. Tivemos os dois ali um pouco a trocar argumentos sem que conseguíssemos provar quem é que tinha razão.

Será que é possível duas pessoas terem ambas razão com ideias tão diferentes?

Ora vejamos, o marido achava que não o deveríamos forçar porque o facto de ir contrariado só o faria andar sem vontade no treino e consequentemente teria menor rendimento. Concordei com ele neste ponto porque sei que a motivação move montanhas e que contrariados nunca temos os resultados desejados. Para além disso o marido argumentou ainda que concordámos que ele fosse jogar à bola para se divertir ( extravasar, libertar energias) não para andar contrariado. Mais uma vez achei que era um argumento válido. Fazemos questão que os rapazes tenham actividades mas sempre na componente liberal. Não somos daqueles pais que sonham ter o próximo Cristiano Ronaldo em casa e que os treinam de manhã à noite. Por isso mais uma vez achei que o marido tinha razão no que dizia.

Da minha parte ficou o argumento da nossa palavra e do compromisso. A meu ver o rapaz assumiu um compromisso com o clube e com os colegas de equipa quando entrou para a equipa. Compromisso esse que deve ser honrado. Não acho certo estarem a contar com ele e ele não aparecer. Não é este o tipo de educação que eu quero dar aos meus filhos. Quero que cresçam a entender que quando dizemos que sim é sim. Que quando nos comprometemos temos que cumprir. Afinal quantos de nós apareceríamos para trabalhar se ficássemos em casa quando não nos apetece ir?

Acabamos por concordar em deixar o rapaz faltar ao treino mas com um aviso que era a primeira e ultima vez. Tem que perceber que se quer jogar têm que ir faça chuva ou faça sol. Se vai inventar desculpas mais vale desistir de vez e poupar tempo e dinheiro aos pais.

No fim tinhamos ambos razão ou não?

Teatro para os pequenos

Ontem fomos ao teatro Tivoli ver a peça Aga-boom. É uma peça infantil protagonizada por três palhaços. Tanto eu como a cunhada achamos os palhaços um pouco assustadores na foto. Mesmo assim resolvemos arriscar e levar os pequenos todos a ver a peça. 

A peça é para maiores de três anos mas tantos os gémeos com a sobrinha portaram-se lindamente. É giro ver como o espectáculo os cativa. Ficaram sentados o tempo todo com olhos fixos no palco. Riram e dançaram muito.

Os mais velhos também gostaram. O Guilherme veio o caminho até casa a contar as cenas todas ao pai. O Leonardo diz que foi giro mas não gostou da parte dos balões. O barulho dos balões a rebentar faz-lhe confusão pelo que foge dos balões a sete pés.

Se tiverem oportunidade e quiserem levar as crianças ao teatro passem pelo Tivoli a ver a peça. Deixem-se levar pelo espectáculo e vão ver que vão sair de lá com um imenso sorriso nos lábios.

Bazar na Escola

A escola dos mais velhos pediu a todos os pais e familiares que dessem bugigangas para um bazar de Natal. Agora dá-nos a magnifica oportunidade de adquirir algumas dessas coisas. Inicialmente achei a ideia um pouco descabida. Se o objectivo é angariar fundos para a escola porque não pedir dinheiro aos pais? Pensei que seria muito mais rápido pedir dinheiro do que proceder a toda a logística do bazar.Ore vejamos tem que catalogar as coisas, fazer rifas, despender de alguém para fazer as vendas. Achei que era uma autêntica perda de tempo.

Achei mas entretanto mudei de ideias, ou melhor as crianças fizeram-me mudar de ideias. Tenho visto um comportamento diferente da parte delas. De manhã entram felizes e apressadas com alguns trocos a chocalhar nos bolsos e correm a gasta-los no bazar. Abrem as riras com entusiasmamos, ansiosas por saber qual o prémio que lhes saiu. Por vezes o prémio não é o esperado mas a desilusão desaparece quase instantaneamente quando percebem o que ganharam.

Ao fim do dia saem da escola com um sorriso nos lábios e com as mochilas repletas de pequenos tesouros. Saem em pulgas para contar e mostrar aos pais os magníficos presentes que ganharam.

Cá em casa já temos uma pequena colecção de tralhas ganhas no bazar.

2016-11-30 11.32.28.jpg

 Agora estou em processo de convencer os rapazes a partilhar as tralhas com familiares. Assim a prendem a partilhar o que ganharam o que têm muito mais significado.