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Quatro Reizinhos

Uma mãe obsessiva, um pai muito stressado e 4 filhotes. O mais velho hiperativo, o segundo com um feitio muito particular e dois bebes gemeos. Tanta cabeça debaixo do mesmo tecto não pode dar coisa boa.

O que será que não me acontece.

No fim de semana resolvi calcar umas sandálias novas. Passado um pouco de andar com elas senti algo pontiagudo na planta do pé. Pensei que teria alguma pedra ou grão de areia entre a palmilha e o pé pelo que tentei fazer com que saísse.

Tentei, tentei e tentei. Confidenciei várias vezes à minha tia e à minha mãe que tinha um pedra na sandália e que não saia nem por nada. Por fim, farta de tanto sentir o pé picado resolvi descalçar a sandália, em pleno centro comercial, para tirar o que raio me estava a magoar o pé. Quando tirei o pé não vi nada, sacudi então a palmilha e senti algo pontiagudo. Percebi então que era a ponta de um dos pregos da sola que não estava bem martelado para dentro e me estava a espetar o pé. Sem grande alternativa só me restou calçar novamente e andar o resto do dia a sentir o prego no pé. O que é que não me acontece....

Que raio de sistema de ensino é este?

Quando ingressei no sistema de ensino as crianças passavam todos os anos até à quarta classe, estando preparados ou não. Era frequente as professoras darem mais do que um ano por causa dos que não acompanhavam o resto da turma. Um pouco mais tarde passou a ser possível não deixar certas crianças transitar de ano e eu achei que era uma excelente noticia. Sei que existe muita gente que defende que não é bom para a auto estima das  crianças perder um ano mas eu, pessoalmente, acho que é muito pior estar numa sala onde perceber que não estás ao nível dos colegas. Perece-me que deve ser bem pior estar excluído de certas actividades dentro da sala porque não estamos a dar a mesma matéria dos colegas.

Para mim os primeiros quatro anos são os mais importantes, é nestes anos que aprendemos as bases para todo o resto de conhecimento. Se não as aprendemos bem ficamos com uma tarefa ainda mais difícil nos anos futuros. Pensava que o sistema de ensino estava mais consciente deste problema mas neste últimos tempos percebi que afinal não é assim.

A professora do Guilherme tem meninos do terceiro e do quarto ano para leccionar mas para além disso tem os que não acompanham. Neste momento a professora está a leccionar  três anos lectivos tudo porque tem crianças que ainda estão ao nível do segundo ano. Considero-a uma professora excelente e nem sei como é que consegue fazer tal proeza. Questionei-me sobre o motivo de não terem retido as crianças no segundo ano e a resposta chegou através de uma conversa com uma mãe uns dias depois. A mãe tem um rapaz que apesar de estar no quarto ano está a dar o terceiro. Estava convencida que o rapaz ia ficar retido para frequentar o quarto ano contudo foi chamada à escola para conversar sobre opções. Explicaram-lhe que tinham ordens para passar as crianças todas independentemente de estarem preparadas ou não. A mãe questionou como é que mandavam um menino para o quinto ano sem ter frequentado o quarto ano. Como é que o menino iria perceber algo se lhe faltava todo um ano de matéria? Explicaram-lhe que a maioria dos pais não queria os filhos retidos mas, como uma mãe consciente que é, ela informou que não estava de acordo com a situação. Teve então de preencher um pedido dirigido à direcção do agrupamento para permitir ao rapaz ficar na escola e frequentar o ano que lhe falta.

Eu assisto a isto tudo e penso como é possível isto continuar a acontecer nos dias de hoje. Espero sinceramente que isto seja uma coisa deste agrupamento e não uma coisa que seja comum pelo pais fora.

Sinais de transito não são só para enfeitar.

A rua onde moram os meus pais é de sentido único. Quando digo que  uma rua de sentido único não me refiro a uma coisa recente. Os meus pais compraram a casa à mais de trinta anos e a rua já só tinha um sentido. Apesar de sempre ter sido assim acontece frequentemente alguém ignorar os dois grandes sinais de sentido proibido e vir rua abaixo. Infelizmente acontece mais vezes do que deveria acontecer e quem usa a rua diariamente aprendeu a tomar especial cuidado para não ter um acidente frontal.

Este sábado fomos lá a casa, o marido deixou-me à porta e foi lavar o carro. Enquanto arrancava de carro eu percebi que lá vinha outro carro a preparar-se para descer a rua. O carro cruzou-se com o do meu marido e com outro e pareceu-me que tinha percebido. Encostou-se à direita e eu pensei que ia aproveitar para fazer inversão de marcha quando os dois carros passassem por ele. Fiquei de olho na situação e vi o senhor retomar o caminho em contra mão assim que a estrada ficou livre. Aproximei-me da berma da estrada para gritar ao senhor que estava em contra mão mas nem tive hipótese de o fazer. Assim que me viu sorriu para mim através da janela aberta e disse-me:

- Eu sei menina mas vou já para aqui.

Continuou mais uns cem metros até entrar numa praceta cuja única entrada é pela rua principal tudo isto enquanto eu me mantinha no mesmo sitio boquiaberta a pensar se tinha mesmo ouvido aquilo.

Quando é que as pessoas vão perceber que o ignorar sinais e o é já para aqui podem custar vidas.

Juro que nem consigo raciocionar

Tem sido uma semana difícil. Uma correria imensa no trabalho, muito stress. Não tenho conseguido sair a horas o que significa que tenho chegado tarde  a casa. O Salvador passou as ultimas três noites cheio de febre e o as nossas horas de sono foram drasticamente diminuídas.

Hoje acordei bem antes do despertador. O meu corpo queria continuar a dormir mas o meu cérebro não colaborou. Resolvi vir escrever mas o estou demasiado cansada para divagar sobre alguma coisa. Felizmente é sexta-feira e só tenho que reunir um pouco de forças para aguentar o dia. 

Bom fim de semana.

São Pedro bipolar

Cada vez acho mais que São Pedro deve ser bipolar e largou a medicação de vez. Só isto justifica estas mudanças diária na meteorologia. Num dia está a chover, noutro estão 30ºC e no dia seguinte já chove novamente.

Eu estou cansada e confusa com tanta mudança para já não falar que não sei o que vestir. Ontem chover visto uma roupa meia estação e passo calor o dia todo. Ontem teve calor vou mais à fresca e aproveito para lavar os pés com a água da chuva. Sinto esta dificuldade também na hora de vestir os rapazes que ora se queixam de ter tido calor, ora de ter tido frio.

São Pedro por favor volte à medicação e atine lá o tempo. Não lhe digo que temperatura colocar mas pelo menos mantenha a coisa mais estável para a malta saber o que vestir.

Água na hora de dormir, mito ou ficção

Lembro-me de ler livros de banda desenhada. Lembro de adorar, particularmente, uma história do pato Donald e dos seus três sobrinhos na qual o tio passava um autêntico horror por causa da sede dos pequenos. Ele colocava os sobrinhos na cama e ainda nem se tinha sentado no sofá já um deles estava a pedir um copo de água. Seguiam-se enumeros sobe e desce escadas cada uma das subidas para matar a sede a um dos pequenos. Às tantas o pato tinha um daqueles ataques de fúria tão característico dele mas quem é que o conseguia criticar perante tal situação.

Eu adorava aquela história sem saber que afinal representava uma situação real, pelo menos real cá em casa. É só dizer que está na hora de dormir e todos eles se lembram que têm sede, melhor falando por norma um menciona que tem sede e os restantes percebem que também têm. Segue-se uma rumaria até à cozinha onde todos bebem água e mais do que uma vez até. Os gémeos, por exemplo, gostam de marcar posição como sendo o que bebeu o ultimo golo, pelo que por norma, ficam a dar pequenos golos à vez a marcar posição até eu me danar e mandar tudo para a cama. Existem outros dias em que até os consigo meter na cama sem a dita rumaria à cozinha mas passados uns minutos oiço algum pedir água e acabo por ter que dar água a todos.

Já desisti de lutar contra esta situação porque já percebi que não adianta. No fundo até já tivemos uma fase pior quando o Guilherme aprendeu na escola que podia morrer à sede. Todos os dias antes de deitar bebia dois copos de água bem  cheios e perguntava:

- Esta água já chega para aguentar durante a noite?

Perante uma resposta afirmativa lá seguia para a cama. Tentamos explicar-lhe que não se morria de sede durante a noite e que se fosse necessário iria acordar com sede e depois podia beber mais. No entanto nada resultou e durante mais de um ano tivemos a mesma cena ao deitar. O rapaz na cozinha a forçar-se a beber água, sim porque muitas vezes víamos que estava a lutar para a conseguir engolir, e a pergunta da praxe.

- Esta água chega para eu não morrer até amanhã?

Felizmente acabou por passar e hoje não temos este problema no entanto temos outro igualmente chato. O Leonardo pede sempre ao irmão que lhe vá buscar um copo de água e quando lhe dizemos para ir ele responde:

- Tenho tanta sede que nem consigo.

De manhã acorda e diz:

- Tenho tanta sede que nem me consigo mexer podes trazer-me água.

Um que pensava que ia morrer, outro que com sede não se consegue mexer e os gémeos que fazem competições para ver quem é o ultimo a beber. Cada um com o seu tique e nós vamos assistindo a isto tudo sabendo que são fases que vão passar e dar inicio a outras ainda piores.

Depois disto fico a pensar se todas as crianças pedem água na hora de dormir?